Workaholic a produtividade tóxica
Diversas empresas defendem a produtividade tóxica em sua cultura organizacional. Nesses ambientes, quanto mais um profissional trabalha, mais celebrado ele é, independente dos desdobramentos que isso provoca em sua saúde emocional e mental. Por conta disso, há a normalização de ideias como os profissionais perderem noites de sono, refeições, momentos de lazer e pausas para descansar.
Além disso, até mesmo fora dos ambientes corporativos, frases como “trabalhe enquanto eles dormem”, “estude enquanto eles se divertem” e “lute enquanto eles descansam” são amplamente repetidas, o que mostra a conivência e a relativização em relação a esse tipo de comportamento.
Em um mercado competitivo e onde essa cobrança é tão forte que tem até nome – cultura da agitação, ou hustle culture – os profissionais entendem que precisam se transformar em máquinas de trabalhar para que consigam resultados mais significativos e, assim, sejam bem-sucedidos. Essa é a ideia de muitos que se tornam workaholics: satisfazer não apenas as demandas da empresa, mas atingir objetivos pessoais.
O problema é quando isso começa a se transformar no único objetivo da vida da pessoa e ela perde o controle do momento de parar. Eventualmente, problemas seríssimos de saúde aparecem, bem como atritos nas relações interpessoais, sentimento de culpa quando não está trabalhando, além do afastamento de amigos e família.
Workaholismo não é uma doença propriamente dita, assim como a síndrome do pensamento acelerado, por exemplo, também não é. Em ambos os casos, os transtornos não são descritos em livros importantes para a psiquiatria como o Manual Diagnóstico Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM). Contudo, como o vício em trabalho descreve uma condição de obsessão e dependência, ele gera características muito específicas em quem sofre desse mal.
Nessas condições, é normal que relacionamentos de todos os tipos fiquem comprometidos. Afinal, a pessoa não aparece, se ausenta com frequência e também pode acabar faltando com atenção e afeto aos entes queridos. Como mencionado anteriormente, tudo que importa para ela é o trabalho e, por isso, talvez ela nem seja capaz de entender a falta que faz para os demais. Por conta do estresse, frequentemente essas pessoas tornam-se menos pacientes e podem agir com impulsividade.
A pessoa não tem hobbies
Não são apenas os relacionamentos que são deixados de lado por um workaholic; os cuidados consigo mesmo também ficam negligenciados. Por isso, é comum que essas pessoas não tenham momentos de distração e rechacem completamente qualquer atividade de lazer. Em médio e longo prazos, essa conduta pode ser extremamente nociva, já que é justamente nos momentos de descanso e fazendo o que gostamos que recuperamos a energia gasta nas rotinas de trabalho. Para isso, desenvolver o autoconhecimento e realizar atividades alinhadas ao perfil comportamental é essencial.
Além desses, alguns “sintomas” comumente associados ao workaholismo são:
Conferir e-mails de trabalho a todo momento;
Nunca estar satisfeito com os resultados e achar que poderia ter feito mais;
Ser o primeiro a chegar no trabalho e o último a sair dele praticamente todos os dias;
Só conseguir dialogar sobre trabalho ou assunto relacionados e ele;
Irritar-se quando as pessoas não estão no mesmo ritmo de produção;
Ter dificuldades para dormir ou sonhar com o trabalho;
Sofrer com lapsos de memória;
Ter alterações de humor com frequência;
Consumir exageradamente café ou outros estimulantes;
Ter dificuldade em desacelerar e ficar sem fazer nada, mesmo quando deveria estar descansando;
Fazer uso de medicamentos ou entorpecentes para relaxar.