DEUSA BIPOLAR
Ela chega de noite, perfume, nua paixão,
Me beija no escuro, diz que sou a razão.
Mas antes do alvorecer, já muda de opinião,
Sua chama é fogo e gelo, agita meu coração.
Tem noite que é abraço, tem noite que é divã,
Eu durmo no sofá, diz que me ama pela manhã.
Ela vem toda nua, me provoca e diz: Vem!,
Mas eu, covarde, finjo que não vi. Fujo também.
Ah, minha menina, deusa bipolar!
Me enlouquece, me faz chorar:
Num momento é amor, no outro é Gilmar!
Me acusa, me nega, me prende o ar...
Me cobre de um amor, maior que céu e mar.
Se me olham na rua, ela solta o leão:
Quem é essa? Responde! Não esconde não!
Eu juro que é nada, mas ela vê traição,
Tem ciúme até do vento que mexe no meu violão.
Ela erra, mas tá certa, não posso teimar,
Se discuto, ela vira tempestade, me faz negar.
Depois da chuva passa, vem como o sol a brilhar:
Me chama de vida, me faz suspirar...
Ah, minha menina, deusa bipolar!
Me enlouquece, me faz chorar:
Num momento é amor, no outro é Gilmar!
Me acusa, me nega, me prende o ar...
Me cobre de um amor, maior que céu e mar.
Ela é a flor no meu jardim, meu porto seguro,
Meu sonho profundo, meu verso futuro.
Quando brava, eu mudo de time:
Se o amor é caos, amar é meu crime.
Ah, minha menina, deusa bipolar!
Me enlouquece, me faz chorar:
Num momento é amor, no outro é Gilmar!
Me acusa, me nega, me prende o ar...
Me cobre de um amor, maior que céu e mar.
Ela me leva as estrelas, a aurora boreal,
Faz bateria do meu coração, um carnaval.
Me chama de Gilmar, mas não me importo não...
Com dela, até o sofá é trono de paixão.