FAVELA
“Mangueira, teu cenário é uma beleza, que a natureza criou...”
Nos velhos sambas só a beleza aparece.
De mostrar a vida real até me esquivo,
Por não encontrar ali algum lenitivo,
Apenas a solidariedade enobrece.
Quem é da favela toda noite agradece
Pela dádiva que é ainda estar vivo,
Porque ali se mata por qualquer motivo,
Naquelas ladeiras por onde sobe e desce.
Favela, exemplo perfeito de distopia,
Tua pobreza se esconde em alegoria,
Quando se vai o dia e a cortina desce.
Porém, quando chega o Sol com sua luz,
Todo mundo corre, apanha a sua cruz
E sai para o inferno de mais um dia.
Favela, mesmo assim ainda te amo.
Estes versos, onde canto e reclamo
São o choro contido de um povo infeliz.