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O JACARÉ E O SABIÁ


                 O JACARÉ E O SABIÁ

     O jacaré não podia ver o sabiá.
toda a manhã quando o retumbante e festeiro pássaro pousava em uma árvore ao lado do charco onde a hedionda criatura vivia, sentia as ameaças mortais e ferinas daquela besta que passava, dia a dia o espreitando na intenção de o devorar, não dava descanso, aquela fúnebre criatura.
     Até que um dia, já não suportando mais aquela interminável perseguição, mais psicológica que física, do alto da árvore o sabiá pergunta ao jacaré.
     _Por quê tu me persegues tanto seu jacaré, por acaso faço parte da tua cadeia alimentar.
     _Olha digníssimo pássaro, fazer parte propriamente tu não fazes, pois alimento-me principalmente de peixes e anfíbios e, particularmente tenho horror a comida que tenha penas e similares e outras cositas mais.
     _Já te prejudiquei alguma vez na vida seu jacaré, ou por ventura falei mal de ti ou dos teus progenitores ai pela redondeza?
     _Pelo que eu saiba não.
     _Algum mal físico que eu te fiz ou algum parente meu tenha te feito, por exemplo, invadir tua propriedade, ou algo que não me recordo?
     _Não, ti não fez nada disso que estás me questionando.
     _Então seu jacaré, por quê tu me persegue tanto e quer me devorar?
     _Olha seu sabiá, sabe por quê que eu faço isso... ...É eu tenho horror desta tua cantoria matinal... ... ... ... ...

     *JORGE LUIS BORGES

Jorge Luis Borges
Enviado por Jorge Luis Borges em 19/02/2019
Código do texto: T6578669
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Jorge Luis Borges
Guaíba - Rio Grande do Sul - Brasil
274 textos (1812 leituras)
4 e-livros (62 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 14/12/19 08:10)
Jorge Luis Borges