Balalaika

...As palavras são migalhas de pão... Eu que comi tantas migalhas às vezes choro, pois não consigo vomitar essas mesmas palavras na alma; de quem me toma por um leproso pombo. Eu tenho fome, confesso, mas não de migalhas bolorentas: onde tantas mãos jogam comidas de amarguras. Sou pobre eu sei, sou leproso eu sei, sou um buscador, peregrino condenado, sou pedinte da mentalidade dos remorsos e da misericórdia desses fartos possuidores de tantas mais, migalhas. Somente anseio paz. Desejo paz. Vislumbro paz. Quero dormir no colo de paz. Me unificar na líra paz: me satisfazer num banquete sem mais palavras; e sim do silêncio que creio perdura ao tempo dos deuses. Minha mente roda; meu coração me machuca em dor; meus olhos estão doloridos. Me ajuda ó dono das migalhas, doravante o gosto dessas migalhas retirem de mim essa angústia: e o medo de voar ao encontro do meu lar no Paraíso não me iluda jamais... Porquanto, ao dissabor dos muitos prantos eu não serei. Ó fígado que guarda tantas desesperanças, eu não espero ser mais um pombo tristonho; na praça do destino. Espero palavras de paz; ao som da Balalaika de infindos anjos; e ao cantar de uma fada suave esse mundo meu venha transmutar-me num Cisne; para eu morrer feliz e sossegado nos braços de Deus: Cristo. Amém.

Francesco Acácio
Enviado por Francesco Acácio em 11/12/2020
Reeditado em 12/12/2020
Código do texto: T7132971
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