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O emprego do "zê": lição para crianças

                         
Estou escrevendo esta coluna imaginando que meu leitor esteja cursando aí pela sétima série do ensino fundamental e tenha lá suas dificuldades na hora de grafar muitas palavras de nossa língua portuguesa. Saibam que isso é normal. Nós,  professores, e (acreditem!) até mesmo os autores de dicionários consultam esses livros fantásticos,  que eles produziram ou coordenaram. Sim, porque o dicionário  costuma ser obra de muita gente. Portanto, nada de acanhamento  quando errarem e nem desistam de escrever seus textos só porque o professor assinalou alguns erros de grafia. Isso acontece com todos nós.

Gentilmente, o professor Consolaro publicou neste “site” o nosso  “No mundo dos ditongos”, também endereçado às crianças. Acabou motivando-me a desengavetar a presente coluna, que pretende desembaraçar um pouquinho o uso da letra “zê”. Vamos estudar apenas uma situação. Certo?
   
Creio que vocês já ouviram falar de substantivos e adjetivos. Até aqui nosso texto está repleto de substantivos. Empregamos, entre outros, “coluna”, “leitor”, “série”, “dificuldades”, “hora”, “palavras” etc. Os gramáticos ensinam que os substantivos nomeiam os seres em geral. É bem possível que essa ferramenta não resolva totalmente o seu problema de identificar os substantivos, sobretudo quando eles vêm no texto. Os mesmos gramáticos dizem, também, que os adjetivos expressam uma qualidade ou propriedade dos seres. Vocês poderiam,  então, no meu entendimento,  trabalhar com a dupla substantivo/adjetivo e procurar encaixar o segundo em função do primeiro. Acho que é um artifício que tem alguma utilidade.

Assim, uma prova de que “coluna” é substantivo é que  essa palavra aceita um adjetivo para modificá-la. Poderíamos dizer “pequena coluna” (adj. + subst.). No caso de “leitor”, segundo substantivo de nosso texto, poderíamos ter “pequeno leitor”; ao substantivo “dificuldades” poderíamos agregar o adjetivo “grandes”, e assim por diante. Vocês me perguntariam: mas no caso de “série”? Eu diria que a situação fica um pouco mais complexa. Ocorre, entretanto, que “sétima” faz uma referência ao substantivo,  e é essa palavra – um numeral segundo as gramáticas – que está ocupando no grupo “sétima série” um valor aproximado do que cabe ao adjetivo. Se isolarmos “série”,  veremos que a palavra admite, por exemplo, “fácil” ou “difícil”, que são adjetivos; uma prova de que estamos diante de um substantivo. Assim, pelo menos, conseguimos a classificação que o dicionário registra.

Seria, possível, por exemplo,  uma palavra como “claro” ser empregada como substantivo? Claro que sim. Imagine que você apagou  grande parte de sua redação e não teve tempo de reescrever o que apagou. O professor poderá dizer assim: “Ficou um claro em seu texto, menino”. Veja que “claro” está empregado como substantivo. Uma prova disso é que admite um adjetivo que o modifique, como em “Ficou um enorme claro em seu texto, menino”.

Vocês devem estar se perguntando o que essa conversa toda tem a ver com o uso do “zê”. Calma, que chegamos lá!.

A rigor, nem precisávamos de todo esse papo, pois para o nosso propósito bastaria a classificação da palavra em estado de dicionário, fora do texto.

Se forem ao minidicionário do Aurélio, certamente vão encontrar  que “claro”, “belo”, “estranho”, “escasso”, “rico”, “certo”, “tímido” e “sensato”, entre tantas outras palavras, são adjetivos. Concordam? Se duvidarem, confiram... Saibam, então, que os substantivos que fizermos a partir desses adjetivos serão todos grafados com a letra “zê”. Assim, observem:

Um discurso claro (subst. + adj.)  revela clareza (subst.)  de seu autor.
         
Uma pessoa bela (subst. + adj.)  pode não ter beleza (subst.) interior.

Aquele homem estranho (subst. + adj.)  provocou enorme estranheza (subst.).

Era um homem rico (subst. + adj.)  mas de uma riqueza (subst.) egoísta.

O petróleo é um combustível escasso (subst. + adj.),  e a escassez  (subst.) preocupa.



Continuaríamos,  fazendo de “rico”  “riqueza”;  de “certo”,  “certeza”;   de “tímido”,  “timidez”  e de “sensato”,  “sensatez”.

Ainda não dissemos que os substantivos que retiramos dos adjetivos são classificados como abstratos, pois expressam nomes dependentes de outros. Assim,  “clareza” não existe sozinha, mas apenas em algo que é “claro”.  O mesmo raciocínio se aplica aos demais exemplos anteriores.   A lição que fica é a seguinte: grafam-se com “zê”  os substantivos abstratos que se formam a partir de adjetivos. Vale lembrar que a terminação “ez”   em palavras  como  “escassez”,  “timidez”  e “sensatez” não é acentuada.

Para terminar, uma pequena quadrinha que resume a lição de hoje:
       

               Já que tenho um adjetivo
               e um substantivo   a  fazer,
               cumpro bem meu objetivo
               se  grafar com a letra “zê”.

(Texto originalmente publicado no site Por trás das letras, de responsabilidade do professor Hélio Consolaro)
Walter Rossignoli
Enviado por Walter Rossignoli em 23/02/2012
Código do texto: T3515844

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Sobre o autor
Walter Rossignoli
Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil
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