Tiradas de seu Cãndim

As lembranças de suas peripécias causam saudade a  todos que com ele convieram. Assim, ao retornar de Recife, onde procurou por recursos médicos, estava sentado na calçada do “Armazém Flor-de-Lis”, mantido na avenida Getúlio Vargas, em Picos, de sociedade com o sobrinho e Assis Lima. De repente, passa o amigo João Victor e pergunta:
- Candinho, você ficou bom?

- Nunca fui ruim!

Sem graça, João Vcitor o indaga novamente:
- Essa sandália ainda é aquela?

- Não, é esta mesma!



...

Um freguês interessado em comprar fiado o abordou:
- Seu Cãndim eu tô quereno comprá uns pano pápagá na safra quivem!

- Não estou mais vendendo fiado!

- Mais o Sinhô me cuim-esse.

- Conheço, é por isso mesmo que não vendo!

Outro chega com a mesma intenção e o cumprimenta:

-Como está, seu Cãndim?

- Você não está vendo que estou sentado?

- Sim, mais tô perguntano como tá o comércio!

- Ah, esse vai mal, quero receber o fiado e não recebo!

- Seu Cãndim, se o Senhor me der um revólver trinta e oito e dez por cento de comissão, eu recebo tudo pro Sinhô!
- Negócio fechado, mas primeiro você vira pra você mesmo, aponta o revólver e diz: Ou você paga pra seu Candinho ou te mato!

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SOUSA, Neomísia Antônia. Genealogia e Memórias de uma Família. Adalberto Antônio de Lima. (org.)