MENSAGEM DE LUZ

A luz precisa ser enxergada pelos olhos do intelecto, pois todo homem, que precisa ser livre e capaz, quando é doutrinado aos mistérios da vida, revela-se com o potencial da liderança, da fraternidade e da bondade. Esta luz o transforma num soldado da esperança e o condiciona a crescer diante dos demais. A luz da razão e da justiça, que queima apenas as pálpebras dos incapazes e covardes, está em cada castiçal anônimo e ilumina toda treva existente no caminho da liberdade.

Quando falamos sobre a finalização de mais um ano e a chegada de outro, parece que há uma barreira física onde um desaparece e outro nasce, quando na verdade é apenas mais um degrau na escada longa, ou curta, de cada vida e de cada essência.

O tempo só se esvai para os que partem; aos que ficam engrossando as fileiras da sabedoria, o tempo é contínuo e não apresenta qualquer barreira. O que dizer aos sábios das tribos africanas que não aprenderam há contar os dias? Este ano é 2010 ou já passamos do ano 3 mil? Em cada simbologia, como a passagem de mais um ano, há um toque mágico do comércio que movimenta o mundo; seja o ano novo, o natal, a páscoa ou o Ramadan, cada tribo se organiza para confraternizar a passagem de uma data imaginária ou a renovação do fogo da tocha, que necessita ser regado com o mais puro óleo para continuar iluminando tantas vocações; vocações que podem ser sábias, inúteis, profanas ou ignaras.

O homem necessita saber da sua capacidade de construir; ele jamais deixa de ser um carregador de pesos e jamais deixa de ser um sábio na arte de construir; todo homem precisa, antes de tudo, se doar ao conhecimento específico e puro, para que seu corpo e mente aja em harmonia com o mundo e através do respeito ao próximo e compreensão das regras essenciais, ele possa construir uma sociedade mais justa e mais acolhedora; onde ele e todos os seus irmãos façam parte integral do conjunto de realizações onde o homem está abaixo de Deus, mas que ele é tão capacitado quanto, pois foi feito de acordo a imagem e sabedoria do Criador, segundo nos conta os mais puros documentos consagrados.

Nossos antepassados criaram uma conjugada teia de estudos e realizações para que as gerações futuras pudessem tê-los como legado; infelizmente em toda sociedade, assim como na vida, se há uma força benéfica, sempre há também a que corrompe, mas o legado dos homens cívicos que lutaram para a criação de uma sociedade justa e fraterna, precisa ser revelada aos poucos; nossos filhos não podem esquecer de que o passado compõe o presente e influencia o futuro. Símbolos, práticas e até as teorias deixadas pelos mais experientes, inspirados por Deus, que tudo vê e tudo escuta, para a honra dos homens; não pode ser esquecido, num livro qualquer ou numa anotação perdida num santuário.

A verdade precisa ser revelada as novas gerações e estas legiões de jovens moços a serviço do bem comum, precisam ser lembradas do nosso compromisso com o democratismo; o jovem precisa ser induzido a saber que temos uma convenção séria com o mundo e que não podemos jamais deixar aquele que descende de nós, padecer com a dor da ignorância ou vivenciar a cegueira do juízo.

Precisamos ser honestos e probos; exigimos de todos; uma capacidade inútil de provar que são eles os líderes, mas às vezes esquecemos-nos de praticá-las para tentarmos chegar à perfeição. Ouço pessoas dizendo que cumprem os seus compromissos, muitas vezes em alusão aos compromissos materiais, como se o cultivo do caráter e da formação de uma elite justa, estivesse baseado apenas nas contas que pagamos em dia; é aí que precisamos acreditar de verdade que a honestidade não tem preço!

Wladimir Petrov, um jovem prisioneiro de um campo de concentração na Sibéria tinha ao seu lado sempre outro jovem chamado Andrei. Ambos sabiam que era pouco provável que algum saísse dali com vida, pois o terror fascista ceifava vidas como se fosse neve derretida. Eles eram prisioneiros políticos e recebiam uma ração que mal lhes dava forças para se levantarem ao amanhecer. A fome e os trabalhos forçados matavam centenas de pessoas todos os dias.

Wladimir tinha um pouco de biscoitos, manteiga e açúcar e tinha os posto numa pequena caixa, mantendo-a escondida dos demais, para em caso de emergência, suprir uma força quase imaginária que lhe proporcionasse o prolongamento da vida; coisas que sua mãe havia lhe enviado clandestinamente de quase 3 mil quilômetros e que ele escondia por causa dos constantes roubos que havia no lugar.

Certo dia Wladimir fora despachado para outro campo e precisava antes passar por uma revista severa dos guardas do campo. Antes de embarcar, Andrei, seu amigo e único que sabia da caixa e do que havia dentro dela, lhe pediu para guardá-la e lhe garantiu que aquela caixa e seu conteúdo estariam a salvo sob a sua guarda.

Um dia depois da partida de Wladimir, uma tempestade de neve, talvez a maior daquele ano, impossibilitou a chegada de trens de suprimento para o campo onde estava Andrei; era o mesmo caminho em que Wladimir havia partido e deveria voltar. Só dez dias depois os caminhos foram desobstruídos e Wladimir pode enfim voltar ao campo de origem; ele chegou à noite, quando todos já havia se recolhido do dia árduo de trabalho, mas não conseguiu avistar seu amigo Andrei.

Wladimir dirigiu-se ao líder do acampamento e perguntou pelo amigo Andrei; o capataz lhe disse que seu amigo estava enterrado numa cova enorme junto com outros tantos mortos; mas antes de morrer pediu-me para que guardasse isso para você. O amigo que ficou vivo sentiu um enorme aperto no coração e pensou que nem os biscoitos, nem a manteiga foram suficientes para manter o amigo Andrei vivo. Quando abriu a caixa, ao lado dos alimentos intactos, encontrou um bilhete dizendo: - Prezado Wladimir! Escrevo-lhe enquanto ainda posso mexer a mão; não sei se viverei até que você volte, porque estou horrivelmente debilitado. Se eu estiver morto quando você ler esta carta, avise a minha mulher e meus filhos, você sabe o endereço! Deixo as suas coisas com o capataz; espero que as receba intactas e como deixei. Do amigo de sempre, leal e fraterno, Andrei!

Ser honesto é dever de toda criatura que tenha por meta a felicidade; e a fidelidade é uma das virtudes que liberta o ser e o eleva na direção da luz. Honestidade não é só daquele que não pratica o furto, da mesma forma que lealdade nem sempre está associado a mais alta acepção da traição. Ser honesto e leal é ter por consciência que o mundo pertence a todos que aqui estão, de forma análoga, lógica e válida. Se quando edificamos a nossa casa, aquela que abrigará nossos filhos e nossa família; desejamos que seus pilares sempre fossem da mais pura rocha, porque não desejarmos o mesmo para nossos irmãos? Se não podemos ofertar a rocha em estado bruto, porque nos pesa nas cotas ou porque ainda não reunimos as condições da sabedoria para edificá-la na forma fracionada, então porque não nos empenhamos a reunir forças com outros irmãos e fazer dela uma realidade para muitos?

Muitos afirmam que o mundo peregrina em rota de colisão com a extinção e alguns profetizam a chegada da desgraça como se fosse uma pilhéria; mas antes de apresentar a faceia, tão espúria e vil, o homem sem sabedoria, deveria confiar que o mundo depende mais dele próprio do que da alimentação de predições; por que a doutrina que forma o caráter puro, se semeada em campos fecundos, pode gerar resultados brilhantes; e aquela tocha, que precisa ser regada de tempos em tempos, para que não reja os abismos, pode manter-se por mais tempo ardendo em chamas de legítima sabedoria; e sabedoria embasada é o único tópico capaz de extinguir ignorância! Como já diziam os sábios: “o que brilha com luz própria, nada pode apagar”.

Todo homem precisa trabalhar e se manter; todo homem precisa respeitar as leis e se fazer respeitar; ao invés de nos orientar por meras ideologias que mal sabemos se existem de fato e que prometem mudar o mundo, deveríamos focar nossos olhos e elevar nossa capacidade para uma esperança de progresso individual, porque primeiro temos que estarmos sólidos em nossos princípios éticos como postulantes da vida, para depois nos colocarmos na condição de postulantes a mestres. Muitos anseiam por antes praticar o magistério, mas esquecem que sequer conseguiram a alfabetização!

Minha mensagem de final de ano, é destinada a todos que assim como eu, consideram a barreira do tempo como mais um dia que chegará e os que acreditam que há o tempo certo para tudo. Nesta divisão temporal e templário, que rotula o amanhã como sendo o ano de 2011, que este novo dia esteja repleto de harmonia e que você, eu e tantos outros, passemos a enxergar cada vez mais aquele que está ao nosso lado como um irmão; um irmão cheio que virtudes, mas que também comete falhas; muitas delas gravíssimas, mas que não seremos capazes jamais de julgá-los a nossa vontade, porque há quem o faça, na forma mais verdadeira e mais coerente, porque somente ele por arquitetar verdadeiramente o destino e a caminhada de cada um de nós!

Se conseguirmos zelar pelos princípios da justiça e da caridade verdadeira, já estaremos, pelo menos, no caminho da luz!

Dedico este texto a minha esposa, meus filhos, meus irmãos, meus pais e meus amigos, em especial a Gilmar Xavier Pereira, Wellington Peres e André de Almeida Ferreira, fráteres de luz e honestidade!

Feliz tempo novo!

Carlos Henrique Mascarenhas Pires

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Enviado por CHaMP Brasil em 30/12/2010
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