Trafegávamos pela DF-475, minha esposa e eu, quando vimos uma cena que muito tocou nosso coração.  Um triste cão abandonado no acostamento, de olhar perdido, preso na estrada à espera do dono que jamais o virá buscar. O mais revoltante é que ninguém é obrigado a criar nenhum animal! Mas, se alguém o pega para criar, então que o crie e o trate bem. Da parte do cão ele daria sua própria vida para defender a do seu dono. Por que não pensam nisso? Alguém que assim age, não merece minha confiança, pois volúvel como é, a qualquer momento nos dará um pontapé do traseiro, não tenham dúvida disso. Não!
 
ELE   NÃO   ME   DEIXARIAM
JAMAIS ME ABANDONARIA

(POBRE CÃO ABANDONADO)
Fosléxis #021:
 6-2, 6-2, 3-3-2. Heptassílabo.
ABCCBA DD, EFGGFE HH IJI JIJ KK

Dando partida no carro,
Buzinou e abriu-lhe a porta.
Cauda vibrante e contente,
Mostra os dentes, sorridente.
Pra passear, bem se comporta,
Com o dono… de olhar bizarro.

Arranca, canta pneu...
Qual bicho que lhe mordeu?

Na curva da estrada, um gato.
Pára e diz: “Chispa! Pega!”
Sem esperar segunda vez,
Salta o cão sem mais talvez.
E, enquanto esse pega-pega,
Foge o dono. Mas que ingrato!

Passa um tempo, volta o cão.
Nada de dono… Traição!

O totó, de olho na estrada,
Semana após semana.
Na curva após a lombada.

“Não creio qu'ele me engana!”
Chove, faz sol e nada...
Sem dormir, pesa a pestana.

E, há meses a esperar,
Paciente, sem se alterar.

 
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Fosléxis , de Fós (gr. phós = luz); Léxis ('cs', gr. = palavra), ou seja, 'palavra de luz'. p.ex. ideia brilhante, versos iluminados.

Fosléxis, criação do Poeta Bosco Esmeraldo, faz parte do seu acervo estilístico ALELOS ESMERALDINUS.
São 24 versos dispostos na formatação:
Estrofação: 6-2, 6-2, 3-3-2.
Métricas: tetra, penta, hexa, hepta, enea e decassílabos.
Rimada: ABCCBA DD, EFGGFE HH IJI JIJ KK

Obs.: As regras de rimas preferencialmente podem e 
devem ser mantidas, mas, deixamos o poeta mais livre. É permitido usar 'pseudorrimas', ou seja, aproximação de sons utilizando-se da assonâncias ou aliteração. Isto é, rima com repetição de sons ou proximidade sonora.

Só se sabe o sabor do quitute aquele que o degusta. Então, mãos à obra e sejam bem-vindas belas obras.

Faça pelo menos um e se apaixone por ele!
Alelos Esmeraldinus
Enviado por Alelos Esmeraldinus em 14/12/2014
Reeditado em 15/12/2014
Código do texto: T5069441
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