Advento: tempo de preparação e também de oportunidade.
 
Queridas irmãs e queridos irmãos, que a paz de Nosso Senhor inunde o coração de todos vocês!

No domingo passado, iniciamos o período do Advento, sendo esta a primeira semana deste período litúrgico. Todas as igrejas cristãs, a Romana, as Ortodoxas e as Reformadas, em especial a Anglicana, a Luterana e a Metodista, também celebram este período como uma importante etapa de preparação espiritual.

O Advento é um termo que se origina do latim (Adventus), cujo significado relaciona-se à “chegada”, “vinda”. No calendário litúrgico, corresponde às quatro semanas que antecedem o Natal, dando início, assim, ao novo Ano Litúrgico, duração estabelecida desde o século IX. É considerado pelos cristãos como um tempo de preparação e alegria, na expectativa das celebrações referentes ao nascimento de Jesus Cristo.

A utilização do termo Advento teve início bem antes do cristianismo. Já no mundo antigo, ele era utilizado para se referir a chegada de uma pessoa ilustre, como um importante funcionário da corte, ou mesmo aos membros da realeza ou do império. Da mesma forma, era empregado nos templos pagãos, na expectativa da chegada de deuses em momentos festivos ou em celebrações especificas. O termo em questão foi cristianizado, de forma pontual, em alguns países, já no século IV, exatamente para o tempo de preparação para o Natal. Sua utilização foi ampliada, geograficamente, nos séculos seguintes, destacando-se, no século VI, com São Gregório Magno, o primeiro ofício para o Advento elaborado por um Papa Romano.

Já na Idade Média, a Igreja estimulava os fiéis à expectativa, e respectiva preparação, para o retorno glorioso do Salvador no fim dos tempos, para o juízo final, razão pela qual serem encontrados, em diversos mosaicos da época, o trono vazio do Cristo Pantocrator (palavra de origem grega que significa “todo-poderoso” ou “onipotente”).

Pois bem, para iniciarmos nossa reflexão, relembremos as palavras de São Paulo aos colossenses: “Portanto, assim como recebestes Cristo Jesus o Senhor, assim nele andai arraigados, nele edificados, e apoiados na fé, como aprendestes, e transbordando em ação de graças” (Cl 2,6-7). Em suma, viva Cristo em seu íntimo, em todos momentos da vida.

Oficialmente, o Advento dá início ao novo Ano Litúrgico, com uma seqüência de leituras e reflexões evangélicas correspondentes aos períodos religiosos aos quais as práticas litúrgicas se referem e celebram, ao longo do ano. Mais especificamente, essas quatro primeiras semanas apontam para a preparação para a celebração do Natal, do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Porém, proponho irmos além. Não nos limitemos aos aspectos litúrgicos, mas sim, direcionemos nossas reflexões ao nosso cotidiano, cristão ou não.

A celebração do Natal não representa, somente, uma recordação, não se limita a uma viagem imaginária ao passado, não pode ser vista como, apenas, uma simples recordação, mesmo que festiva. O Natal representa o contínuo nascimento de Cristo Jesus em cada um de nós, em cada momento. Traz-nos a lembrança de que Ele nasceu e ainda está vivo, com toda sua divindade, em cada pessoa que encontramos, conhecidas ou desconhecidas, queridas ou não, amigas ou inimigas. Em todos os serem humanos encontra-se presente, e viva, a essência Crística do próprio Jesus.

Pois bem, se o Advento, a princípio, aponta-nos para a preparação das celebrações do Natal, devemos aproveitar este período para sermos capazes de reconhecer o Cristo vivo nascido em cada irmão, a cada momento de nossa vida. É mais do que uma período litúrgico, é uma oportunidade de refletirmos, mais profundamente, sobre nossa necessária preparação, sobre a importância da purificação de nosso espírito, para que, como exortou Paulo os colossenses e todos nós, possamos ter a consciência de termos recebido o próprio Cristo Jesus vivo em nós e nele andarmos arraigados, edificados, apoiados e por Ele transformados.

Iniciemos mais uma Ano Litúrgico, mais uma período de nossa vida, preparando-nos para cada dia em contato com Deus, Deus vivo em cada irmão, presente em cada ser neste mundo, para que possamos, como oração, relacionarmo-nos com todos aqueles que tivermos contato, da mesma forma que faríamos se vivêssemos há 2000 anos atrás e, pessoalmente, tivéssemos nos relacionado com o Cristo Jesus.

Portanto, aproveitemos o Advento para aprofundarmos em meditação, em oração, num processo de limpeza espiritual, visando a nossa melhora contínua, com vistas ao encontro do verdadeiro caminho do amor e da compaixão.

Por quatro semanas, teremos reflexões evangélicas preparadoras para tal proposta, todas elas por intermédio de Lucas, evangelista que, dentro outras características, enfatiza a ação continua do Espírito Santo na vida e no ministério de Jesus Cristo.

Iniciamos, no domingo passado, com o veemente convite de Jesus, à conversão e à preparação, apresentando uma forte imagem escatológica (parte da teologia e filosofia que trata dos últimos eventos na história do mundo). Porém, contextualizemos tal passagem bíblica em nosso cotidiano e na incerteza de nossa partida, no desconhecido momento de nossa morte. Portanto, a permanente preparação é fundamental, para que esse instante não nos pegue desprevenidos.

No segundo domingo do Advento, João Batista, o grande precursor de Jesus, o profeta contemporâneo de Nosso Senhor, o destacado anunciador da divindade de Jesus e de sua missão redentora, ao mesmo tempo que nos apresenta a salvação próxima e possível pelo Cristo vivo, lembra-nos a importância de nossa preparação para ela.

João Batista dá seqüência à sua exortação na leitura do terceiro domingo do Advento, chamando-nos a atenção para a incomensurável e inimaginável felicidade que estava por vir com a chegada do Cristo Jesus. Certamente, não apenas a chegada e a partida, numa época humana definida, mas a chegada e a presença permanente de sua divindade Crística em cada um de nós. Com isso, adverte-nos, João, à importância da amorosidade com o próximo, em quem o próprio Cristo mantém-se vivo.

O último domingo do Advento, ainda como tempo preparatório e na proximidade da celebração do Natal, o evangelista Lucas traz-nos a belíssima recepção de Isabel a Maria Santíssima: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!” (Lc 1,42)

Refletiremos sobre cada uma dessas semanas a seu tempo.

Queridas irmãs, queridos irmãos, aproveitemos a oportunidade desse especial período, propondo-nos a refletir sobre nossa vida, sobre como estamos vivendo em relação ao nascimento de Cristo no nosso irmão e sua viva existência nele.

Cada vez que olharmos para a coroa de flores com as quatro velas, símbolo do período do Advento, sendo uma vela acessa em cada uma das quatro semanas, reflitamos sobre a infinitude do amor de Deus, de sua presença no universo, representada pelo círculo, sem começo nem fim, e que, ao se acender cada vela, mais luz possa iluminar nossa vida e nossa mente, para que possamos, de fato, e de forma permanente, encontrar Cristo Jesus nascido em cada pessoa que nos depararmos em nossa vida.     

Um fraterno e carinhoso abraço e fiquem com Deus!
Milton Menezes
Enviado por Milton Menezes em 03/12/2012
Código do texto: T4017535
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