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Parodia sobre o uso do celular...

A paródia tem como modificar o sentido original do filme visto no youtube ou criticá-lo, atingindo um efeito cômico. Isso é o que veremos, no texto abaixo, explicitado.
Atualmente, o Youtube disponibilizou uma historia trivial de uma adolescente com o nokia antigo, ganho pela mãe.
Jessica representa milhões de consumidores que querem o celular Nokia como presente. O aspecto desconcertante é o fato de que o Nokia ser antigo e obsoleto, dado como presente por uma mãe a filha.
Nesse sentido, o que está em jogo é a eficácia da propaganda e o seu público-alvo – a cultura teen.
O aspecto humorístico está na condição de que a menina deve continuar a ter notas melhores e dedicar-se aos deveres de escola e de casa, ajudando a mãe.
Até aí nada de anormal, porque a mãe negocia coma filha, cuja expectativa é ter um bom presente para gabar-se na escola – um celular moderno e funcional.
Mas, a caixa vermelha como sinal de perigo, esconde a decepção da filha quando vê que seus desejos de consumidora não são atendidos.
O vídeo consegue distinguir a pressão da mídia sobre as pessoas como adolescentes, principalmente. Também, evidencia que o consumo se não contemplado com o objeto de desejo pode frustrar as pessoas.
Há de se pensar o porquê do celular para crianças diante da sociedade violente: antes, o celular veio para garantir a segurança e comunicação com os pais. Mas, com o tempo, o celular representa um valor de estima e status de importância e destaque entre os adolescentes. Hoje é visto como um recurso inevitável, trazendo problemas de distração no trânsito e na escola. Até em igrejas, há adolescentes usando-o.

VEJA O VÍDEO EM http://www.youtube.com/watch?v=seQx9THGKDA
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Elaborei um texto crítico a seguir sobre esse vídeo:

Sem infância como antigamente! É uma constatação ou lamento? Não se pode mais querer que a infância seja como antes! No vídeo de uma garotinha de certa condição social, nem rica e nem pobre. Mas o celular é a condição como rito de passagem ou merecimento pelas notas e dedicação em casa e na escola?
Houve uma inversão nos ritos de passagem, agora tumultuados com as novas tecnologias, em especial o celular.
O vídeo considera não sem um propósito, o Nokia como um celular primitivo, antigo e obsoleto.
E a menina desdenha ou manifesta a decepção com o presente da mãe: um Nókia! Por trás esta a as entrelinhas da propaganda. Oi ou Nokia; Nokia ou Oi?
E por trás dos comentários, cada um se posiciona vendo diferentes aspectos ou projetando sobre Jéssica sua visão de mundo...
Muitos têm saudade de sua! Mas e a nova geração e a nova infância? Vendo o vídeo de uma garota que pede a mãe um celular, duas histórias se fundem: a infância e a história das mídias. Hoje uma não existe sem a outra. Tem lá suas vantagens e desvantagens. A comunicação maior, mas um individualismo maior também. Afeto e desejo arrebatam os primeiros anos da infância, gerando uma cultura teen poderosa, que exigem esforços grandes de seus pais.
A história da infância é uma invenção da modernidade. Os quadros de Pieter Bruegel, o Velho, pintavam as crianças como “pequenos adultos”, e as crianças não tinham toda a envergadura e demandas hoje celebradas pela cultura.
Há dias, vi uma jovem chamando um garotinho de 5 anos de principezinho. Ora a monarquia acabaçou: continuamos a falar da Rainha dos baixinhos, o Rei Pelé, etc.
Os alunos se organizam com força ou para ajudar ou derrubar o professor... Há uma “ditadura dos adolescentes”, inevitavelmente. Talvez, o mito de Pinóquio seja o referencial de transição entre o brinquedo e o desejo de uma criança, o mundo infantil e sua manifestação forte.
Nem sempre os nossos pequenos tiveram tanto poder quanto hoje: “Na Idade Média, os pequenos já aprendiam algum ofício, mesmo que doméstico. As crianças eram encaminhadas ao trabalho muito cedo", explica Mary Del Priori, autora de "A História da Criança no Brasil."
Logo na vinheta de abertura do vídeo, há uma propaganda que faz a defesa estratégica da necessidade de pessoas terem seu celular. E que a lógica da empresa inverte essa intenção para afirmar que projetam pessoas nos produtos que fabricam. A lógica capitalista, na verdade, nos tapeia: o lucro está acima das pessoas. No entanto, ao adquirir um celular, as pessoas adquirem o status de visibilidade social ou ascensão entre seus pares. E o caso de uma garotinha intrigada com a mãe e faz de tudo para convencer e realizar seu desejo. E se sente frustrada com o antigo Nokia. Por trás, novamente, a propaganda se vale de uma inteligência sutil: pela história dessa garota, o desejo de uma menina passa a de muitos. Ser boa filha, ajudar em casa, tirar boas notas tem um propósito apenas? Ter um celular? A OI pretende desconstruir a imagem do Nokia para colocar o seu produto! Este é um motivo que instrumentaliza a história de uma simples garotinha na sociedade global, capitalista, em que as relações se dão pelo ter e não pelo ser em si. A ética das relações é substituída pela lógica instrumental capitalista.
Por motivos de censura ou ética diante do nome das pessoas, não citaremos seus nomes. Mas projetaremos na figura de Jéssica, o protótipo ou emblema de uma adolescente não olimpiana ou anônima que deseja receber seu primeiro celular. Uma garotinha que pretende convencer a mãe de que pode e deve ter um celular. Sabe-se que há algum tempo da história do celular, ele representava o desejo de pais e filhos se comunicarem. A Jessica tem um desejo sutil e explicito. Sutil porque quer provar para sua turma que é alguém visível e merece atenção pela sua importância. Não por ter um celular!

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Entre a mãe e filha: o primeiro celular...
Ana Julia
Entre o vídeo e a realidade?
 “– Mãe, se sou uma mocinha, mereço um celular!”
Esse diálogo não se dá fora de uma época e contexto. Com o tempo, o celular vai se impondo e os pais e professores têm que ceder ao seu uso indiscriminado, caprichoso, choroso, monopolizador...? Os adultos titubeiam e falam: Claro que não!
Parece que a vida dos adolescentes deve ter a cada passo uma recompensa ou um presente, custe o que custar aos pais. Esses traços podem ser vistos comicamente ou não no vídeo.
“-Nós não vemos mais pessoa, lançamos produtos que lançam pessoas.”
Essa afirmação vem antes de apresentar ou uma ocasional vinheta de abertura do vídeo. O que provoca uma introdução interessante. Mas, será isso verdade? Isso daria uma conversa longa de cultura, história, filosofia e sociologia contra o celular ou seu uso jurídico sob controle.
E Jéssica (criando um pseudônimo para nossa garotinha do celular) afirma:
“- Lá na escola, todo mundo tem um celular...”
E a mãe contra-argumenta:
“- Filha, vem arrumar a casa, você é uma mocinha! Só ganha o celular se tirar boas notas...”
Esses dias, eu estive lendo a Jornal de Piracicaba, um artigo “Prender”, da psicóloga Rosely Sayão. O artigo, além de refletir as dificuldades dos adolescentes em estudar, concentrar, sentar para fazer atividades e/ou tarefas em casa, aponta as armadilhas da cumplicidade de pais que lhes reforçam maus hábitos ou nem lhes orienta nos estudos básicos e planejamentos como uma festa de aniversário de colegas. Nem ou raramente há o exemplo de bons pais, seja com o interesse de ler e seja o de estudar com eles em casa. Deixam à escola tudo! E casa passa ser um hotel e a escola, um clube de socialização. E os professores são cobrados por comportamentos que deveriam vir de seus pais. O sistema inverteu tudo! Que pena!
E a questão é tão séria, mas pode ser levada com uma pimenta de humor, não é?
Não estamos no fim do mundo, nem temos uma mentalidade do Juízo Final de Dante, nem o apocalipse dos filmes como 2012, o Dia seguinte...
Recorremos cuidadosamente força para fazer nossa caricatura e paródia. A primeira exagera, enquanto a segunda comiciza os fatos e pessoas.
Se não imaginamos antes dos celulares, ninguém o pedindo, porque não o tinha – é claro; agora, o pedem por necessidade, status, sinal de poder e influência de classe, badalação...
Agora, de olho nos bastidores, ou melhor, nos comentários ao vídeo. Alguém é capaz de colocar cada coisa: “- Olha pelo lado bom, o jogo da cobrinha, o meu primeiro só tinha asteróide – era o antigo Motorola tijolão, mas o segundo é sempre o melhor...”
Esse comentário do internauta reflete um consolo, resignação e uma ambição de ter algo melhor que virá no celular futuro...
“- Olha o lado bom: alguém tenta te matar, vc joga esse cel nele e ele morre.”
Nessa sentença em linguagem internês, destaca-se um humor negro ou quase negro, para não incorrermos em racismo. Se não, seremos linchados ou julgados em tribunal.
Já outro internauta pondera “- Pelo menos vc tem alguma coisa; tem pessoa que querem um celular e os pais não tem dinheiro, e nem para comprar comida.”
Embora com essa exortação humanitária seja interessante, o teen fissurado não quer nem saber disso, só uma coisa ele deseja: o celular, o celular, o celular... porque cresci, porque mereço, porque sou adlescente... sim, senhor; não é, mãe, tio, professor.
É terrível pensar que uma garotinha já representa o desejo da cultura Teen que se impõe sobre o trabalho e os adultos. Há uma recente coragem em dizer seu lugar social e a escola que deseja ter. O celular é o suporte tecnológico contemporâneo global e neoliberal.
Não que sejamos contra as novas tecnologias e que elas sejam ruins em si. O bom ou ruim é o modo como delas nos valemos ou não, o modo como nos autoestimamos ou condicionamos nossas relações sociais. É preciso encontra o equilíbrio entre pessoas e mídias.
FONTES:

1. JORNAL DE PIRACICABA, artigo “Prender”, da psicóloga Rosely Sayão, autora de Como Educar seu filho? (Publifolha). 2013.
2. Parodiando “Meu primeiro celular por Jordania Galdino...” Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=seQx9THGKDA>. Acesso em: 12/11/2013.

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MEU PRIMEIRO CELULAR
Jéssica era uma menina muito educada, com seus nove anos. Certo dia, ela resolveu pedir para sua mãe um celular; só que sua mãe dizia que ela era muito pequena para ter um. A menina brava disse:
- AH! Mais pra limpar a casa, eu sou grandinha demais.
Por sua vez, sua mãe falou:
- Você só vai ganhar isso se tirar notas altas, fazer o que eu pedir e não for malcriada comigo.
A menina toda feliz espalhou para a classe inteira que ia ganhar um celular bem legal. E que agora, ela iria participar das conversas sobre aplicativos.
No final do ano, a garota chega aos pais mostrando um boletim cheio com notas azuis. Ainda falou que ela merecia ganhar aquele presente que tanto queria.
A mãe, concordando com tudo o que a filha dizia, chegou, no dia seguinte, com uma caixinha vermelha. Entregando à filha o presente tão esperado. Quando Jéssica abriu a caixa e viu aquilo, aquele sorriso que tinha no seu rosto desapareceu e disse:
- Eu me esforcei tanto para ganhar isso aqui! E ela mostrou para os seus pais uma NOKIA, o modelo mais velho que havia.
 Sua mãe retrucou:
- É isso ou nada!
Hoje a menina usa aquilo para fazer ligações à sua mãe e dizer: - EU TE AMO!
Por muito tempo Jéssica ficara frustrada e decepcionada com a mãe, sempre que olhava o celular.
Celulares assim são desprezados, já que têm uma única função: fazer ligações apenas.

ANA JULIA
J B Pereira e João Bosco e ANA JULIA
Enviado por J B Pereira em 12/11/2013
Reeditado em 27/11/2013
Código do texto: T4567039
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Sobre o autor
J B Pereira
Piracicaba - São Paulo - Brasil
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J B Pereira