Falantes Nativos de Inglês Não Se Consideram Superiores e Nem Melhores do que os Falantes Não Nativos de Inglês: Eles Também Admitem Que Erram ao Pronunciar e Escrever em Inglês
A relação entre falantes nativos e não nativos de inglês é um tema frequentemente debatido, especialmente quando se trata de um idioma amplamente falado como o inglês. Muitas vezes, surge a percepção de que os falantes nativos de inglês têm uma vantagem natural sobre aqueles que aprendem essa língua como segunda, terceira ou até quarta língua. No entanto, essa visão está longe de ser uma realidade universal, principalmente quando se observa as atitudes dos próprios falantes nativos de inglês.
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Em primeiro lugar, é fundamental compreender que a língua inglesa, como qualquer idioma, não é um sistema imutável ou infalível. A língua evolui constantemente, e isso inclui tanto as normas gramaticais quanto as formas de pronúncia e escrita. Falantes nativos de inglês, embora fluentes no idioma desde o período crítico para a aquisição da linguagem, não estão isentos de erros ao falar ou escrever. Errar é algo intrínseco ao uso de qualquer língua, e os próprios nativos do inglês cometem falhas na pronúncia, na ortografia ou até mesmo na construção de frases. Além disso, variações regionais, socioeconômicas e culturais dentro dos países de língua inglesa fazem com que o que é considerado "correto" possa variar consideravelmente.
Falantes nativos de inglês, especialmente aqueles que têm uma visão mais ampla da língua e da sua dinâmica global, reconhecem que a língua está em constante mudança. Eles sabem que o inglês de uma pessoa que nasceu na Escócia, por exemplo, será bem diferente daquele falado por alguém de Londres ou de Nova York. Isso reflete a fluidez e a adaptabilidade da língua, que não segue uma única norma rígida, mas, sim, uma multiplicidade de formas que são aceitas em contextos diferentes.
Por outro lado, um aspecto importante que muitas vezes é negligenciado é o reconhecimento de que os falantes nativos de inglês também estão sujeitos a erros. Embora eles possam ter a fluência e a familiaridade com a língua desde cedo, isso não significa que possuam uma perfeição linguística imaculada. Os nativos de inglês frequentemente cometem erros comuns, como confundir tempos verbais, usar palavras de forma imprecisa ou até pronunciar palavras de maneira incorreta, especialmente em um contexto informal ou quando estão falando rapidamente. Isso é particularmente visível nas interações cotidianas, onde erros gramaticais ou de pronúncia ocorrem mesmo em falantes nativos, algo que é perfeitamente aceitável no uso do idioma.
Além disso, muitos falantes nativos de inglês têm uma visão mais inclusiva e flexível sobre os falantes não nativos de inglês. Eles reconhecem que aprender uma língua é uma jornada desafiadora, que envolve não apenas a memorização de regras gramaticais, mas também a adaptação a um novo sistema de comunicação, o que pode levar a falhas ocasionais. Por esse motivo, muitos falantes nativos de inglês tendem a ser mais compreensivos e pacientes com aqueles que falam o inglês como segunda língua. Em vez de tratar o erro como algo negativo, muitos encaram isso como uma oportunidade de aprender mais sobre as diferentes maneiras de usar o idioma e as nuances culturais que ele traz.
Outro ponto importante é a empatia que muitos falantes nativos de inglês têm em relação ao esforço dos falantes não nativos de inglês. Eles sabem que a fluência em um idioma não se resume apenas à pronúncia perfeita ou ao domínio completo das regras gramaticais. A comunicação eficaz vai além da precisão e está muito ligada ao contexto, à intenção e à interação social. Por isso, a falha em uma estrutura gramatical ou na pronúncia de uma palavra não é vista como um fracasso, mas como uma parte natural do processo de aprendizado de uma língua. Os falantes nativos de inglês também se lembram dos próprios desafios enfrentados ao aprender uma segunda língua, o que os torna mais conscientes de suas próprias falhas linguísticas.
De fato, a ideia de que os falantes nativos de inglês são superiores aos falantes não nativos de inglês é um mito que não encontra respaldo científico nas práticas linguísticas diárias. A fluência, a correção gramatical e a pronúncia não são sinônimos de "superioridade". A língua é uma ferramenta de comunicação e, como tal, seu objetivo principal é ser eficaz no ato de transmitir e compreender ideias. Se um falante nativo ou não nativo de inglês consegue fazer isso de maneira clara e compreensível, então eles atingiram o objetivo de se comunicar, independentemente dos erros cometidos ao longo do caminho.
Em resumo, tanto falantes nativos quanto falantes não nativos de inglês cometem erros, e essa é uma característica comum de qualquer língua em uso. Não há uma hierarquia implícita entre falantes nativos e não nativos de inglês. O processo de aprendizagem da língua é complexo e contínuo, e os falantes nativos de inglês, ao reconhecerem suas próprias falhas, frequentemente admitem que, em vez de se considerarem superiores, compreendem que o domínio total de uma língua não significa ausência de erro. Assim, ao contrário do que muitos podem pensar, falantes nativos de inglês não se veem como melhores ou mais qualificados do que aqueles que aprenderam o inglês como segunda língua. Eles estão cientes de que todos, independentemente da origem ou do nível de fluência, compartilham o mesmo desafio de dominar uma língua viva, fluida e em constante evolução.
Referências Bibliográficas
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Labov discute as variações linguísticas e erros comuns de pronúncia entre falantes nativos de inglês, particularmente em diferentes dialetos. Ele argumenta que as variações linguísticas não são erros, mas sim diferentes formas de se expressar, e nenhuma é superior à outra.
Crystal, D. (2003). English as a Global Language (2nd ed.). Cambridge: Cambridge University Press.
David Crystal discute a globalização do inglês e os erros de pronúncia e escrita cometidos por falantes nativos e não nativos, mostrando que o inglês não segue uma única norma rígida e que falantes nativos também fazem erros.
Trudgill, P. (2000). Sociolinguistics: An Introduction to Language and Society. London: Penguin Books.
Trudgill explora a sociolinguística e as variações linguísticas dentro do inglês, abordando como falantes nativos também cometem erros linguísticos e como esses erros podem ser normais dentro de certos contextos sociais e geográficos.
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Baker explora a ideia de que o inglês como língua franca (falado por não nativos) não é inferior ao inglês nativo e que o inglês falado por não nativos pode ser tão eficaz quanto o falado por nativos, ao contrário da visão tradicional de superioridade dos nativos.
Seidlhofer, B. (2004). English as a Lingua Franca. ELT Journal, 58(4), 339-341.
Barbara Seidlhofer discute a ideia de inglês como uma língua franca, defendendo que não existe uma forma “correta” de inglês e que falantes nativos não têm uma vantagem linguística ou de status sobre falantes não nativos.
Davies, A. (2003). The Native Speaker: Myth and Reality. Clevedon: Multilingual Matters.
A obra de Davies discute a ideia de "falante nativo" e a noção de superioridade associada a ele, questionando se ser falante nativo realmente confere uma vantagem linguística sobre os não nativos.
Lippi-Green, R. (1997). English with an Accent: Language, Ideology, and Discrimination in the United States. New York: Routledge.
Lippi-Green analisa os preconceitos linguísticos e a discriminação baseada na pronúncia, mostrando que falantes nativos de inglês, ao contrário do que é muitas vezes acreditado, também enfrentam estigmas baseados em seu modo de falar, incluindo erros de pronúncia.
Kachru, B. B. (1992). The Other Tongue: English Across Cultures (2nd ed.). Urbana: University of Illinois Press.
Kachru discute o fenômeno do inglês em contexto global, abordando a diversidade de formas de inglês, incluindo os erros cometidos tanto por nativos quanto por não nativos, e refuta a ideia de uma hierarquia entre essas formas linguísticas.
Deignan, A. (2005). Metaphor and Corpus Linguistics. Amsterdam: John Benjamins Publishing Company.
Deignan analisa o uso de metáforas na língua inglesa, destacando que até falantes nativos de inglês cometem erros ao usar metáforas de maneira inadequada em determinados contextos.