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As moças e os sorvetes de morango

Juquinha era um daqueles moleques muito travessos e cheios de energia, curioso e irreverente. Vivia perguntando e questionando a professorinha da escolinha rural, que passava apuros com aquele endiabrado aluno.

Um dia, tentando prender-lhe a atenção e aquietá-lo de sua constante agitação, a professorinha resolveu pregar-lhe uma peça:

- Juquinha, preste atenção. Numa árvore estavam pousadas quarenta e duas pombinhas juriti. Veio um caçador com uma espingarda de cartucho, e com um só disparo abateu quatro delas. Quantas pombinhas ficaram?

Juquinha matutou um pouco, usou os dedos para contar e respondeu, um tanto arisco com aquela repentina e aparentemente descabida pergunta, e que ao mesmo tempo parecia ter resposta tão fácil:

- Trinta e oito, fessora?

O semblante da professorinha não disfarçou a satisfação de ter logrado o levado menino:

- Não Juquinha, não. Depois do tiro, quatro pombinhas tombaram abatidas, e todas as outras voaram assustadas. Não ficou nenhuma! Mas gostei de seu raciocínio, viu Juquinha!

Juquinha encrespou o cenho, não se sabia se estava furioso de ter sido logrado ou se já planejava um revide. A professorinha, exultante de ter enganado o menino e ter conseguido que ele ficasse pensativo e em silêncio, aproveitou para continuar o que lhe pareciam ser os assuntos importantes da aula.

De repente Juquinha a interrompe:

- Fessora, posso lhe fazer uma outra pergunta?

A professorinha primeiro irritou-se com a interrupção, depois receou o que poderia disparar-lhe aquele fedelho, por fim deixou-se levar pela curiosidade e pela obrigação de educadora:

- Claro Juquinha.

- Preste bem atenção, fessora. Três moças entram numa sorveteria, e cada uma pede um sorvete, daqueles de casquinha, que vem um tolete de sorvete em cima do copo de casquinha. O sorvete é de morango, vermelho. Uma das moças lambe o sorvete, a outra morde, a outra chupa. Qual das três é casada, fessora?

A professorinha, um tanto embaraçada, não queria deixar-se constranger pelo atrevido menino. Refletiu um pouco, e respondeu tentando aparentar segurança e desinibição:

- A que chupou o sorvete, Juquinha!

Com ar de vingado Juquinha retrucou:

- Não fessora, não! A casada era a que usava aliança.

Diante da expressão desconcertada da professorinha, ainda acrescentou:

- Mas gostei do raciocínio, viu fessora, gostei do raciocínio...
Autor desconhecido
Enviado por Mário Sérgio de Melo em 11/08/2019
Reeditado em 13/08/2019
Código do texto: T6717639
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Mário Sérgio de Melo
Ponta Grossa - Paraná - Brasil, 67 anos
475 textos (3283 leituras)
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Mário Sérgio de Melo