JECA DE CORAÇÃO
I
Sou filha de Jeca, mas Jeca não sou
Escuta, moleca, o que é que pensou?
Minha mãe é gaúcha, meu pai é mineiro,
Nasci bem graúda, mês de fevereiro
Nasci na cidade, sim, eu sou daqui
Mas tenho saudade do que não vivi
Quando meus pais dizem causos do sertão
Me torno aprendiz, penso que tudo é "bão"
Refrão
Será que é tão bom morar lá no sertão?
Ou é só saudade "dum" passado "bão"?
Se canto uma valsa, não tem solidão,
Porque eu sou Jeca... Jeca de coração!
II
Chego a sentir cheiro do cafezal
Posso consentir que não há nada igual
Vejo as pessoas dançando nas festas
Enquanto os poetas cantavam as serestas
Imagino a relva e a diversidade
Me embrenho na selva, sinto que é verdade
Aprendo a plantar e a colher com fartura
Também preparar aquela gostosura
III
Sinto nostalgia de saber da fé
E da alegria, Jesus, Nazaré
E das romarias, também procissões
das Ave-Marias, Anjos guardiões
Ouço as ladainhas e o povo a louvar,
Rezando o Terço, Homilia a escutar
Vejo os ancestrais seguindo a Tradição
Acendendo a vela e fazendo oração
IV
Vejo a família almoçando à mesa
E logo em seguida comem a sobremesa
Depois do almoço uns tiram uma sesta
Enquanto outros começam a festa
Vejo a "netarada" brincando no chão
Enquanto os amigos tocam "vanerão"
Ao som do pandeiro, "cordiona" e violão
Celebrando a vida em grande comunhão
V
Queria viver o que viveu meus pais
Desde que pra cá vieram só escuto ais
Se eles não querem mais aqui morar
Por que desistiram e não voltaram mais?
Um dia eu quero morar no sertão
Eu tenho certeza no meu coração
Saudade não é minha, mas eu adotei
Tomei como minha desde que cheguei