Uma forma diferente de protesto. Será que funciona?

Os inconfidentes do Lollapalooza

*Por Antônio F. B

Em 28 de Agosto de 1963 Martin Luther King fez um dos maiores discursos da história para quase 250 mil pessoas.

Em frente ao Memorial Lincon, ele tornou célebre a repetição dos trechos EU TENHO UM SONHO, um discurso épico que até hoje faz ferver o coração de quem o ouve e ainda que não queiramos, lágrimas brotam de nossos olhos todas as vezes que o escutamos.

Por cerca de 10 minutos ele declamou o sofrimento de um povo (raça), falou com todas as letras onde estavam sendo incomodados e apontou de forma poética os caminhos para que tais problemas fossem resolvidos.

A segregação racial era a maior dificuldade que eles viviam naquela ocasião e queriam pôr um fim nessa situação. Os negros eram tratados como lixo por uma parte significante dos brancos daquele país e isso precisava mudar urgentemente. Aquele era o “dia D”.

Eles perceberam que pelas leis humanas e “divinas” nada seria mudado, então resolveram agir para dar um basta nisso. Decidiram que era hora de mudar o curso da história, exigindo aos detratores um tratamento digno comum a todos os seres humanos. Estavam cansados de serem tratados como se fossem animais e isso precisava mudar.

PALAVRAS BEM DIRIGIDAS E COM UM INTENTO ESPECÍFICO Martin vociferou naquele dia...

Um texto bem elaborado com um arsenal de termos claros, descrevendo um objetivo à ser alcançado. As pessoas foram bombardeadas com aquele discurso maravilho, que junto à linguagem não verbal fez transparecer os ideais de mudança de um povo sofrido.

O mundo inteiro foi tocado por aquele gesto. Um grito de igualdade ecoara no ar e logo povos oprimidos do mundo inteiro usariam como referência, tanto o texto quanto o seu idealizador.

Se não fosse a clareza de suas palavras e a grandiosidade de suas ações antes e depois do discurso, aquele movimento seria vão e o mundo de hoje seria diferente. Talvez um pouco mais sombrio, quem sabe um pouco mais injusto, deveras um pouco mais sangrento!

Apenas 46 anos depois desse dia memorável, em 20 de Janeiro de 2009, Barak Obama, um homem negro estava sendo empossado como presidente deste país, se tornando um dos homens mais poderosos do mundo inteiro. O povo que antes oprimia negros indiscriminadamente agora elegia um deles para ser seu representante maior.

Quem diria!

O que um texto ou discurso bem elaborado não fizer, outra coisa não o fará, a não ser pela manipulação política, religiosa ou por meio da opressão bélica. Mesmo assim, essas ultimas 3 citadas poderá ter um efeito reverso na maioria dos casos.

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De modo quase invertido, no dia 25 de Março de 2022, no Autódromo de Interlagos, num evento que (segundos os organizadores) reunira cerca de 300 mil pessoas em 3 dias de festa, um tipo de protesto semelhante ocorreu. Semelhante apenas pela quantidade de pessoas reunidas e pela oportunidade de passar uma mensagem coletiva a um grupo numeroso. Diferente porém no modo de transmitir o que se queria dizer, usando palavras obscenas, sem sentido, sem propósito cujo intuito principal parecia ser apenas o de insultar um rival político como se isso fosse de fato derrubá-lo.

Neste evento, foliões, celebridades midiáticas e alguns cantores quase que em uníssimo fizeram um coro usando as seguintes palavras: BOLSONARO, VAI TOMAR NO C*... repetindo isso incontáveis vezes durante alguns minutos como se fosse um tipo de mantra.

Essa forma de protesto foi retratada por alguns meios de comunicação como sendo um verdadeiro ato revolucionário, como se estas palavras ditas de forma jocosa tivessem o mesmo peso que vários outros discursos e protestos já produzidos (ocorridos) na história humana.

Será que tal manifesto teve mesmo tanto efeito assim ou esse evento servirá apenas como símbolo de vergonha alheia como tantos outros semelhantes? O tempo dirá!

Me pergunto: o que exatamente o termo “vá tomar no c* quer dizer? Existe algum propósito nisso ou é apenas o desejo coletivo de aparecer nos trends topics da semana?

Existe de fato um real desejo de mudança com essas ações (palavras) ou apenas o interesse em monetizar com visualizações e likes?

Será que o desejo de ver um país melhor por meio da mudança de gestor é para o bem de todos ou seria só para o bem dos que comerão dos seus sobejos e andarão em suas sombras? Algo a se pensar...

Desconfio de pessoas que fazem muito barulho e não dizem absolutamente nada!

As vezes ás vejo como se fossem mísseis teleguiados em busca do alvo a ser destruído. Eles pensam que estão no comando, mas não estão! São apenas meras ferramentas do sistema e serão descartados tão logo o propósito de quem os guia seja alcançado. Isso vale para os líderes religiosos que atualmente bajulam o presidente em troca de benefícios pessoais (1 kg de ouro?), quanto para um “opositor” que vende a si mesmo como se fosse uma mente brilhante numa sociedade de alienados (de ambos os lados) mas no fundo é apenas mais do mesmo.

Acredito ter sido uma péssima escolha o uso de tais palavras e a forma como foram expressadas. Havia tantas outras que poderiam ser ditas e escolheram logo aquelas...Queriam mesmo mudar alguma coisa ou só “lacrar”?

Nossa língua é tão rica, tão poderosa, tão majestosa...

São + de 400 mil verbetes que podem ser combinados de formas variadas, podendo criar infinitas sentenças, comandos, manuais, rimas, prosas, poesias, discursos...e o sujeito escolhe dizer VÁ TOMAR NOKU como forma de protesto!

Afff! Pergunto outra vez: O que isso quer dizer exatamente? É pra ele ir tomar algum tipo de bebida? Um tipo de remédio? Um sedativo...?

Nada me vem (nunca me veio) à mente quando alguém diz isso pra quem quer que seja, independente de quem seja o alvo.

Na maioria das vezes vejo tal citação sendo usada com frequência por pessoas que agem feito burras, de curto vocabulário e possuídas de muita raiva.

Pessoas ensandecidas, cheias de cólera que para cada 5 palavras ditas 2 são palavrões e que diante de confronto de ideias, não tendo outra coisa a dizer, emitem grunhindo sujos que parecem sair dos próprios intestinos, algo como uma grande flatulência, só que sopradas pelo orifício bucal, e quando perdem o controle mandam os outros tomar alguma coisa pelo reto como se este fosse capaz ingerir alguma coisa.

Sendo assim, se é possível tomar algo pelo c*, penso ser também possível também peidar pela boca (segundo o desdém ou ira com que tal enunciado é citado). É isso que significa tomar no c*? Um peido pela boca? Há outros termos obscenos que sendo usados poderiam trazer alguma referência de imagem ou ação, porém com esse, não consigo visualizar nenhum.

Em protesto assim, se dissessem que queriam água, luz, moradia, educação, emprego, segurança, serviços públicos de boa qualidade... acho que seriam entendidos, ainda que não atendidos em certos casos.

Se dissessem até que queriam o livre direito de caçar toupeiras aladas no vale dos unicórnios dourados, tudo bem também. Pelo menos uma imagem mental nos seria transmitida e tais falas teriam algum sentido, mas... VÁITOMARNOKU?

Credo! A única imagem que me vem à mente me causa nojo.

Acho que isso (essa citação) não quer dizer nada e nada será feito como resposta pois nada se foi dito!

A ideia de perca temporária de poder é a mais eficiente forma de enganar os que por eles sonham e não saberiam o que fazer caso o possuíssem de fato. Os poderosos sabem disso e usam essa máscara para deixar que os iludidos se achem o máximo, donos da situação quando citam uma frase chula e desprovida de significado.

Usar de modo reverso a tão sonhada (e mal compreendida) liberdade de expressão para iludir um povo ignorante, faz com que qualquer tolo em uma manifestação de rua se sinta como se fosse um deus mitológico liderando uma grande armada contra inimigos indefesos. Estes (os iludidos com a falsa ideia de poder) enxergam até hostes celestiais cantando suas glórias no pós vida, quando desta se forem. É pura ilusão, uma grande bobagem é comprar essa ideia.

Entregar um troféu de papelão num dia de chuva a um corredor que nem pernas tem por ter vencido uma corrida só em sua própria mente é tão útil (em poder simbólico) quanto esperar para fazer tranças nos cabelos que crescerão na pia de mármore do seu banheiro só por que você derramou um conteúdo capilar em sua superfície.

Coisas (esperanças) desse tipo, ao invés de se algo tornar épico, acaba se tornando algo patético, uma aberração em certos casos.

Só para refrescar vossas memórias: Lembram do #Ele não? Pois é....Ele está aí!

Pra sorte ou azar, só o tempo dirá.

Depois que todas as contas forem fechadas e as influencias midiáticas em favor ou contra ele não for mais uma pedra de tropeço para o processo analítico de uma pessoa comum é que poderemos avaliar de uma forma mais justa.

Lembram do Ninguém solta a mão de ninguém? Pois é.... isso também não deu em nada!

Pouco tempo depois, quem era do contra hoje come no mesmo prato e quem brigou e desfez amizades de longas datas por causa do “político verdadeiro”, se ferrou!

Hoje gastam energia, tempo ou dinheiro passando pano para encobrir os rastros e as sujeiras daqueles que diziam se ilibados, como uma virgem de lábios intocados, mas eram apenas mais um político de estimação como outro qualquer. Nem mais feio, nem mais bonito, apenas mais agressivo e de vocabulário torpe.

Não estou dizendo que não devamos protestar e nem estou querendo ditar as “formas corretas” de protesto!

Só estou dizendo que quem não sabe o que realmente quer e onde quer chegar, sempre será massa dos outros!

Será conduzido à lugar nenhum, ficará sempre perdido e os que se apresentam como salvadores, por sua vez irão oferecer migalhas como fosse um banquete, como se este fosse a solução final de todos os problemas, quando na verdade é apenas o início de um novo enigma.

....

Esse ano, em 7 de Setembro, nós Brasileiros celebraremos os 200 anos da independência de nossa pátria dos domínios de Portugal.

Poderiam ser 240 anos e não 200, caso os inconfidentes mineiros não tivessem traído o sonho de um povo, além de condenar à morte o Alfares Joaquim José da Silva Xavier. Tiradentes foi “morto pelas costas” e a causa pela qual lutaram fora temporariamente desbaratada.

Havia um plano desenhado para a libertação de um povo oprimido por uma monarquia que muito extorquia do povo e pouco oferecia a ela.

Os discursos dos “rebeldes” seguiam seus propósitos. Além de palavras claras havia objetivos claros que deveriam ser executados nas surdinas.

Se não fossem os inconfidentes...

De acordo com o dicionário, um inconfidente é aquele que trai uma causa, que entrega os seus companheiros ou planos em prol de recompensas pessoais.

Desprovido de palavras, de um objetivo coletivo e visando apenas benefícios para si e sua família, um inconfidente pode transformar um grande projeto em uma causa perdida ou em ato patético, mesmo quando encena ser um herói.

Escolhi dar o título acima a este texto justamente por isso: por não ver um enunciado de causas, um propósito, um objetivo específico ou uma narrativa construtiva sobre aquilo que que intentavam dizer.

Vi apenas um desejo (pouco inteligente) de aparecer, de se tornar célebre (em 10 minutos) em um evento ou de monetizar posteriormente com tal feito, seja pelos dividendos pagos pela plataforma, seja por àqueles que um dia possivelmente, cedo ou tarde retornarão ao poder.

Acho que o coral que vociferava aquelas “palavras mágicas”, não conseguiu dizer muita coisa. Não disseram coisa alguma, de fato!

No futuro, à depender dos resultados das próximas eleições, estes poderão ser motivos de chacota como foram os que batiam panelas, os que “sitiaram Brasília” e até aqueles que fizeram dancinhas no semáforo para defender o mito incorruptível que jamais se aliaria ao centrão.

Não há nada mais ilusório (e talvez burro) que achar que um enunciados de palavras vãs e sem sentido algum, faça com que problemas sociais complexos se resolverão automaticamente (ou com a chegada de um novo político de estimação).

Se um humano sozinho é um ser complexo imagine uma sociedade com 210 milhões deles! Já disseram FORA DILA, FORA LULA, FORA CUNHA e FORA TEMER num passado recente e quase nada mudou.

Um FORA BOLSONARO tão pouco mudará (ainda que seja do fundo do c* como disse aquela cantora, outro dia em pleno palco). Um vai-tomar-noku nada significa nesses casos.

Acho que um FORA AO FANATISMO POLÍTICO E RELIGIOSO seria bem mais eficaz!

Se acrescentarmos à isso um fora a violência nos esportes, fora o bajular dos ídolos midiáticos, das “celebridades de isopor” e a todo tipo de parasita social, isso terá bem mais sentido.

Sem além desses tantos “foras”, tivermos um plano bem desenhado e alguém com pulso e coragem para encabeçar o movimento, ficará melhor ainda.

O triste é saber que em qualquer movimento libertário sempre haverá um traidor, um inconfidente que delata o grupo em troca de benesses individuais.

Mesmo assim, se o objetivo for bom para a maioria, este cumprindo anos ou décadas depois quando a geração corrompida se for e uma outra nova surgir. Acho que vale à pena tentar.

Palavras vãs terá resultado nulo, ainda que ditas em coro por uma multidão. Pensem nisso!

Saúde e Sanidade à Todos! Revejam Sempre Seus Conceitos!

Texto escrito em 3/4/22.

*Antônio F. Bispo é graduando em jornalismo, Bacharel em Teologia, estudante de religiões e filosofia.

Ferreira Bispo
Enviado por Ferreira Bispo em 04/04/2022
Código do texto: T7488136
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