RAINHA LUCRÔNIA







Uma declaração (nada)

infantil de amor ao cinema





Esta é a história de Lucrônia, rainha do Reino das Sete Artes. Durante sua infância foi uma princesa solitária. Não teve irmãos ou outras crianças por perto com quem pudesse brincar nos jardins do palácio.


Cresceu tímida e calada até que seus pais morreram e ela tornou-se rainha. Lucrônia, então, passou a ser uma pessoa fria e autoritária. Recusava todos os pretendentes por ver defeitos em qualquer um que ousasse se aproximar dela.


Assim, o Reino das Sete Artes passou por momentos terríveis, pois não havia um modo de encontrar aquele que se tornaria o rei.


O primeiro pretendente que apareceu chamava-se Marquês Poético. Muito amável, presenteou a rainha com inúmeros livros maravilhosamente encadernados. E também declamou para Lucrônia os versos mais românticos que conhecia, mas tudo que conseguiu da rainha foi um suspiro de quem não está muito interessada no assunto.


O segundo, vindo de muito longe, foi o Duque das Telas. Apresentou-se a Lucrônia com os quadros mais belos que as pessoas do Reino das Sete Artes já haviam visto. Enquanto permaneceu por lá, este grande artista pintou oito telas da rainha, retratando-a de um modo singular. Lucrônia mal passou os olhos nos quadros e ordenou ao duque que fosse procurar outra rainha que lhe servisse como modelo.


O terceiro, Visconde Rodino, era um pouco diferente e ao invés de pintar quadros, fazia esculturas. Ficou tão encantado com a beleza de Lucrônia que imediatamente começou a esculpir seu rosto em uma pedra de mármore branco. Lucrônia esperou que o visconde terminasse a obra e mandou-o embora assim que a escultura ficou pronta.


O quarto pretendente, Conde Sinfônico, era um grande músico e durante os três dias que permaneceu no reino tocou as melodias mais sublimes que já se ouviu por lá. Lucrônia não demonstrou o menor sinal de simpatia e o conde, muito magoado com a indiferença da rainha, foi tocar em outras terras.


O quinto pretendente, Marquês Quebra-Nozes, era um verdadeiro bailarino e possuía o mais profundo amor pela dança. Nos bailes que aconteceram em sua homenagem, dançou para a rainha com toda dedicação. Mas, durante a valsa real, Lucrônia pisou várias vezes no pé do pobre marquês e ainda ressaltou que odiava dançar valsas. Não é preciso muito esforço para imaginar o triste fim deste homem que voltou para casa com alguns curativos.


O sexto pretendente, Comendador Dramático, era ator de teatro e alvoroçou a Corte ao encenar peças muito divertidas e comoventes. Seu talento era tão impressionante que podia fazer a platéia rir e chorar com a mesma facilidade. Mas Lucrônia não deu o menor sorriso nem derramou uma lágrima sequer, deixando nosso comendador profundamente desiludido.


Quando todos no reino já haviam perdido as esperanças de terem novamente um rei, eis que surge o Príncipe Cinematográfico com uma câmera na mão e mil e uma histórias para contar!


Ao ver Lucrônia na sacada do palácio, passou a filmá-la. De repente, a distante rainha olhou para aquela luz vermelha acesa na câmera. Como num passe de mágica o mundo havia se transformado em um grande sonho. Lucrônia, então, começou a cantar e dançar.


A rainha parecia deslumbrante e o príncipe acompanhava todos os seus movimentos, exclamando o quanto Lucrônia estava bela e perfeita. A cada elogio que recebia, um brilho diferente surgia em seus olhos.

Aos poucos, Lucrônia percebeu que a magia era fruto daquele encontro e viu no Príncipe Cinematográfico a mesma intensidade no olhar. Finalmente, a rainha solitária havia encontrado o amor!


No dia do casamento, o Reino das Sete Artes recebeu as honrarias dos reis da Literatura, Pintura, Música, Dança, Escultura, Teatro e da família real do príncipe, o Cinema.


E assim, o reino ganhou um rei e uma estrela cinematográfica!






(HAPPY) END!

Dolce Vita
Enviado por Dolce Vita em 11/08/2009
Reeditado em 24/06/2011
Código do texto: T1748358
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2009. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.