Não resisti


''Por que o amor, que é tão gentil na aparência,
tem que ser tão cruel e tirano na prova?
Que o amor cuja vista é tão vendada, encontre, sem os olhos, caminho franco para suas vontades.
Purificado, é um fogo chispeante nos olhos dos amantes.
Se o amor é áspero contigo, sê áspero com ele;
se te transpassar, transpassa-o e acredita por dominá-lo.
Quem é aquele cavaleiro que enriquece a mão daquela dama?
Oh! Ele deve ensinar as tochas a brilharem explendidamente!
Porventura meu coração amou até agora?
Jurai que não meus olhos, porque até a esta noite
jamais conheci a verdadeira beleza.
Tal é a transgressão do amor!
O amor é fumaça formada por vapores de suspiros.
Contrariado, um mar alimentado por lágrima dos amantes.
Loucura prudentíssima, fel que nos abafa, doçura que nos salva.
Que luz brilha através daquela janela?
é o oriente, e você é o sol.
Surja sol, e mata a invejosa lua já doente e pálida de desgosto,
vendo que tu, teu servo, é bem mais lindo que ela.
Não a sirvas, visto que é invejosa.
Ah! Se eu fosse uma luva naquela mão
para que pudesse tocar naquele rosto!
Oh! Ela fala. Fala ainda anjo luminoso.
Despoja-te do teu nome, e em troca dele, que não faz parte de ti,
toma-me por inteira.
Com as leves asas do amor transpus estes muros,
pois os limites de pedras não servem de empecílho para o amor.
E o que o amor pode fazer, o amor ousa tentar.
Ama-me somente.
é melhor que termine minha vida vítima do ódio que me dedicam, do que esperando teu amor, minha morte retardada.
O amor foi o primeiro que me incitou a indagar; ele me deu conselho
e eu lhe dei os meus olhos.
Oh meu amor!
Se tu me amas, proclama-o sinceramente!
Eu juro por esta lua que coroa de prata a copa desta árvore
de coroa frutífera.
Oh! Não jures pela lua, pois é incosntante e
muda todos os meses em sua órbita circular, a fim de que teu amor
não se mostre igualmente variável.
E por quem devo jurar?
Não jure de toso, ou se preferir, jure pela tua graciosa pessoa que é o Deus da minha idolatria e acreditar-te-ei.
Minha bondade é tão iluminada quanto o mar e tão profundo como este é o meu amor.
Quanto mais te dou, mais tenho, pois torne-se infinito.
Mil vezes boa noite!
Mas maldita a mil vezes faltando tua luz!
O amor corre para o amor...mas o amor se afsta do amor.
A despedida é uma dor tão doce que lhe diria boa noite
até que chegasse um novo dia!
Venham como quiserem as amarguras, nunca poderão contrabalançar
o gozo que sinto um só minuto em presença de meu amado.
Juntar nossas mãos com santas palavras, e que então,
a morte devoradora do amor, faça o que quiser.
Basta-me chamar de meu (minha).''


******************************* William Shakespeare



'Eu tinha que falar dele(nele)'
Bel Allana







Bel Allana
Enviado por Bel Allana em 09/06/2009
Reeditado em 01/07/2009
Código do texto: T1640038