FORMA LIVRE E FORMA PRESA.
Não é difícil compreender que certas palavras estão sempre acompanhadas, e, portanto, jamais figuram sozinhas em pergunta ou resposta, ou noutra situação qualquer; são como parasitos sonoros cuja existência depende completamente de outros vocábulos.
Quem já viu a preposição de ou o pronome te apresentar-se no discurso, que não estejam incorporados a algum membro da oração? No entanto o advérbio não anda solto e solitário por todas as bocas, a soltar por certo maior tristeza do que alegria. “Não!” , exclama fulano; “Não!”, repete sicrano; mas o pobre de jamais comparece sozinho no colorido intercâmbio cotidiano.
Não há dúvida de que o não anda solto por aí afora, mais amiudado do que o colega sim; não porém um não qualquer, pois que são dois, mas aquele que se pronuncia não e rima com pão, e não aquele que se pronuncia num e rima com algum; este sempre atrelado à escravidão do verbo, é o não cativo do linguajar coloquial.
O vocabulário que constitui um idioma divide-se em forma livre – o não pronunciado não; e forma presa – o não pronunciado num.
Forma livre é aquela que pode aparecer sozinha no discurso, especialmente numa pergunta ou numa resposta:
- Você vai à festa?
- Sim.
- Onde?
- Lá.
- Vai muita gente?
- Vai.
Sim, onde, lá e vai são formas livres porquanto podem funcionar sozinhas em perguntas e respostas.
Forma presa é aquela que não pode aparecer sozinha no discurso, especialmente numa pergunta ou resposta. A preposição de é forma presa, pois é impossível encontrá-la sozinha, pelo menos como preposição. Ao contrário do advérbio não, ainda se acha em plena menoridade vocabular.
O termo contra é preposição e como tal se acha consignado em todo compêndio escolar. Na fala, como toda preposição autêntica, está sempre anunciando um substantivo seguinte ou coisa equivalente, a que sempre acompanha e serve como lacaio; entretanto, em certas ocasiões consegue alforria e se apresenta no discurso, então porém sob a forma de substantivo ou advérbio, categoricamente transformada:
- És a favor ou contra (adv.).
- Contra!
- Vim buscar um pró e vou levar um contra (subst.).
O que se dá com a preposição contra observa-se naturalmente com todas as outras classes; logo, por exemplo, é forma livre ou forma presa, conforme seja temporal na classe dos advérbios, ou conclusiva na classe das conjunções:
- Resolva logo! (advérbio).
- Penso, logo existo. (conjunção).
É tão importante a discussão entre forma livre e forma presa que, segundo BLOOMFIELD, somente a forma livre se considera palavra, propriamente dita, donde concluir-se que apenas os substantivos, adjetivos, verbos e advérbios nominais podem chamar-se palavra. O próprio Mattoso Câmara no seu Dicionário de Filologia e Gramática, escreve que “palavra é uma forma livre”, devendo as outras classes – artigo, certos pronomes, preposição e conjunção – ser consideradas como vocábulos, termo geral que abrange a própria palavra.
* Foto Google.
Museu da Língua Portuguesa - SP.
Não é difícil compreender que certas palavras estão sempre acompanhadas, e, portanto, jamais figuram sozinhas em pergunta ou resposta, ou noutra situação qualquer; são como parasitos sonoros cuja existência depende completamente de outros vocábulos.
Quem já viu a preposição de ou o pronome te apresentar-se no discurso, que não estejam incorporados a algum membro da oração? No entanto o advérbio não anda solto e solitário por todas as bocas, a soltar por certo maior tristeza do que alegria. “Não!” , exclama fulano; “Não!”, repete sicrano; mas o pobre de jamais comparece sozinho no colorido intercâmbio cotidiano.
Não há dúvida de que o não anda solto por aí afora, mais amiudado do que o colega sim; não porém um não qualquer, pois que são dois, mas aquele que se pronuncia não e rima com pão, e não aquele que se pronuncia num e rima com algum; este sempre atrelado à escravidão do verbo, é o não cativo do linguajar coloquial.
O vocabulário que constitui um idioma divide-se em forma livre – o não pronunciado não; e forma presa – o não pronunciado num.
Forma livre é aquela que pode aparecer sozinha no discurso, especialmente numa pergunta ou numa resposta:
- Você vai à festa?
- Sim.
- Onde?
- Lá.
- Vai muita gente?
- Vai.
Sim, onde, lá e vai são formas livres porquanto podem funcionar sozinhas em perguntas e respostas.
Forma presa é aquela que não pode aparecer sozinha no discurso, especialmente numa pergunta ou resposta. A preposição de é forma presa, pois é impossível encontrá-la sozinha, pelo menos como preposição. Ao contrário do advérbio não, ainda se acha em plena menoridade vocabular.
O termo contra é preposição e como tal se acha consignado em todo compêndio escolar. Na fala, como toda preposição autêntica, está sempre anunciando um substantivo seguinte ou coisa equivalente, a que sempre acompanha e serve como lacaio; entretanto, em certas ocasiões consegue alforria e se apresenta no discurso, então porém sob a forma de substantivo ou advérbio, categoricamente transformada:
- És a favor ou contra (adv.).
- Contra!
- Vim buscar um pró e vou levar um contra (subst.).
O que se dá com a preposição contra observa-se naturalmente com todas as outras classes; logo, por exemplo, é forma livre ou forma presa, conforme seja temporal na classe dos advérbios, ou conclusiva na classe das conjunções:
- Resolva logo! (advérbio).
- Penso, logo existo. (conjunção).
É tão importante a discussão entre forma livre e forma presa que, segundo BLOOMFIELD, somente a forma livre se considera palavra, propriamente dita, donde concluir-se que apenas os substantivos, adjetivos, verbos e advérbios nominais podem chamar-se palavra. O próprio Mattoso Câmara no seu Dicionário de Filologia e Gramática, escreve que “palavra é uma forma livre”, devendo as outras classes – artigo, certos pronomes, preposição e conjunção – ser consideradas como vocábulos, termo geral que abrange a própria palavra.
* Foto Google.
Museu da Língua Portuguesa - SP.