LÍRIO REGIONAL
Amapá, berço do rio Amazonas,
Onde a lua beija o chão, fazendo espelho de Iracema!
Terra de miriti e tambor, quilombo e nação,
Canta a mata: Sou Macunaíma, lenda viva da raiz sem fim!
No cerrado, veios de manganês,
O ouro verde pulsa, curumim, no igarapé.
Açaizeiro é pajé, a floresta faz tambor,
Jabuti samba na lama, carimbó de urucum.
A onça pintada ri do mapa cobiçado,
Enquanto o garimpo dorme no colo do estrelato.
Amapá, berço do rio Amazonas,
Onde a lua beija o chão, fazendo espelho de Iracema!
Terra de miriti e tambor, quilombo e nação,
Canta a mata: 'Sou Macunaíma, lenda viva da raiz sem fim!
Marabaixo ecoa no peito de Mazagão,
Nas muralhas de São José, o tempo é uma berrante canção.
Indígena tece tucumã, quilombola risca o chão,
A bandeira de Cabralzinho voa no pirarucu do Araguari.
Calçoene dança com as pedras do sol,
Oiapoque é uma lenda ao norte do Brasil.
No Marco Zero, o Equador divide o céu em dois,
O rio Cassiporé murmura segredos de pajés antigos.
Lago Curiaú reflete o rosto da resistência,
Enquanto o Forte brinca de espelho com a lua-cheia.
Amapá, berço do rio Amazonas,
Onde a lua beija o chão, fazendo espelho de Iracema!
Terra de miriti e tambor, quilombo e nação,
Canta a mata: 'Sou Macunaíma, lenda viva da raiz sem fim!
Macapá, Santana, Porto Grande e Pedra Branca,
Cada nome é um verso, no chão que encanta.
No Bailique, o caranguejo ensina o passo do mar,
Em Cutias, a pororoca escreve história no ar.
Tartarugalzinho ri de quem duvida do seu canto,
Vitória do Jari tece ouro no manto.
Amapá, jaguar adormecido na beirada do mundo,
Tua pele é mapa, teu rugido é o trovão profundo.
Quem te ouve, vira lenda, vira rio, vira estrela-guia,
Filho da terra onde o sol nasce primeiro que o dia.