"NÃO HÁ BEM QUE SEMPRE DURE NEM MAL QUE NUNCA SE ACABE"

DEUS SEJA LOUVADO !

QUE A GRAÇA DO SENHOR JESUS SEJA SOBRE TODOS NÓS !

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CONTO EM REEDIÇÃO, EM HOMENAGEM À MINHA INESQUECÍVEL AMIGA

DORIS INGRID ZIEHLKE YAMAGUCHI

QUE O SENHOR LEVOU !

SENSÍVEL DEMAIS! UMA DAS MELHORES PESSOAS QUE CONHECI!

NO MUNDO, POUQUÍSSIMAS PESSOAS TÊM UM CORAÇÃO TÃO

COMPASSIVO E PERFEITO QUANTO ERA O SEU !

AMIGA DESDE O COLÉGIO. NASCIDA EM BERLIM, CHEGANDO AO BRASIL AOS DOZE ANOS, A FAMÍLIA SE ABRIGANDO NO PÓS-GUERRA.

INSPIROU-ME O CONTO, CONTANDO PASSAGENS DE PERIGO, VIVIDAS NA ALEMANHA . MUITA CONTURBAÇÃO SOCIAL!...

ESTEJA EM PAZ, DORIS !

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"NÃO HÁ BEM QUE SEMPRE DURE NEM MAL QUE NUNCA SE ACABE"

“ L’Espoir vaincu, pleure!” Baudelaire

“ A Esperança vencida, chora!”

“ Desenganemo-nos da Esperança, porque trai!”

Fernando Pessoa

Era uma vez um rei muito perverso. que só pensava em aumentar cada vez mais os seus domínios.

Ordenou que seus súditos invadissem terras alheias, conquistando os territórios. Tinham permissão para lutar, escorraçar, matar, tudo! Isso, para que seus poderes se estendessem por países longínquos, pois desejava muito ser dono do mundo.

Seu exército pôs-se a caminho. Depois de muito cavalgar por vales, atravessando rios e trilhas perigosas, eis que aparece o país ideal.

Os soldados do rei se aproximaram com hostilidade e iniciou-se uma peleja de grandes repercussões. O poderoso invasor não conseguiu dominar todo o território, mas dividiu as fronteiras , passando a dono e senhor da metade daquele país.

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Naquela manhã, a ESPERANÇA estava meio desanimada. O dia estava sombrio, frio e triste.

De repente, batem à porta,repetidamente e com força. Ela estranha e sai a abrir.

Cansada de tanto correr, a IMPACIÊNCIA vai entrando, sem pedir licença. Vai logo dizendo:

_ Arrume-se logo , que a VONTADE vem vindo, mas tão devagar, que não consegui esperar. O MEDO e a SOLIDÃO também estão por chegar. E a minha amiga , a PRECIPITAÇÃO, estava tão ocupada , que a deixei para trás.

_ Mas o que aconteceu? Por que estão vindo?

Nesse momento aparece a VAIDADE de mãos dadas com a CORAGEM.

_ Vamos, vamos, gente! Não vejo a hora de me mostrar!_ dizia a VAIDADE, esperando que a CORAGEM tomasse a frente de tudo, por mais perigoso que fosse. Mas enquanto a VONTADE não chegasse, nada poderia ser feito.

Foi aí, que ela chegou e foi logo dizendo que sem a ESPERANÇA ela não era ninguém. Estava muito fatigada, afirmando que “ sem mim, ninguém faz nada! E comigo, até o que parece impossível, é feito.”

Quem faltava, veio chegando e a reunião começou.

A SAPIÊNCIA disse que todo o zunzum tinha acabado de se confirmar. De fato, a região já estava dividida em duas partes. Quem tinha ficado no lado A, não poderia passar para o lado B, a não ser que fosse trabalhar. Havia grandes interesses políticos em jogo. Era uma terrível guerra de poder.

_ Todos precisamos ajudar! Eu vou ficar perto de quem me quiser! _ disse a VONTADE.

_ Eu, pouco poderei fazer. Comigo ao lado , todos ficam paralisados._ disse o MEDO.

_ Pelo contrário! Em tudo o que fazemos , há de ter uma boa dose de MEDO. Você nos torna precavidos e, portanto, nos protege. Eu, que sou a CORAGEM, às vezes, se não for na hora certa, posso até prejudicar. E se a PRECIPITAÇÃO e a IMPACIÊNCIA estiverem por perto então!..

_Nós? Ora, podemos socorrer quando a INDECISÃO estiver titubeando.

_ E eu, colegas? Como poderei ajudar? _ perguntou a VAIDADE. Na verdade, o que eu gosto mesmo é de ser admirada, mas haverá algo que eu possa fazer?

A SAPIÊNCIA então, com calma, ponderou que, de fato, para ajudar, é preciso pensar mais no próximo do que na gente. Todavia, quando o ego se enche, o sujeito se perde.

_ É quando você terá suas armas, VAIDADE !..

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No lado A, os impostos eram exorbitantes. Os maiorais começaram logo a requerer tudo de melhor pra si mesmos, enquanto as famílias sofriam as faltas mais básicas. Sem contar com a severa vigilância, para que ninguém fugisse. Era questão de honra para as lideranças.

Bem que João e outros meninos, tinham visto quando eles instalaram um enorme, enorme mesmo, portão de ferro no meio do caminho, para impedir as fugas.

No único trem que levava os trabalhadores para o outro lado, era bem rigoroso o olhar e incansável a atenção sobre os passageiros. Estes não poderiam passar com embrulho grande ou bolsa maior, nada que despertasse desconfiança.

Cada vez mais, todos aqueles que não puderam sair para o lado B, sentiam os apuros e perigo de prisão e morte. Era tudo extremamente pesado.

Por isso, famílias inteiras iam separadamente no trem, carregando coisas em pequenos embrulhos escondidos, deixando do outro lado o que podiam, na esperança de um dia irem todos para lá.

Um dia, uma adolescente foi parada pelo guarda carrancudo. A VAIDADE veio em seu auxílio. A mocinha elogiou-lhe o uniforme. Depois, disse que ele parecia ser um guarda justo e inteligente e que no pacote, ela só tinha coisas de mocinha. Mas se ele quisesse olhar...

Ora...ora... Com o ego cheio, o sujeito acabou por liberar a esperta menina.

Mas a verdade é que os habitantes daquela terra não cantavam mais, já não podiam cultivar os seus jardins e as flores estavam acabando.

Certo dia , João, por estar usando uma camisa de boa qualidade e vistosa , foi apanhado pelos soldados inimigos. Carregaram o menino para o matadouro de porcos e bois, onde por vários dias, dormiu sobre feno e envolto em grande fedentina. E que comesse barro, se quisesse! Após uma semana , soltaram-no e o humilharam com ameaças.

O pai do menino esperava o toque de recolher, toda noite; e saía a procurar João todo o tempo. O pobre homem precisou muito da CORAGEM e da PRUDÊNCIA.

Mas quando João apareceu todo sujo, faminto e fraco, foi o AMOR que o recebeu, com a maior ALEGRIA. Ah! João estava vivo!

Os invasores não conseguiram tirar daquele povo subjugado a ESPERANÇA.

Até que , tempos depois, aquele enorme portão veio abaixo. O malvado rei estava morto. Tudo estava mudado pra melhor. Agora sim, já não havia necessidade de oferecer às ocultas, uma panela de batatas cozidas, aos pobres miseráveis que trabalhavam em frente de casa. Já não estavam sob leis arbitrárias. Já não precisavam saudar bandeira inimiga. Já poderiam encher suas bocas de alegres cânticos. Já poderiam cantar o hino de sua Pátria. Os seus campos já poderiam frutificar outra vez, reflorir. A vida voltando!

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E como é bom saber que numa guerra que parece perdida, o homem sempre terá com quem contar! Abaixo DE DEUS, consigo mesmo e com sua FORÇA. Basta querer! Então, a ESPERANÇA o acompanhará em todos os seus caminhos e não o trairá nem se lamentará vencida.

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Esther Lessa
Enviado por Esther Lessa em 28/12/2020
Reeditado em 28/12/2020
Código do texto: T7146414
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