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28/05/2010: o dia em que nasci de novo.

O dia não amanheceu muito legal.
Ainda assim pensei ser culpa da chuva. Estava meio sombrio, triste, vazio. Sei lá...

A noite passada fora tomada por sonhos nada agradáveis, tudo muito confuso e angustiante.
Senti um leve aperto no peito, mas achei que não fosse nada muito relevante.

A viagem seguia seu curso normalmente, mesmo com a leve garoa que caía. Tudo ia bem, até que numa curva, o ônibus perdeu o controle e desgovernou na pista, batendo contra a mureta de concreto e ficando pendurado ribanceira abaixo.

Estávamos no final da subida da Serra, ninguém entendeu bem o que havia acontecido. A explicação foi: "muito óleo na pista".
Gritos desesperados, choros incontidos e um medo terrível tomaram conta do interior do ônibus. Foram os minutos mais longos da minha vida.

A sensação de cair de uma altura daquelas e nunca mais ver as pessoas que amo, me fez entrar em pânico e só o que eu conseguia fazer era chorar.

Não podíamos fazer movimentos bruscos no ônibus, justamente para que o mesmo não se projetasse ainda mais para a frente, pois com isso a queda, provavelmente, seria fatal.

Quando, enfim, o ônibus foi retirado do perigo, assim como os demais passageiros, respirei aliviada e agradeci baixinho a Deus a oportunidade de nascer novamente.

Se para alguém ali naquele ônibus, existia qualquer dúvida da existência DELE, essa dúvida foi posta de lado assim que saímos todos ilesos daquele "buraco".

E quem tinha a certeza dessa existência, posso dizer que depois desse renascimento, essa certeza foi ainda mais reforçada.
Naquela mureta, nada mais tinha a não ser a mão de Deus, o tempo todo.

Quem segurou o ônibus, não foi a sorte, e nem mesmo a experiência de vinte e dois anos do motorista, e sim, a mão divina.
Quando nos deparamos com a morte, passamos a valorizar muito mais a vida, as pessoas e até mesmo as pequenas coisas, pois a sensação de "quase" morte é terrível, pavorosa e não há no dicionário, palavra capaz de externar o medo que senti.

Por isso, o mínimo que posso fazer, é agradecer à Deus, esse Deus do impossível.
Acredito que a batida tenha sido a forma que Deus usou para me "sacudir", ou seja, para me "acordar" e me mostrar que a minha vida vale muito a pena, mesmo depois de ter perdido uma pessoa tão querida.

Obrigada, Senhor, por estar aqui hoje, por poder estar perto das pessoas que amo e que são importantes para mim.
Obrigada, ainda, por ter permitido que eu saísse sã e salva deste acidente, e por me dar a oportunidade de renascer.
Obrigada, sempre, meu Pai!
Vanessa Pires
Enviado por Vanessa Pires em 30/05/2010
Reeditado em 01/04/2011
Código do texto: T2290044
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Vanessa Pires
Petrópolis - Rio de Janeiro - Brasil, 36 anos
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Vanessa Pires