Intruso

Não sei quem me habita quando escrevo:

que outro sol, com seu pão de multitude

desliza com o sangue enquanto é noite.

E de que cidades surgem, necessários

estes contornos, tais depósitos

de humana melodia ressoando

sob a rocha, a pedra viva, o musgo

e o tronco atormentado.

Consigo vê-los, já de carne

(algo translúcida)

no murmúrio das corolas de alfabeto. São da matéria

da dor e da promessa, e comungam

com o estranho sob a tenda, conversando

quanto o silêncio contém e afeiçoa.

Não sei quem vive em mim quando eu escrevo:

Se o ar que a todos une

ou um ser de carapaça

segregando bem de dentro a seda indócil

que cobre de ilusão a madrugada.

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[Agora, uma interação que muito me honrou, da dileta e talentosíssima

ESTHER LESSA! ]

INTRUSO BANIDO

Também não sei que tanto em mim pulula e dança

Um rebuliço que nem tem definição

Sombras e chuvas sem qualquer explicação

Atormentados sentires que o Medo lança

E se uma saída busco,ainda a angústia avança

Não há nenhum sinal d'que acabe a inquietação

Há que sorver até o fim a condição

Que a todo humano inexoravelmente alcança

Nos vãos dest’alma, quisera bem me esconder

Ou quem sabe, nas asas dela poder voar

Pra longe, muito longe ou pra junto do mar

E quando Jesus ao desgraçado Acolher

Então toda a escuridão se há de dissipar

Pra qu’enfim, no espírito, possa A Paz reinar!

Esther Lessa

[Muito obrigado, Esther, pelo poema, que para mim foi um presente. Deus te abençoe!]

Rodrigo C Pereira
Enviado por Rodrigo C Pereira em 22/08/2019
Reeditado em 22/08/2019
Código do texto: T6726267
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