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Desabafo de uma gordinha

   Vida de gordinha não é fácil,  é um tal de remorso, que Deus me livre, come com prazer, depois se culpa, as vezes ficamos presos em "regime" fechando a boca, para as coisas realmente gostosas, porque é assim,  tudo o que mais gosto é ilegal, é imoral, ou engorda, como diz a letra da música.
     Profissão?  Tenho duas: Professora, nas horas livres sou gari, pois  aqui em casa, todo dia é dia do lixo, impressionante, gosto de tudo que não devo comer, o que devo comer não gosto, mas sou muito grata, afinal consigo fazer tudo o que me proponho, já entalei na catraca do ônibus?  Já que mas minha fofura me permite uma vida normal, só não me permite entrar num manequim 36, acredito fielmente que inspirei o autor do filme o professor aloprado,  porque a história foi criada para mim.
     Não é fácil ser eu, quando criança,  adolescente me chamavam de qualquer animal de grande porte, menos de Elizabeth, mesmo assim me reinventei, inteligente, estudiosa,  me destaquei, passei de bicho gigante, para sabichona, CDF, já melhorou o adjetivo, assim é a vida.
     Sempre me amei, honro cada celulite, estrias, tô com tudo em cima, peito em cima da barriga,  barriga em cima das pernas, mas tá valendo, o importante é ser feliz .
     Arrumar namorado, nunca foi problema, o problema era o namorado, pois eu olhava, gostava e dizia: - Vou pegar. E pegava, não era a força, sou gorda, não psicopata.
      Pensando na vida, lembro-me quando fui a uma loja comprar um presente para a amiga oculta,  olhava uma blusa no manequim,  a atendente chega e fala: - Essa blusa não tem no seu tamanho. Ah! Respondi a altura: - Eu não lhe pergentei se tinha meu número,  muito menos afirmei que era para mim. Nessa hora o gerente chegou, falei que aquela era a última vez que entrei na sua loja, saí e nunca voltei lá.
     Já perceberam a cara de um atendente de loja no passado, quando entrava uma gordinha na loja? Era tipo: hoje trabalho pelo ano todo, é hoje que desço o estoque, vou cobrar indenização,  queria ver um, roxo de raiva, quando elê desce todo estoque e nada dava em você, sai sem comprar nada, imagino que eram xingados até nossa quarta geração. Isso antes do plus size, são tantas estórias, outro dia eu volto.
Coração poético
Enviado por Coração poético em 17/04/2021
Reeditado em 07/05/2021
Código do texto: T7234418
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Sobre a autora
Coração poético
São Paulo - São Paulo - Brasil, 43 anos
17 textos (229 leituras)
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Coração poético