A classe trabalhadora e a luta de classes - breve ensaio

Primeiros passos

Não é bom que os trabalhadores tenham opiniões políticas mais profundas. Se isso acontecer, eles podem se conscientizar. Um trabalhador consciente é a arma mais letal, a arma contra a qual não há outra possível. A burguesia não está pronta, não está preparada. A burguesia teme que o trabalhador tenha consciência de sua história, teme que ele questione sua condição. Teme que o trabalhador avance sobre ela. A burguesia teme a consciência que o trabalhador possa ter e, consequentemente, se organizar. A organização do trabalhador é tudo o que mais assusta a classe da burguesia, por isso ela teme, por isso, ela se arma. Ela não está preparada para perder o controle. Estar no poder, manter o controle, é o ideário da burguesia, e para isso, ela lança mão de todos os meios e métodos, sem limites, sem escrúpulos. Ela detém exércitos. Detém os meios de comunicação, detém a produção e disseminação de conhecimento. Os meios de produção estão nas mãos da burguesia. A burguesia controla o sistema financeiro, controla o Capital e explora o trabalho. Os postos de comando estão nas mãos da burguesia. Nada ao trabalhador, apenas o chão da fábrica, apenas a energia e a força de trabalho que dele se possa extrair. A burguesia não tem alma, não tem coração. A burguesia tem interesse. Interesse pelo poder, e poder para manter seus interesses, não importa a ordem, não importa por quais meios, importa manter seu status.

Consciência e Luta de Classes:

Todavia, nada se constrói sem a força de trabalho do proletariado. É das mãos do trabalhador que sai a casa, a roupa, os móveis. É das mãos do trabalhador do campo, o camponês, que a comida deixa a terra e chega aos nossos pratos. Operário e camponês, irmãos trabalhadores, campo e cidade, juntos, um só corpo. Nada se move sem a força do trabalhador. O trabalho é a história da humanidade. A luta de classes é a historia da humanidade. Desde os tempos da caverna, duas classes surgiram e, desde então, lutam. Lutam pelo controle da caverna, lutam contra aquele que tomou posse da caverna, lutam contra aquele que cercou o primeiro pedaço de terra. Cercar o primeiro pedaço de terra; nasce propriedade privada. O dono da caverna ou do primeiro pedaço de terra, fez nascer os que tem e os que não tem. E depois, com o surgimento das fábricas, o fim do artesão, o nascimento da classe trabalhadora, o nascimento do proletariado.

A Burguesia e as Instituições :

Os exércitos estão a serviço da burguesia. É o braço armada da burguesia. Para defender os interesses da burguesia, os exércitos vão à guerra, destrói nações, rasgam tratados. Em nome e defesa da burguesia, irmãos de pátria são presos.

O sistema judiciário é o braço e a espada legalista da burguesia. É através do sistema judiciário que se encarceram trabalhadores quando lutam pelos seus direitos. A justiça é cega e surda. Cega quando não enxerga as atrocidades da burguesia. É surda, quando não escuta o clamor dos trabalhadores contra a exploração da burguesia. Os exércitos estão a serviço da burguesia, todavia, não duram a vida inteira. Eles se desgastam, ora pelo cansaço, ora pela própria condição precária com que lutam. Com o tempo, o próprio exército se dá conta de ser apenas uma peça no tabuleiro de interesses da burguesia. Soldados são trabalhadores, é preciso despertá-los para a luta. O trabalhador, somente ele, sabe e deve ser dono do seu destino.

Distrações:

A burguesia cria distrações para que o trabalhador não tome consciência. Desviar a atenção do trabalhador dos problemas que interessa, é a primeira arma , e de menor custo, da burguesia (os exércitos, sempre à postos, entram em cena quando a distração perde eficiência). Distrair para não pensar, distrair para vender momentos de felicidade. Criar sensações de felicidade, outra arma eficaz para que o trabalhador não forme sua consciência de classe. Na Roma antiga, os jogos de gladiadores eram as distrações do povo. Pão e circo, ferramenta eficiente de distracão. Nos tempos modernos, a televisão, substituiu os gladiadores da Roma antiga. A arena do futebol pode ser alcançada através do pequeno aparelho que decora as salas de visitas. Programas diários, e sem familiaridade com o trabalhador, são desenvolvidos para entreter. Distrair para atrair, slogam camuflado nos programas de domingo. Atrair o trabalhador para seus interesses, cooptar o trabalhador para defender os interesses da burguesia, tem sido a ferramenta sútil e eficaz da burguesia. Trabalhador sem consciência de classe, sem consciência de sua história, é presa fácil. A burguesia sabe e aposta nisso, por isso, pão e circo, por isso, distrações.

Conclusão:

A classe trabalhadora, ciente e consciente de sua importância histórica, unida em corpo e alma, não cederá ao canto da sereia da burguesia, nem á flauta mágica das suas ofertas de entretenimento.

O trabalhador unido é o martelo no caixão da burguesia.

Desde que surgiu a classe trabalhadora, a luta de classes tem sido a luta da humanidade.

O proletariado unido é mais forte. Unido, rompe as correntes.