VERSOS EM FOCO

Sou porta aberta à luz que se derrama,

no ângulo exato, a cena se refaz.

No verbo a imagem pulsa, se emoldura,

recorte vivo, instante que não jaz.

No olhar do verso, o mundo se revela,

como uma lente etérea a deslizar.

E a natureza dança na palavra,

fluindo em cor, sentido e luz do ar.

Registro o eco etéreo do silêncio,

um quadro mudo que respira além,

pincel de som, poema em movimento.

E assim, no rito pleno do momento,

sou tela e tinta, o traço que mantém

o tempo eterno, em versos sem alento.