ADRIANE DIAS BUENO autografará livro na 39ª. FEIRA DO LIVRO DA FURG _ Porto da Cultura Açoriana.

A advogada e escritora gaúcha ADRIANE DIAS BUENO autografará livro na 39ª. FEIRA DO LIVRO DA FURG _ Porto da Cultura Açoriana. Patrono: Luís Antônio de Assis Brasil. Realização: de 26 de janeiro a 5 de fevereiro de 2012 _ das 19h a 1h. Sessão de autógrafos: 30 de janeiro _ 22h

O livro de poesia de ADRIANE DIAS BUENO, intitulado ESTRANHAMENTO (Editora Editora Scortecci), tem a marca de sua poesia de profundidades e questionamentos que levam o ser humano a refletir sobre sua condição neste século. A data deste lançamento é 03/02/2011.

O prefácio da obra ESTRANHAMENTO é da Juíza de Direito da Comarca do Rio Grande/RS, Dra. Suzel Regine Neves de Mesquita. A apresentação é da Professora Tânia Maria da Conceição Meneses Silva.

Novamente e infinitamente devo agradecer e prestar todas as homenagens à Adriane Dias Bueno por haver me destinado tão nobre missão. Este é um dos maiores presentes de confiança e carinho que recebi ao longo de toda a minha vida. Todo o sucesso e reconhecimento por sua arte é o que desejo à escritora.

Apresentação

"Os poetas são aliados muito valiosos, cujo testemunho deve ser levado em conta, pois costumam conhecer toda uma vasta gama de coisas entre o céu e a terra com as quais o nosso saber escolar ainda não nos deixou sonhar. Estão bem adiante de nós, gente comum, no conhecimento da psique, já que nutrem em fontes que ainda não tornamos acessíveis à ciência". (Bibliografia: FREUD, Sigmund. Ano 1996, v. IX, p.20)

Todos os títulos dos textos da obra Estranhamento, da escritora Adriane Dias Bueno, revelam a carne nova e pulsante de uma escritora que vem à cena e aponta caminhos para a Literatura. Para a poesia. “A literatura não é Teoria, é Paixão”, foi o que afirmou o filósofo e linguista Tzvetan Todorov. E o que demonstra a autora que encaixota sonhos.

O estilo, entre o fantástico e o existencial, de pronto cativa o leitor, mesmo aquele que não penetra na profundidade e no criterioso exame realizado por Adriane no corpo e no espírito da poesia e da sua prosa pulsante.

O verso tem total autonomia, por exemplo, quando acrobaticamente desliza em carícias pela epiderme do poema Negror

Horror negro

na surda cor

a manchar

o dia multicor.

Com categoria e como se tivesse a posse da chave da mente humana e, ainda, o poder de vê-la em seus desvãos e sótãos, a escritora atinge o âmago do seu leitor quando, suave, mas precisamente, utiliza da navalha afiada de sua palavra para expor o seu personagem

"[...] que está sofrendo um surto psicótico por ter deixado seu ser embalar-se por um romance inexistente. E quando tudo que havia contido ou revelado tiver escorrido para o bueiro fétido, inclusive sua existência, esse rato se levantará e prosseguirá com sua vida corriqueira e sem inspiração, mas novamente dominada pela útil racionalidade".

Nesse movimento que cria ondas de luz e de cor no todo do livro, de repente a poeta emite um sensual sussurro, mais poético do que a própria Poesia. A sensação de ler Acordes equivale ao êxtase perante o Belo indizível causado por obras primas. São versos cuja sonoridade se entranha para sempre em nossos ouvidos d’alma:

ACORDES

Sussurra...

Sussurra uma poesia

em meu ouvido.

Já pressinto a emoção

que me tomará.

As palavras ternamente ditas

tocarão meu coração

e devolverão a sensibilidade

à minha pele congelada.

Sussurra...

Sussurra uma melodia.

Canta para mim

essas palavras perdidas

que farão o relógio

novamente tique-taquear,

meu cérebro sonhar.

Sussurra...

Sussurra tudo aquilo

que eu não consigo olvidar.

Referindo-se especificamente a Freud e sua declarada admiração pela Literatura, cabe frisar das potencialidades lúdicas e a representatividade do Belo sedutor e cativante que ela em si carrega:

“Tudo é possível graças ao fenômeno da “sedução estética”. Para Freud, a forma literária com sua inexplicável beleza tem a mesma função sedutora do “prazer preliminar” (Vorlust) no ato sexual: derrubar as barreiras da repressão permitindo a liberação de um prazer mais intenso e profundo (Endlust). O erotismo interdito e a onipotência narcísica compõem a matéria mesma do devaneio, daí seu caráter estritamente secreto e até um tanto vergonhoso, a reação de susto se alguém entra subitamente num lugar onde estamos a sós com nossos próprios devaneios.” (E. Portella Nunes e C. H. Portella Nunes, 1989, p.5/6)

A sós e conosco, com os seus e os nossos devaneios, Adriane recria universos em Vida de barata, Quarto de légua e Diversão. E nos submete, leitores descobertos e assustados quando a boiada estoura. A poeta e criadora, incansável em sua lida com a argila com a qual compõe sua literatura, confere vida à própria vida e sentido ao próprio sentido.

Eram mundos estranhos esses. Encantadores, horripilantes, comuns, loucos; enfim, planetas que viajavam pelo universo, cheios de criações benditas ou malditas. Depois de manipular um de cada vez ou todos ao mesmo tempo, ela os ia destruindo um por vez, sem se importar com a vida que criara, com suas criaturas que imploravam para que ela as mantivesse a salvo. E ela ria, ria, enquanto a sua criação morria.

Tamanhos são o seu poder, identificação e intimidade com as palavras que, súbito, se decide e resolve liquidá-las. O prazer do belo literário e poético nos toma totalmente quando lemos a sua maldição:

Malditas todas...

As palavras todas são malditas:

mesmo as bem ditas,

mesmo as mal ditas.

E todas as que não clareiam

uma mente em divisão.

Adriane Dias Bueno é uma escritora de tanta multiplicidade que embevece; de tanta gana que contamina e de tanto talento que marca este período da civilização e divide a Literatura entre o antes e o depois de si. Não exagero. Anotado está. Nunca mais a poesia e a crônica serão as mesmas depois dessa gaúcha em cujas águas intelectuais

O barco fica a deslizar

tranquilamente

neste mar que virou rio.

Ela diz não gostar, mas agora é tarde, Inês é posta em sossego e tu, Adriane, pertences a nós, ao mundo, aos mundos possíveis. Faço das suas as minhas palavras e digo

Então:

“Silêncio!”

O verso caiu de meu ser

e tão altissonante vendaval provocou

que nada restou

senão encobrir os sentimentos

que não me são possíveis externar.

Tânia Maria da Conceição Meneses Silva

taniameneses
Enviado por taniameneses em 14/01/2012
Reeditado em 14/01/2012
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