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Ana - CAPÍTULO1

Acordar sem saber onde está já é um tanto complicado, mas esquecer seu próprio nome e sua própria personalidade é desesperador. Estou deitada nessa cama já faz alguns minutos, ainda tentando entender oque esta acontecendo. Olho em volta e então reparo em um espelho alto perto de um guarda roupa, sigo até ele em passos lentos.

É estranho se ver e não conseguir reconhecer seu próprio rosto, o que está parada a minha frente é uma mulher que aparenta ter 20 anos. Tem uma mecha ruiva caída em um rosto completamente confuso, e ela me encara com seus olhos castanhos e profundos posso ver a partir deles um milhão de perguntas que ainda não posso responder.

Fico ali parada por mais uns minutos antes de me mover e explorar o local, preciso achar alguma coisa que me diga onde estou. Revirei o quarto e não achei nada além de revistas e roupas espalhadas, saio do quarto e sigo o corredor que dá em uma sala bagunçada. Tem um sofá de um amarelo queimado e uma televisão de um tamanho exagerado, vou até a mesinha de centro onde tem algumas cartas endereçadas a Ana Gonçalves.

-Será esse meu nome?- me pergunto, mas não recebo resposta.

Tem um porta retrato e uma agenda, olho a foto primeiro e lá está a mulher do espelho, mas seus cabelos são de um castanho escuro quase preto, ao seu lado tem um rapaz muito bonito.

Na agenda encontro alguns contatos e algumas anotações sem sentido, caminho até a parede atrás do sofá onde tem uma estante cheia de livros. Mas não são os livros que me chamam atenção e sim uma bolsa preta, talvez eu encontre algo útil, me sento ali mesmo no chão e espalho tudo que tem na bolsa. Tem uma carteira com cartão, dinheiro e documentos, meus documentos, agora sei que sou mesmo Ana está aqui meu rosto e meu nome.

-Ana esse é meu nome.- digo, contente por já saber meu nome.

Pego o celular que estava na bolsa, na minha bolsa, tem algumas mensagens e ligações perdidas. Antes que possa abrir alguma mensagem o celular vibra, uma ligação de "Luísa".

-Alô?- atendo com um pouco de medo que deixo transparecer pela minha voz tremida.

-Você está atrasada- disse uma voz tão fina que me deixou um tanto irritada-vai me deixar esperando por mais quanto tempo.

Eu preciso responder alguma coisa, mas não consigo afastar esse sentimento ruim que estou sentindo agora.

-Atrasada? Pra quê?-do que mais eu esqueci? Será que eu tenho um emprego?

-Não me diga que esqueceu.- ela aumentou a voz-Nós combinamos de tomar café juntas, precisamos muito conversar.

-Já estou saindo.- digo, mas ainda não sei onde -onde é mesmo?

-No Café da Sara, onde mais seria?- Luísa disse como se fosse óbvio.-Não demore.

-Esta be…-desligou antes que eu pudesse terminar.

Volto pro quarto e me visto o mais depressa possível, corro até a sala e guardo as coisas novamente na bolsa e procuro o endereço do café. Caminho até a porta e tento abri-la, mas ela está trancada e não sei onde está a chave.

-É claro que estaria trancada.- falo já decepcionada-Onde será que está essa chave?

Vou pra cozinha procurar, já que na sala não está. Não preciso procurar muito, pego a chave que estava num cestinho sob a mesa. Tranco a porta quando saio, e sigo pelo caminho que o celular indica. É um café pequeno, logo que passo pela porta de vidro alguém me chama.

-Ana- a voz pessoalmente é mais irritante-pensei que não viria mais.

-Desculpe- sigo até ela-tive um probleminha.

-Tudo bem- Luísa disse, mas não parecia sincera-estive pensando se ainda iria querer me ver.

-Por que não iria?-disse tentando entender.

Uma das atendentes se aproxima pra fazer nosso pedido, eu não soube o que dizer e Luísa pediu por nós.

-Dois café descafeinados.- disse sem nem olhar na direção da moça, quanta educação.-Boa maneira de tentar esquecer Ana fingindo perda de memória, nunca tentei isso.

-Não estou fingindo- digo já irritada, quem ela pensa que é.

-Deixa pra lá.- ela disse revirando os olhos-Elisa está preocupada, você não vai trabalhar faz dois dias.

Então eu tenho um emprego, mas de que e onde? Ainda não sei.

-Falo com ela depois.- desisto de falar da minha perda de memória, acho que ela não vai me ajudar-Volto ao trabalho amanhã.

A atendente aparece com o nosso pedido, não gostei muito desse cheiro. Levo o a xícara até minha boca e assim que tomei o primeiro gole eu quis cuspir fora.

-Isso é horrível- digo para atendente-Pode me trazer alguma coisa doce?

Ela me olha um pouco confusa, mas balança a cabeça em afirmativo.

-Que tal um Cappuccino de chocolate?- pergunta pra mim

-Perfeito-digo ansiosa pra tirar o sabor amargo da boca-Obrigada.

Quando me viro de volta pra Luísa ela está com uma cara de espanto.

-O que foi?-pergunto sem entender o por que dessa reação.

-Você vai confundir a atendente.-disse percebendo a confusão no meu rosto, ela continua-Mudando de pedido assim Ana.

Não demora muito a atendente volta com meu novo pedido, que tem uma aparência bem mais gostosa que o café. Levou a caneca até minha boca, sem pensar duas vezes, e bebo uma grande quantidade.

-Muito melhor,- falo pra atendente-muito obrigada.

-Não precisa agradecer- diz e se volta ao seu trabalho.

-Você está estranha- diz Luísa-Tem certeza que está bem?

-Tenho sim- falo já voltando minha atenção para caneca.

-Depois do que aconteceu-ela começa testando o território- você sumiu. Marcos ficou preocupado, sabe que não queriamos magoar você.

E eu continuo sem entender, mas não consigo perguntar. Termino meu cappuccino e já vou me levantando, ela parece enfurecida.

-Eu tenho que ir- digo o mais depressa que posso- outra hora conversamos Luísa.

-Sério Ana? O que deu em você?- pergunta cada vez mais brava.

-Preciso resolver algumas coisas- digo e vou até o balcão sem olhar pra trás.

A atendente estava fazendo algumas anotações, esperei ela terminar e então se virar pra mim.

-Oi, desculpa- ela diz com um sorriso no rosto-deseja mais alguma coisa?

-Não, só vou pagar o meu pedido.- falo já tirando uma nota de 50 reais da carteira e coloco em sua mão.

Ela registra a venda e me devolve o troco, eu agradeço e saio do café.
Nati Menezes
Enviado por Nati Menezes em 07/08/2019
Código do texto: T6714560
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Nati Menezes
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 20 anos
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