Apenas um coração querendo amar.
Ela foi uma mulher ainda menina. Ela era um ser que queria amar.
Na verdade ela amou; sim, e como amou. Seu nome é ainda, Maysa Figueira Monjardim, uma carioca apaixonada pela vida. E que vida! Uma mulher que amou intensamente e foi capaz de deixar o grande amor de sua vida - o primeiro marido, pra acabar com um preconceito terrível que a sociedade brasileira infelizmente ainda possuía. Deus na sua infinita bondade, permitiu que ela viesse à Terra com um lindo dom. Na verdade, um dos mais lindos, e aqui no Brasil, a maior de todas. Maysa veio a terra pra ser artista; especialmente cantora. O mundo mudou completamente quando no dia 6 de junho de 1937, ela nasceu. Quarenta anos depois, em 1977, foi o dia mais triste da música popular romântica brasileira. Vulgarmente chamada de "rainha da dor-de-cotovelo", Maysa aderida ao samba-canção, não deixou de fazer história por várias vezes. Uma mulher linda. Apaixonante, apaixonada; dada aos amores, às dores... Maysa que era dono do par de olhos mais indefinidos do mundo, era dona também de um sorriso raro, verdadeiro e simples.
Compositora de talento, compôs seu maior sucesso em 1957: Ouça.
Ouça, vá viver, sua vida, com outro bem.
Hoje eu já cansei de pra você não ser ninguém [...]
Depois, compôs Meu Mundo Caiu, o maior sucesso do ano de 1958 no Brasil e segundo na América do Sul.
Meu mundo caiu,
e me fez ficar assim. Você conseguiu.
E agora diz, que tem pena de mim [...]
Embora tantos defeitos, entre ele o alcoolismo, que transformava Maysa; ela era dona de um coração puro. Que acreditava nas pessoas, no lado bom delas. Mulher polêmica, que só 'dizia o que pensava e fazia o que gostava', mulher esta que deixou bem claro na sua auto-biografia: 'Resposta'.
Ninguém pode calar dentre mim, esta chama que não vai passar.
É mais forte que eu, e não quero dela me afastar. [...]
Maysa, simplismente Maysa, era e, ainda é uma mulher digna de muito elogio, prestígio e admiração. Uma cantora que, foi a primeira no Brasil a se apresentar no Olympia de Paris e fazer muito sucesso! Reconhecida e adorada por Neil Armstrong, Juscelino Kubitschek e sua esposa. Além de milhares de milhares de fãs apaixonados que Maysa conquistava à cada apresentação do programa semanal do Convite Para Ouvir Maysa, ou suas divinas apresentações em casa de shows consagradas no Brasil como a Meia Noite - do Hotel Copacabana, RJ; Urso Branco, SP; Canecão, RJ; Olympia, Paris, França; Cassino Estoril, Portugal; Blue Angel, New York e outras casas de shows em diversos países como Argentina, Angola, Uruguai, México, Japão (numa apresentação histórica, onde nenhuma cantora brasileira havia cantado) e outros países que se renderam a seus pés. Milhões de discos vendidos, seu nome todos os dias, nas capas de revista do Brasil e muitas do mundo. Essa homenagem é pequena e muito simples. Sei que ela merecia algo melhor. Mas, como sou apaixonado por ela. Pela sua vida, suas dores, seus amores, seus versos, sua dignidade e personalidade, queria hoje, demonstrar isso a ela. Que, embora não esteja entre nós, sei que onde ela está, é um ótimo lugar. Enfim, como amante de francês, só me resta me despedir nesta homenagem dizendo:
Ne me quitte pas
Il faut oublier
Tout peut s'oublier
Qui s'enfuit déja
Oublier le temps
Des malentendus
Et le temps perdu
A savoir comment
Oublier ces heures
Qui tuaient parfois
A coups de pourquoi
Le coeur du bonheure.
Nee me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas. [...] Ne Me Quitte Pas, Jacques Brel, 1958.
Maysa gravou e cantou esta música muitas e muitas vezes. Nem mesmo o compositor da música canta com tanta emoção como ela.
Homenagem à Maysa Monjardim... simplismente Maysa! (06/06-1937 - 22/01/1977).
Victor Matheus do C. Vidal.