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O guarda-comidas

E nos acercamos do guarda-comida - que nunca tratamos na forma plural - e que havia acabado de ser entregue. Em tempos pre-geladeira, era aquele móvel que faltava para completar o mobiliário da cozinha ou da copa. Feito de madeira levinha, tamanho médio ele tinha, e a cor, com que veio, ou que pintamos, era verde-clarinha.

Uma gaveta em baixo e uma porta de telinha fina em sua metade superior, que permitia, a meninos e mosquitos, verem seu interior, composto de duas ou três prateleiras, que chamavamos de partileras, e que mesmo na ausência de guloseimas, exalavam o aroma das boas
madeiras - e concitavam às boas maneiras.

Na parte inferior da porta, mamãe fez desabrochar seus dotes artísticos pintando umas garças brancas. Um pincelzinho, as tintas na xicrinha e sobrou até pruma garcinha, pequetita, e também branquinha.

Pra compor tudo comportadinho, uma chavinha. Que durou pouco, pois quando se perdeu, ninguém pela sua falta deu, não foi, Tadeu?

A comida que ali se guardou, por perecível, seu lugar nunca esquentou, pois logo em algum ou muitos papos passou. As quitandas, os bolos, as frutas, a cestinha de pão, tudo ali, só de me lembrar, medido e contado, me deixa de saudades, saciado.
Paulo Miranda
Enviado por Paulo Miranda em 30/10/2014
Código do texto: T5016894
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Paulo Miranda
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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Paulo Miranda