Concluo
Mariano P. Sousa
Porquê que você faz isso tudo
e eu não sei de nada
nem posso penssar.
Será que fui condenado a viver,
alheio à tantos distúrbios
flutuando no ar.
No decurso dessa vida tão lenta
que trafega e tenta,
algo de útil ensinar.
Uma multidão de enfermidade,
prendendo nas grades,
tentam nos dominar.
O outro ao lado, armando
traições e trapaças,
não dá pra contar.
São numerosos e visíveis,
como grão de areia,
à beira-mar.
É tempo que não passa,
estação permanente,
é arapuca armada,
no verão no inverno
prendendo toda a gente.
O que se esperar!?
Com tanta incompetência.
É primavera ou outono
de frutas amargas,
tirando sua creênça.
É um jardim,
onde só tem espinhos,
os pequenos sucumbem
sem uma razão,
enquanto eles ensaiam a peça,
poem a carapuça,
confiável ação.
Não importa
a planta que vai nascer,
pois ela cresçerá
no mesmo gerrancho.
O estilingue
já está armado
e será sempre usado,
o mesmo gancho.
Vivemos de sonhos,
não podemos acordar
pra não virar pesadêlo,
esses sonhos tão lindos
temos que alimentar.
Se acordar vamos ver,
somos o resto de tudo.
correndo não sei pra onde,
a verdade esconde-se,
na boca de um mudo.