RAPA DE TACHO

Entre os livros publicados por Apparicio Silva Rillo, quatro são intitulados RAPA DE TACHO, e relatam causos gauchescos. Eis dois deles.

“Dona Generosa era uma quitandeira de Bagé. Vendia pelas rua suas quitandas – pastéis, especialmente – ao embalo de um refrão já conhecido:

- Óia o pastel quentinho! Tem um que tá premiado com duas azeitonas. Quem tirar ele ganha seis de graça!

Vendia a cesta de pastéis e nunca de aparecer o premiado. Alguém, um dia, numa roda onde ela vendera quase todo o conteúdo da cesta, reclamou:

-Dona Generosa, tem alguma coisa de errado na sua promessa. Faz anos que agente compra pastéis da senhora e só encontra azeitonas desbastadas no recheio. E o tal premiado?

- Muita gente já tirou, patrãozinho. Quase sempre é guri. Dão um sorte... Olhe não desanime: caroço de azeitona é aproximação...

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Seu Deco era um tipo popularíssimo na então vila da Bossoroca, nas Missões.

Vinha descendo a rua principal, de um feita, com a cabeça cheia de “veneno” que se compra nos balcões de bolicho, em copitos de fundo grosso. Parecendo, pelo andar balanceado, que totalmente borracho.

A seu encontro vinha o padre. Que, deparando-se com o seu Deco naquele estado, o interpelou:

- E então ,seu Deco, se emborrachando, de novo?

A resposta veio pronta:

“Cada qual em sua ponta

para comer a lingüiça.

Eu bebo em hora de folga

e o padre em hora de missa,

e cada qual por seu lado

sabe da dose que enguiça.”

Glossário: Bolicho (RS) – pequeno armazém, onde se vende de tudo um pouco.