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ANÁLISE DA MÚSICA DOS TitÃs - Epitáfio http://www.youtube.com/watch?v=L3eiOMQVUqs

Análise literária e social ou psicológica de J B Pereira entre parênteses:
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EPITÁFIO em http://www.youtube.com/watch?v=L3eiOMQVUqs

É a mensagem registrada sobre o túmulo ou jazigo em cemitérios.
O gênero da canção evoca uma letra cujo sentido e filosofia de vida está em mira as questões escatológicas - cabe ao homem dar sentido ao seu fim e saber viver. leia o Eclesiástico... Tudo é vaidadeI

"Carpe diem": é a condição de quem sabe que vai falecer e morrer algum dia e que deve aproveitar o instante presente...
É a interposição do desejo de vida sobre o locus da morte: um diálogo dialético entre a vida e a morte.

O eu lírico revela seu pesar ou edílio fúnebre mesmo depois de morrer.
Como a obra de Machado de Assis, Cubas narra suas memórias pós-mortem.
O narrador lamenta ter vivido tão pouco, porque estava bitolado e alienado pelo sistema ou modus vivendi que o empobreceu ou vulgarizou seu viver.
É uma reflexão em tons tristes de que vidas se perdem quando não se permitem viver intensamente a vida e o presente.

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Titãs - Epitáfio

Devia Ter Amado Mais, Ter Chorado Mais (hipérbole)
Ter Visto O Sol Nascer (metáfora da vida)
Devia Ter Arriscado Mais E Até Errado Mais
Ter Feito O Que Eu Queria Fazer
Queria Ter Aceitado As Pessoas Como Elas São
Cada Um Sabe A Alegria E A Dor Que Traz No Coração (antítese)

O Acaso Vai Me Proteger (metáfora do caos e o fim da vida, do dia - imagem da escatologia)
Enquanto Eu Andar Distraído
O Acaso Vai Me Proteger
Enquanto Eu Andar

Devia Ter Complicado Menos, Trabalhado Menos (eufemismos)
Ter Visto O Sol Se Pôr (antítese em relação ao texto acima)
Devia Ter Me Importado Menos Com Problemas Pequenos
Ter Morrido De Amor (hipérbole)
Queria Ter Aceitado A Vida Como Ela É
A Cada Um Cabe Alegrias E A Tristeza Que Vier (antítese)

O Acaso Vai Me Proteger
Enquanto Eu Andar Distraído (eufemismo: de desligado)
O Acaso Vai Me Proteger
Enquanto Eu Andar

fonte: http://titas-epit-fio-lyrics-mp3.kohit.net/_/179574
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Outra interpretação - abaixo - de outro autor em http://www.youtube.com/watch?v=L3eiOMQVUqs

Essa é daquele tipo de música catártica logo na primeira audição, ou seja, daquela que toca a nossa sensibilidade e nos remete a reflexão. Impossível de se permanecer neutro ao analisar uma letra tão profunda. A começar pelo título: Epitáfio. O que é um epitáfio? Para quem não sabe, trata-se daquela mensagem deixada sobre o túmulo, que certo falecido quis deixar de legado aos vivos. Mas, no caso dessa obra de arte da música brasileira, composta pelo grupo de rock: Titãs, o que podemos entender de imediato é que a mesma; é um alerta de um vivo para os vivos.
Você prestou atenção que a cada dia nós dedicamos oito horas para o trabalho rotineiro, trabalhamos demais para pagar contas supérfluas, cuidamos demais de problemas de  pessoas que não gostam de nós. Dormimos aproximadamente oito horas e nas outras horas restantes do dia, o que acostumamos fazer? São poucos os que não se interessam pela programação vazia da televisão brasileira, programação essa que faz absurda apologia a violência e ao consumismo para banalizá-los a ponto de fazer com que as pessoas sejam cada vez mais insensíveis ao sofrimento alheio, egocêntricas, individualistas, vazias e indiferentes a emoção que as coisas simples da vida nos causam.
Será que dedicamos tanto tempo assim de cada dia para o amor? Será que temos tempo para admirar a beleza do nascer e pôr-do-sol? Quem de nós não se ilude com as vãs promessas da Indústria Cultural e tem coragem de se libertar do cotidiano opressor e alienante da nossa contemporaneidade?
Quem vive a vida que queria viver, tem autenticidade e amor próprio para ter atitude para assumir suas próprias escolhas e tem discernimento para saber identificar a sua singularidade em meio ao nivelamento das culturas de massas?
É pitoresco que admiramos pessoas que dedicam suas vidas em detrimento do bem-estar alheio, raramente nos sentimos mal quando ajudamos alguém, em suma temos profunda simpatia por aquilo que entendemos como o Bem. Enchemos nossa boca ao falar que o Brasil é o país de rica miscigenação, é o país da diversidade, da hospitalidade, falamos que Deus é brasileiro. Mas será que nós temos maturidade social suficiente para coexistirmos com os outros sem preconceito, sem malícia, sem segregação, será que nós somos capazes de ver o próximo progredir na vida sem sentir inveja? Será que a felicidade do próximo não nos incomoda de verdade? Será que aceitamos as pessoas como elas realmente são?

Não é difícil encontrar pessoas com problemas imensos de saúde, pessoas desesperadas por motivos inquestionáveis, gente sem esperança, humanos em condições deploráveis de existência que faz a gente chorar de comoção. Você percebeu como reclamamos demais por problemas tão pequenos, como valorizamos coisas tão insignificantes, nos fazemos de vítimas. Ai, quando testemunhamos pessoas com problemas realmente grandes, sentimos vergonha, nos culpamos e ficamos, até, com raiva da nossa covardia?
Por que complicar tanto se a felicidade humana é oriunda das coisas simples da vida? Parece que fomos educados para esperar demais por algo que, talvez, possa não acontecer nunca. Nossa subjetividade foi domesticada para fingirmos ser o que não somos, brincamos demais com essa mania de perfeição, sempre sonhamos demais com aquilo que não vai agregar nada de edificante às nossas vidas e deixamos para depois aquilo que realmente é essencial.
O que realmente vale a pena na vida, o que é imprescindível de verdade nas nossas vidas? Damos importância ao que é essencial? O que é essencial?
Onde está Deus, o amor, a família, a amizade, a beleza da natureza, o tempo para a dedicação àquilo que realmente gostamos e nos sentimos gente de verdade ao fazê-lo em nossas vidas?

É esse questionamento que o compositor da referida canção espera despertar em nós. A letra da música é um alerta. Muitas pessoas chegam nessa conclusão tão somente quando é tarde demais, quando o sol não pode mais brilhar para elas, aí, realmente se deparam com aquilo que deveria ser a Vida, com o que realmente era importante para uma vida verdadeira e feliz.
Para nós, ainda há tempo, estamos vivos, respiramos, se tivermos sorte amanhã o sol brilhará outra vez. Não é essa esperança que nos faz levantar da cama e seguir adiante? Que o nosso epitáfio seja a realização de tudo isso que o Eu - lírico da letra canção infelizmente não realizou. A vida é bela, um verdadeiro milagre do Ser Supremo e ela é uma oportunidade única de fazermos tudo aquilo que gostamos e compartilharmos nosso melhor com os nossos semelhantes.
Aproveite-a.
Postado por Michel Gustavo às 13:22

FONTE: http://filosofiaeliteraturacomvinhotinto.blogspot.com.br/2012/07/analise-da-letra-da-musica-epitafio.html
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http://www.youtube.com/watch?v=L3eiOMQVUqs
Enviado por J B Pereira em 22/02/2013
Reeditado em 22/02/2013
Código do texto: T4154703
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
J B Pereira
Piracicaba - São Paulo - Brasil
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J B Pereira