Tom
Repetindo as mesmas notas, um tom simplista se mistura com a neblina que envolve o espirito, densa...com o surrealismo de notas esquecidas em compassos meio oscilantes e sem o tempero da psicodélica música de outros tempos...alias pra que? se por diversas vezes calou a alma já envolta em tantas guerras de sentimentos, arrepiou , lembrou tantos momentos singulares , que se embrenha no coração aos poucos, num ritmo perfeito e suave... da leveza que precisamos entregue de bandeja, a um clic , se volta a uma outra cidade , se vive , se é estrangeiro no próprio corpo , se sente um outro alguém a viver dentro , um pedaço esquecido da sutileza que teima em nos dar as costas nesses dias de sol , de poucos olhares , de tão poucos sentimentos verdadeiros...
A Inconstância do amar ,uma espera dolorida, farta de saudade , inundada e imersa na imensidão do mesmo amor , que tem hora pra chegar e não tem hora pra ir embora , se despede sem voltar atrás..
Em essência um canto de liberdade , um piano que fala sozinho e canta uma melodia quase celestial , como um decreto vem estabelecer o equilíbrio.Insensatez necessária pra não enlouquecer , uma loucura danosa , que desequilibra ,que nos retira um pedaço por dia... sem permissão , sem solidão alguma..a música acompanha , terapia barata mas de valor inestimável ...
Uma avenida escura , o bêbado ao gritar sua vida ,sem ouvintes ... um copo meio vazio e outro balbucia palavras tortas, inaudíveis ...engole a música em goles generosos , se embriaga ...em meio aos gritos do abatido bêbado , das conversas entusiasmadas de algumas mulheres , se escuta “ anos dourados” ao fundo , uma melodia inebriante , cala qualquer momento meu, qualquer pensamento , conforta até as mais alarmantes dores , acalma o peso dos dias.
(Com sua atmosfera de simplicidade,de letras fortes e sutis, que inebriam, da emoção que sempre ao ouvir enche o coração de lembranças,que inspiram,o que sinto ao escutar Tom Jobim)