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Siririca na bacia

Quando, depois das primeiras chuvas do ano, as térmitas enxameavam o povoado para o seu vôo nupcial, tudo parecia festa, onde quer que fresta houvesse: as casas eram infestadas e empestadas daquela multidão de insetos voejantes pouco experientes que adoravam tudo que lhes iluminasse o caminho.

E, assim, em volta daquela lâmpada grande, bojuda e bruxuleante, na nossa sala de estar - e em volta de tia Vicentina, com suas observações judiciosas a nos explicitar- ficávamos pondo sentido naquele interminável voejar, não sem antes de bem debaixo da lâmpada uma baciinha d`água lá botar.

E esperar, o resultado da atração fatal das siriricas que, quando, cegas de amor, no calor da luz tocavam, sem para-queda pro encontro fatal, mergulhavam.
Paulo Miranda
Enviado por Paulo Miranda em 31/01/2015
Código do texto: T5120768
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Sobre o autor
Paulo Miranda
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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Paulo Miranda