Detalhes de nós dois (com o verbo preferir)
Caro leitor, se você já acompanha minhas dicas gramaticais há algum tempo certamente sabe que o verbo preferir não admite as construções, muito comuns na linguagem coloquial, ‘do que’, ‘mais do que’, ‘menos do que’.
Ex.: Prefiro mais música clássica do que música sertaneja.
De acordo com a norma-padrão da língua este uso está inadequado. Preferir é um verbo TDI. Quem prefere, prefere uma coisa — objeto direto sem preposição — a outra — objeto indireto que pede preposição. Desse modo a oração escrita adequadamente fica da seguinte forma:
Prefiro música clássica a música sertaneja.
Peço agora a sua atenção para um detalhe importante, pois muita gente passa por esta lição sem o aprender.
Ex.: Prefiro a música clássica à música sertaneja.
Estou confuso, professor, por que neste caso ocorre crase e no outro não? Porque em “Prefiro música clássica a música sertaneja” o ‘a’ é uma simples preposição. O fenômeno da crase ocorre quando há a fusão do artigo definido e da preposição. Perceba que no exemplo 2 a oração é a mesma, entretanto, como coloquei um artigo antes do primeiro elemento “a música clássica” devo acrescentá-lo também antes do segundo elemento “a música sertaneja”, assim temos no segundo elemento o a artigo + a preposição = à. No exemplo 2 temos o que chamamos na Gramática de Paralelismo Sintático que confere mais harmonia ao texto.
Outros exemplos
Prefiro doce a salgado.
Prefiro o suco à água.
Prefiro praia a montanha.
Prefiro a praia à montanha.
Gostaram da dica, pessoal? Até a próxima!