NUNCA SUBESTIME UMA MULHER IV

Fazia uns dois anos que o Salim vinha cantando a Sara, mulher do Abud, sem que ela lhe desse nenhuma esperança.

Mesmo assim, ele não desistia!

Era encontrá-la sozinha na loja e pronto!

Lá vinha cantada!

Mas há um ditado que diz que "paciência e persistência, vence qualquer resistência".

E num belo dia, ele teve êxito!

A Sara disse:

___Está bem, Salim! Aceito! O Abud disse que vai viajar a negócios. Vamos fazer o seguinte! Hoje à noite, lá pelas nove horas, você vai até o sobrado onde eu moro e fica esperando debaixo daquela árvore em frente. Se o Abud realmente tiver viajado, eu jogo uma moeda pela janela do meu quarto que fica em cima da sala. Você escuta o barulho da moeda caindo na calçada e entra de fininho que o portão e a porta da sala estarão abertos.

E assim ficou tudo combinado!

O Salim quase explodiu de emoção!

O dia passou, a noite veio e o Abud viajou!

A Sara tomou o banho mais prolongado de sua vida, se perfumou toda e se vestiu como uma princesa que espera seu príncipe.

Era cinco pras nove quando a Sara jogou a moeda e aguardou ansiosa.

Nove horas, jogou a moeda novamente!

Nove e cino...

Nove e dez...

Nove quinze...

Dez horas...

Onze horas...

Às onze e quinze, morrendo de raiva, desistiu pensando qual seria a forma mais cruel de matar o tratante quando o visse novamente.

No outro dia, logo de manhã, o Salim, com a maior cara de páu, apareceu na loja.

Como o Abud ainda não tinha voltado, Sara esbravejou:

___Salim, seu filho da puta, por quê não foi lá ontem? Fiquei feito uma idiota jogando moeda até as onze da noite e nada de você aparecer! Eu quero te matar!

___Calma, Sara! Por favor fique calma! Estou com dor de cabeça por que não dormi esta noite. É claro que eu fui lá! Quase passei a noite procurando as moedas que você jogou e não encontrei nenhuma!

Então a Sara berrou ainda mais furiosa:

___Salim, você pensa que eu sou burra? A moeda estava bem amarrada num barbante! Toda vez que jogava, eu recolhia de volta!