PIETRA A JOVEM FILOSOFA CEGA E O MANDACARU FREUDIANO!
 
INTRO:
" Acabei de achar em meus antigos alfarrábios, este velho pedaço de conto datado de 2005, ele faz parte da continuação de um conto que foi publicado em livro físico pela Ed CBJE em 2004. Intitulado "A METEMPSICOSE DE PIETRA". Caros leitores, venha me acompanhar em mais essa peripécia de nossa jovem filósofa cega"
EM ALGUM LUGAR NORDESTINANDO....
Após abster-se de suas tristes mazelas cotidianas, de um passado não tão distante, a nossa jovem filosofa cega Pietra passou a vagar pelo mundo e mostrar sua filosofia aos moldes de Zaratustra, o grande ermitão amigo das serpentes. Com sua peculiar abdução pela natureza, Pietra atualmente se encontra no meio da caatinga nordestina onde o sol kuarava as roupas no quintal. Nossa jovem cega ia de casa em casa espalhando seus folhetins e as vezes aplicava sermões filosóficos para os mais carentes e as vezes ela era escorraçada assim como Zaratustra o foi milhares de vezes.
Naquele dia ela caminhava por uma enorme vereda onde os pintassilgos e as andorinhas burilavam os pés de carnaúba afim de saborearas seus raros frutos do altíssimo (a arvore de carnaúba é muita alta). Pietra também vislumbrava os guaxinins que perambulavam entre as frestas secas dar arvores mortas. Ao passar por um enorme Mandacaru, Pietra acaba se ferindo e tem seu dedo mindinho do pé direito ferido pelos espinhos do referido Mandacaru. Furiosa pela acontecido, nossa jovem filósofa vocifera em alto e bom tom:

- Maldito cactos, porque você possui esses enormes espinhos para nos ferir se nada contra ti fazemos?

Logo após dar seu grito de fúria, e ficar envergonhada de ter se enfurecido e gritar ao esmo, Pietra tornou-se pensativa e ouvia-se uma voz longínqua à desculpar-se...

"Desculpe jovem Senhora, mas é que meus espinhos servem para me defender. O mal espreita o bem e os espinhos são minhas armas físicas para detê-lo"

Pietra assustou-se e pensou estar sendo seguida e seu sangue gelou. Ao passar de alguns segundos, novamente uma voz surgiu telepaticamente...

"Não tenhas medo jovem filosofa, sou aquele que te feriu e que tu gritaste agora há pouco. Vamos iniciar um colóquio interessante?"

Pietra como era dada à natureza, agora tudo compreendeu, pois sua metempsicose de menina-borboleta a levava a dimensões zil. Ela telepaticamente respondeu ao velho Mandacaru...

" Obvio que sim meu amigo vegetal. vamos iniciar um colóquio aqui, O que queres filosofar? Queres falar de seu mundo esverdejantes nesta caatinga flamejante?"

" Não! Quero falar de sua psique entre a menina e a borboleta no estilo Freudiano de ser. Em sua metempsicose, a menina era guiada pela borboleta ou a borboleta era guiada pela menina do ID?"

" Nem uma coisa e nem à outra, a menina do ID não era a borboleta, pois o ID é imediatista e infantil que é, não se encaixava na alma milenar da borboleta, e então a borboleta ao voar comandava a metempsicose da outrora menina travessa"

"Quanto tempo em outrora tu passastes na crisálida de teu aprendizado?"

"Sendo o tempo desconexo em varias formas, não teve como medi-lo e sim senti-lo, pois ao sentir o passar das Eras, tu se mostra maduro o suficiente para engrandecer tua alma e se libertar da crisálida que envolve teu corpo virginal"

"Eu tempo que SOU, também não sei se ferro ou ouro passou. O tempo de seca arruinou minhas expectativas, mas a dor engrandeceu o saber que volitava em minha alma vegetal que também errou em metempsicose"

"Sério? Conte-me então sua experiência em outro estado corpóreo"

" Primeiro fui alma, depois fui cangaceiro e lutei pelo mundo inteiro e aqui estou pagando penas pelo caos que passou"

"Isso é maravilhoso, teu Ego e Surpego ainda lembram de tudo?"

"Tudo quase não, meu ego de cangaceiro está ainda intacto e por isso meu Superego ralha comigo e me faz arrepender do mal que cometi e assim choro e irrigo as flores do sertão tão tão..."

"Fantástico, no meu caso fui logo dominada pelo Superego e me libertie das amarras imediatistas da narrativa carnal. A borboleta me mostrou um mundo onde o Ser é um Super Ser e a liberdade vaga delirante e exuberante nas nuances da natureza"

" Adorei tua narrativa, agora vou voltar meu estado vegetativo e vislumbrar a violência dos homens e tentarei lubrifica-los com meu frescor para atrai-los para o bem"

" Vá com Deus meu amigo, lembre-se de que a virtude que lhe fere a alma liberta o mal que impregna a força motriz de sua existência"

Então ao proliferar estas ultimas palavras, Pietra viu a transfiguração do Mandacaru Freudiano no jovem cangaceiro que fora morto pela volante décadas atrás. O cangaceiro sorriu o riso dos felizes para nossa jovem filósofa que devolveu com seu enigmático sorriso inquiridor. Após a troca de olhares furtivos. As almas se despediram em tom de reencontro e Pietra alçou voos além da imaginação e a menina novamente se transformou em uma linda borboleta multicor e transfigurou para uma outra dimensão além do desconhecido....Pietra nossa filósofa cega continuou em suas maravilhosas aventuras além do tempo e do espaço e se vocês quiserem acompanhar as novas aventuras de nossa heroína da filosofia moderna, digam aí nos comentários e Pietra lhes manda uma abraça estilo Pedra Filosofal numa perfeita alquimia entre o antes e o depois....CONSUMATUM EST!!!!
Eddy Vomit
Enviado por Eddy Vomit em 16/01/2021
Reeditado em 16/01/2021
Código do texto: T7161163
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