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RODOLFO, A PROCURA DE UM AMIGO

Rodolfo era uma baleia branca, que vivia sozinho no imenso oceano. Passava todo o dia a nadar e a se bronzear ao sol.
O maior sonho de Rodolfo era ter um amigo para compartilhar toda aquela beleza que era o oceano, o seu lar.
Desde que deixara seus pais no Polo Norte, nunca mais tivera amigos, e isto o deixava extremamente desolado, porque ele amava amigos.
Um dia resolveu:
- Vou sair a procura de um amigo.
E assim, Rodolfo começou a sua longa viagem pelo mundo, em busca de um amigo, que lhe fizesse companhia.
Ele foi para o norte, para o sul, para o leste e para o oeste, mas, não encontrou nenhum amigo.
Nadou por todo o Meridiano de Greenwich e por toda a linha do Equador, mas amigos não achou.
E Rodolfo foi ao fundo do oceano. Rodou, rodou, e amigo não encontrou. Apenas achou plantas, areia e rochas.
E Rodolfo subiu a margem e olhou o céu, procurando um amigo, mas, só viu às nuvens e o solv, e disse para ele mesmo:
- As nuvens, só trazem chuva e relâmpagos. E além do mais, logo se dissipam, não adianta se ter uma amiga nuvem. E o sol, além de ficar muito distante e quente, só aparece pela manhã, e eu não teria com quem conversar a noite.
Rodolfo continuou nadando, até que avistou uma gaivota, e a chamou dizendo:
- Dona Gaivota, quer ser minha amiga?
E a gaivota, lá do alto, sobrevoou por sob Rodolfo, olhou, riu e falou:
- Eu? Sua amiga? Não iria dar certo. Minha vida é voar, e amo me mudar para outros oceanos, e você vive dentro da água, meu caro. Não, definitivamente, não quero ser sua amiga, pois para tal fato existir, você teria que saber voar, e gostar de se deslocar para outros lugares.
E a gaivota tomou impulso, e para bem alto voou.
E Rodolfo, viu um tubarão, e logo perguntou:
- Senhor, tubarão, quer ser meu amigo?
O tubarão, com seu jeitão desconfiado, parou, olhou bem dentro dos olhos de Rodolfo, e disse:
- Eu não tenho amigos. Eu mato pessoas, animais e peixes pequenos, e você é manso, e não gosta de agressividade como eu. Não, eu não tenho nenhuma intenção de vir a estragar a minha preciosa reputação, construída anos a fio, para ser amigo de uma baleia.
E virando-se, partiu.
Vendo um peixinho a nadar, Rodolfo se aproximou e mansamente, falou:
- Peixinho!! Será que não quer ser meu amigo?
O peixinho deu um pulo assustado, arregalou os olhos, rodeou Rodolfo, e parando enfim, na sua frente, com os olhos ainda bem esbugalhados, vociferou:
- Tá louco!! Você é grande, muito grande, e viveria a me encobrir com todo este seu tamanho. Além do mais, não pode nadar por entre as rochas, e sem contar, que quando eu tiver distraído, você poderia resolver me comer. Afinal, baleias comem peixes, e quero ser alimento para você. Aconselho ainda, que procure alguém do seu tamanho, pois será bem melhor.
E sumiu ligeiro pelas águas do oceano.
E Rodolfo continuou a nadar, e a nadar, até que viu um golfinho, que pulava na água sem parar, dando belas piruetas. E indagou:
- Golfinho!! Por acaso, você gostaria de ser meu amigo?
O Golfinho parou de dar o seu show, e ficou de pé sobre a água, e respondeu, com certa antipatia:
- Seu amigo?.........Eu não creio que não daria certo.
E Rodolfo:
- Por que?
E o golfinho, com olhar de deboche:
- Eu sou rápido, e a minha vida é brincar no oceano. Amo pular e dançar em cima das águas azuis e limpas do mar.  Sendo assim, acho que não temos como ser amigos, pois você nunca conseguiria me acompanhar e nem brincar comigo, com todo esse seu tamanho e banha. Acho melhor você esquecer essa ideia. Agora eu tenho que ir, estou muito atrasado.
E com um pulo sumiu.
Ao longe, na areia da praia, um caranguejo, chamou a atenção de Rodolfo.
- Bom dia, senhor caranguejo!!!
E o caranguejo:
- Um momento......Bom dia!!
Rodolfo:
- Será que por um acaso, o senhor não gostaria de ser meu amigo?
O caranguejo:
- Para que lado você anda?
Rodolfo:
- Para frente é claro!
O caranguejo:
- Não tem nada de claro no assunto, pois eu ando para os lados.
Rodolfo com cara de admirado:
- E o que tem isso?
O caranguejo horrorizado:
- Nada. Você é uma baleia, não é isso?
Rodolfo balançando a cabeça em afirmação:
- Sim. Eu sou Rodolfo, a baleia.
O caranguejo:
- Exato. Logo, não posso ser seu amigo. Gosto de andar na areia da praia, cavar buracos e me esconder. E pelo que sei, baleias não andam. Tem também, o fato de eu ir para os lados, e você para frente, já pensou a confusão? E eu moro em um buraco, e você não cabe lá, como iria me visitar? Você se quer tem patas para poder andar. Sinto muito, mas não tem como sermos amigos. Tchau!!
E cavando um buraco ligeiro, sumiu.
Rodolfo encontrou um barco, e se aproximou. E lá havia um homem, e Rodolfo, então falou:
- Ei, senhor aí nesse barco!
O homem virou-se e respondeu:
- Falou comigo baleia?
E Rodolfo:
- Sim. O senhor humano, não quer ser meu amigo?
O homem riu e respondeu:
- Amigo!! – Gargalhadas. – Você deve ser louco. Eu sou uma pessoa, e as pessoas são os maiores inimigos das baleias, e também sou um matador de baleias, não notou?
Rodolfo, muito assustado:
- O que quer dizer com isso?
E o homem rápido respondeu:
- Nós matamos baleias para usarmos o seu óleo e sua carne. Como posso então, vir a ser seu amigo, se é com a sua morte que me sustento?
E Rodolfo, quase em desespero, mergulhou e sumiu depressa daquele lugar, e chegou ao fundo do mar.
Lá no fundo, ele viu um polvo, que estava tentando se desenrolar, pois, estava com os seus tentáculos completamente embaralhados.
E Rodolfo falou, bem simpático:
- Olá seu polvo! Por um acaso, não quer ser meu amigo?
O polvo:
- Amigo? Não tenho tempo para essas coisas insignificantes. Preciso mesmo é me desenrolar, antes da hora do jantar, ou ficarei com fome.
E Rodolfo, muito calmo e compreensivo:
- Sem problemas. Eu espero o senhor se desenrolar.
O polvo:
- Você tem tentáculos?
Rodolfo, sem entender:
- Não. Sou uma baleia, e não temos tentáculos.
O polvo bem enfezado:
- Se não tem tentáculos, não pode me ajudar. Se não pode me ajudar, por que eu seria seu amigo? Ora!! Suma daqui, e para de me atrapalhar.
E Rodolfo, saiu tristemente, pelas profundas águas do oceano, imaginando, quem poderia querer sua amizade.
Perdido em seus pensamentos, de repente Rodolfo escuta uma voz:
- O que faz no meio do meu caminho? – Perguntou muito afobada, a enguia elétrica à Rodolfo.
Rodolfo dá uma brecada, e abre seu sorriso novamente:
- Eu não sabia que era o seu caminho dona enguia. Desculpa.
A enguia:
- Eu não estou iluminando este caminho?
Rodolfo:
- Sim. Está.
A enguia, com olhar de desprezo:
- Então, é meu caminho!
Rodolfo, um pouco sem jeito:
- Sendo assim, peço-lhe desculpas, novamente. – E sorriu.
A enguia, fazendo pouco caso:
- Tá. Está desculpado.
Rodolfo:
- E já que me desculpou, o que acha de sermos amigos?
Ela o olhou indignada, e respondeu asperamente:
- Para você esconder toda a minha luminosidade, com esse seu tamanho estrondoso? Nunca!! E saía do meu caminho.
E a enguia partiu.
Rodolfo, enfim, avista uma belíssima sereia, que estava pegando sol em uma rocha no meio do mar. E pergunta-lhe:
- Bela sereia, quer ser minha amiga?
A sereia virou-se olhando-o, e respondeu:
- Como? Você é grande e muito gorda, não é bela como eu. E aposto, que nem consegue pegar um solzinho deitando por sobre as rochas.  E nem tem a minha voz maravilhosa para cantar, encantando os marinheiros e os enlouquecendo de amor, fazendo com que se joguem ao mar, deixando assim, os navios afundarem. Não é?
Rodolfo a olhava pasmo para a linda sereia;
- Você faz tudo isso?
A sereia:
- Óbvio, sou uma sereia. É minha função.
Rodolfo:
- Nunca imaginei que sereias fossem más.
A sereia:
- Não somos más. Os homens é que são seres fracos, que se deixam levar.
Rodolfo:
- É, então creio que não tem como sermos amigos. Você está certa. Adeus!!
A sereia:
- Não quer ver eu afundar um navio?
Rodolfo:
- Creio que eu iria atrapalhar.
A sereia pensativa:
- Verdade!! Então, até mais.
Rodolfo, já estava cansado de tanto procurar um amigo, quando escutou um choro que vinha de uma pequena ilha. Era um elefante, que chorava desesperadamente. Ao ver aquilo, Rodolfo resolveu se aproximar da ilha e saber se o elefante precisava de alguma ajuda, e o porquê de tanto choro.
Começou então a nadar em direção da pequenina ilhota. Quanto mais se aproximava, mais alto escutava o choro do pobre elefante.
Rodolfo aproximou-se do elefante chorão, e perguntou:
- Senhor elefante, por que está chorando?
E o elefante chorou mais forte ainda, ao ouvir Rodolfo falar. E Rodolfo ainda curioso em saber o motivo de tal choro, voltou a perguntar:
- Por que está chorando senhor elefante?
E o elefante ainda em prantos:
- Por isso mesmo!
Rodolfo, sem nada entender:
- Por isso mesmo, o que?
O elefante segurando o choro:
- Por eu não ser um elefante.
Rodolfo, mais confuso ainda, fala:
- Quer dizer, que não é um elefante?
O elefante conteve o choro, e balançou a cabeça em afirmativo:
- Exatamente, não sou.
E Rodolfo, cada vez mais perplexo:
- Se não é um elefante, é o que?
E o elefante, mais tranquilo:
- Uma elefoa.
Rodolfo:
- Mas, elefoa não é o mesmo que elefante?
A elefoa mexeu com os olhos para cima:
- Claro que não, seu burro!
Rodolfo se chateia:
- Não sou burro. Sou uma baleia.
A elefoa:
- Eu sei o que você é.
Rodolfo:
- Então, não me chame de burro.
A elefoa, já se divertindo;
- Mas, bem que parece.
Rodolfo:
- Parece o que?
A elefoa;
- Nada, esquece.
Rodolfo;
- Fala então, qual a diferença de elefante e elefoa?
E elefoa:
- Fácil. O elefante é um garoto, e a elefoa uma garota.
Rodolfo:
- Entendi. Quer dizer que você não gosta de ser chamado de elefante, porque é uma garota, certo?
Ela sorri:
- Certo. Eu queria que todos me chamassem de elefoa, ou algo que mostrasse que sou uma garota, entende?
Rodolfo:
- Já tentou usar um laço?
A elefoa:
- Já. Perguntaram quem tinha me empacotado para presente.
Rodolfo, admirado:
- Nunca havia pensado nisso.
A elefoa, abrindo um pequeno sorriso:
- Sabe, eu queria algo que também me distinguisse das outras elefoas. Algo que só eu possuísse.
Rodolfo fez cara de pensativo:
- Uma bolsa talvez?
A elefoa, arregalou os olhos assustada com a bobagem:
- Não. Quero algo que não possam me tirar. E que dure toda a minha vida.
Rodolfo puxou mais ainda pelo seu pensamento:
- Acho que sei o que poderia ser! – E abriu um largo sorriso.
Finalmente ela se empolgou e perguntou:
- O que poderia ser?
E Rodolfo se achando, responde:
- Você poderia fazer como eu.
Ela sem entender, indaga:
- Não entendi. O que você fez?
E Rodolfo bem empolgado:
- Antigamente, todos me chamavam de baleia. E como no local em que eu morava existiam muitas baleias, ficava bem complicado para saber quem estava falando com quem. Então, um dia tive uma ideia, e arranjei um nome para mim. Agora, eu não sou só uma baleia como outra qualquer no meio do oceano, eu sou: RODOLFO!
A elefoa deu um sorriso maior ainda, e começou a sentir-se animada:
- Que legal, Rodolfo! Quer dizer que eu também poderei me distinguir de todos os outros elefantes e elefoas?
Rodolfo:
- Claro! Basta querer, e escolher um nome.
Ela começava se sentir mais confiante:
- Então, eu posso ter um nome só meu, e os outros vão parar de me chamar só de elefante. Que legal!!
Rodolfo:
- Sim. Isso mesmo.
E a elefoa:
- Poxa! Estou tão feliz em saber que posso ser diferente. Muito obrigada Rodolfo.
E os dois trocaram um sorriso.
E a elefoa pergunta:
- E como você acha que devo me chamar?
Rodolfo pensou, e respondeu:
- Não sei. Mas, existem muitos nomes, e você pode escolher qualquer um deles, basta querer.
Ela o olha com dúvidas:
- eu não tenho nenhuma ideia. Diga alguns?
Rodolfo:
- Bem, pode ser: Maria, Ada, Betânia, Dalila, Elisa, Joana, Rute...
E a elefoa:
- Não, não, não, não, não, não, não.........
Ele:
- Araci, Celi, Adriana, Júlia....
Ela:
- Não, não, não, não.....
Ele:
-Então, pensemos mais.
Ela balança a cabeça:
- Concordo Rodolfo.
E os dois ficam bem concentrados, pensando.
E pensaram, pensaram, pensaram e pensaram, ainda, por um bom tempo. E Rodolfo fala:
- Que tal, Gertrudes? É bem diferente.
Ela balança a cabeça em negativa:
- Não! Quero um nome que combine mais comigo, como se tivesse sido criado especialmente para mim. Algo que seja a minha cara.
Rodolfo resmunga:
- É! Gertrudes não combina mesmo com você. Olhando para você, acho que você tem cara de.......... – E fica pensando.
E os dois se concentram mais ainda, e pensam, pensam, pensam, até que a elefoa dá um grito, dizendo:
- Achei!!
Rodolfo assusta:
- Achou o que?
Ela, alegre:
- Um nome para mim.
E ele empolgado, perguntaa:
- Qual? Como vai ser?
A elefoa dá um imenso sorriso de alegria, enche o peito de ar, e fala toda pomposa:
- Vou me chamar, a partir de hoje, Valéria! Gosta?
Os olhos dele brilham de felicidade. E ele responde:
- Valéria!!
Ela muito emocionada:
- Sim. Valéria combina comigo? O que acha?
Ele cheio de satisfação, diz:
- É perfeito. É a sua cara, combina demais com você. E além do mais é um lindo nome. Acho até que é a sua própria imagem, como se tivesse sido feito especialmente para você. E agora, oficialmente, você tem um nome, e é mais especial ainda. É única.
Valéria agora radiante, fala:
- Sabe Rodolfo, agora que eu tenho um nome, acho que só falta uma coisa para completar a minha felicidade. Um pequeno detalhe.
Ele curioso, indaga:
- E o que te falta ainda, Valéria?
Ela sorri mais ainda, quando Rodolfo a chama pelo nome, e diz:
- Um amigo! Eu sempre quis ter um amigo. Apesar de andar em manada desde o nascimento, eu sempre senti falta disso.
Ele incha de felicidade, e responde:
- Ora! Esse também, sempre foi o meu grande sonho. Podemos ser amigos? Pois, me sinto muito sozinho, desde que saí de casa, e nunca tenho ninguém para conversar, brincar e passear.
Os olhos dela brilham como o sol, e ela fala:
- Será uma honra ser sua amiga Rodolfo. Para dizer a verdade, acho que já somos amigos.
Ele sorri:
- Que bom Valéria, seremos inseparáveis.
E os dois se aproximam e Valéria o beija na bochecha com a sua trompa, e Rodolfo jorra água em cima dela, e eles riem muito.
E Rodolfo e Valéria se tornam grandes amigos e companheiros.
Agora, tanto Rodolfo como Valéria têm um amigo para compartilharem suas vidas, e não estão mais sozinhos. E os dois saem por aí, a brincar, conversar, nadar e sorrir, sempre felizes.
E se algum dia, você estiver navegando pelos oceanos, e avistar uma grande baleia branca e uma elefoa sobre ela, lembre-se, que eles são grandes amigos, e que são muito importantes um para o outro, pois não são somente uma elefoa e uma baleia, eles são VALÉRIA e RODOLFO.
- FIM -















   





NOÉLIA NOBRE
Enviado por NOÉLIA NOBRE em 23/01/2019
Código do texto: T6557743
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
NOÉLIA NOBRE
Fortaleza - Ceará - Brasil, 51 anos
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NOÉLIA NOBRE