Sucatinha

Sucatinha, um menino órfão que vivia nas ruas de Ceilândia na cidade de Brasília. Que é adotado por uma senhora que o cria como se fosse o seu próprio filho. E juntos conseguem achar consolo um no outro diante uma vida dura de dor e privação.

Bem amanhecera o dia,

E lá vai ele pelas ruas da periferia.

Olha uma lixeira aqui, outra ali,

Um contêiner cá, outro acolá,

Procura em todo lugar.

É o Sucatinha,

O menino catador de latinha.

Órfão de pai e mãe,

Mora só ele e sua avozinha,

Lá na rua das flores.

Em pequeno barraquinho,

Que ela mesmo construíra,

Com restos de construção.

As telhas é de chapasfalto,

Dessas de alcatrão.

O piso é de chão batido,

Com divisórias de papelão.

A mesa é um grande carretel,

Desses de fiação.

E um sofá com pés de latas,

Para dar sustentação.

Uma lata bem grandona,

Era o fogareiro.

Já outra menorzinha,

O açucareiro.

Outra arredondada,

O chuveiro,

E uma pititinha assim,

O saleiro.

E para iluminação,

Um candeeiro.

Dona Zefa,

Avó de Sucatinha,

Não é sua avó verdadeira não,

É só de coração.

Ela encontrou o pobre menino,

Em uma obra abandonada,

Próximo ao lixão.

E passou a cuidar dele,

Encontrando alívio um no outro,

Diante uma vida dura,

De dor e privação.

Ela matriculou o menino,

Na Escola Classe do bairro,

No turno vespertino.

E de manhãzinha ele ajudava

A catar sucata.

Logo de manhãzinha,

O café já está à mesa,

Torradas com manteiga,

Com chá de manjericão.

Sucatinha fecha os olhos,

E faz uma oração:

“Obrigado, Senhor,

Por este café da manhã,

Que a vovó fez

Com tanto amor.

Agradeço também,

Por mais este dia,

Amém.”

Terminado o café,

Pega o saco de estopa,

Põe nas costas.

E segue para o lixão,

Que fica a três quadras,

Do ferro-ferro do seu Damião.

Pneu, tampa de vaso,

Cabide, boneca sem braço,

Roda de velocípede e cesto,

Chinela sem cabresto,

Bico de mamadeira,

Carrinho sem rodeira,

Guarda-chuva, cuecão,

De tudo quanto há!

Se acha ali no lixão.

Aparecia outros catadores

Que disputavam o lixão,

Por causa de algum achado,

Era aquela confusão.

Um tal de eu vi primeiro,

Foi eu! Não foi não!

Mas Sucatinha ia embora,

Pois não gostava de discussão.

Trecho extraído do livro Sucatinha

publicado na íntegra na Amazon.com.br e Uiclap.com.br

por João Terranova

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