MAURO MARQUES

Compositor, poeta, escritor, dramaturgo, músico, nasceu em Pelotas- RS, no dia 26/08/1945. Iniciou seus estudos de gaita-piano aos oito anos de idade. Aos quinze, ganhou seu primeiro violão e começou a compor. Aos vinte e vinte um, fez mais dois cursos de teoria e solfejo. Hoje, tem quase quatrocentas músicas gravadas e já venceu cerca de quarenta festivais, tendo sido premiado em mais de cem eventos. Recebeu o Troféu Vitória, em 1996, tendo sido agraciado, juntamente com mais quatro letristas, como “Melhor Poeta do Ano no Estado”. Foi, desde 1991 até 2007 o compositor mais premiado das cidades do Vale do Sinos. Desde o ano de 1987 reside em São Leopoldo RS. Eis uma obra sua.

G A N A

Ah, que vontade de sair às ruas...

As palavras cruas a saltar da boca,

a quebrar os dentes, numa forma louca

de invadir as casas e acordar os quartos,

de curar doentes, derrubar temores,

de soprar odores fétidos, mortais!

Ah, que vontade de ouvir, agora,

esse grito rouco, a explodir malditos.

E mandar embora essas mentiras fáceis,

armadilhas frágeis desses maiorais.

Esse grito aflito a corrigir angústias,

a delatar mentiras tolas e fatais!

Que vontade louca de perder a calma,

de lavar a alma sem conter impulsos,

de livrar os pulsos das algemas frias

e passar os dias a varrer tiranos,

recriando planos, recriando a vida,

nas verdades claras, loucas, imortais!

Ah, que vontade de seguir em frente,

afastando as pedras, refazendo as pontes,

escalando os montes, a implodir tristezas,

na verde certeza de sorrir à morte,

na madura sorte de fazer amigos,

nessa luta amarga de querer viver!

Vontade mansa de parar, um dia,

numa utopia doce e inconseqüente.

Onde, de repente, num estalar de dedos,

todos nossos medos virem fantasias,

onde a gente vista toda essa magia

de viver feliz, até não mais poder!