ORVALHO DE ASFALTO

O asfalto engole estrelas, caídas ao chão,

Rio quebrado reflete, fantasmas em vão.

Flores negras nas veias, madrugada a brotar,

Violência é alfabeto, grafite a memorizar.

Olhe a lua brilhar, outdoor no céu,

Vende ilusões, tênis de luz, num véu.

No tremor do metrô, a vida não espera,

Periferia resiste, a alma não se altera.

Escola é um pássaro, preso sem liberdade,

Livros empoeirados, vento da realidade.

Fome é um relógio, sem ponteiros a girar,

Propagandas mastigam, a mente devorar.

Olhe a lua brilhar, outdoor no céu,

Vende ilusões, tênis de luz, num véu.

No tremor do metrô, a vida não espera,

Periferia resiste, a alma não se altera.

Saúde naufragando, remédio sem nome,

Barquinhos de papel, chuva que consome.

Crianças em silêncio, pão virou pedra,

Cultura em becos, esperança que quebra.

Olhe a lua brilhar, outdoor no céu,

Vende ilusões, tênis de luz, num véu.

No tremor do metrô, a vida não espera,

Periferia resiste, a alma não se altera.

Supermercado ilusões, preço da entrada,

Sombra na calçada, vida mal contada.

Mas brotam raízes, florescem em cor,

A revolução chega, grafite de amor.

Olhe a lua brilhar, outdoor no céu,

Vende ilusões, tênis de luz, num véu.

No tremor do metrô, a vida não espera,

Periferia resiste, a alma não se altera.

Periferia, verso sem rima,

Um grito no samba, a luta é a sina.

Sonhos que resistem, asas de papelão,

A revolução vem, com força e paixão.