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Neste momento em que o mundo passa por uma enorme transformação, a que se atribui o nome de Transição Planetária, a forma como a expressão dos grandes Mestres foi registrada por seus seguidores deveria ter sua linguagem interpretada para a realidade cósmica atual e para o nível de consciência em que a humanidade se encontra hoje.

 

Embora a Verdade última, que abarca todo o Universo e seus processos seja única, mesmo que desconhecida pelo ser humano, sua expressão, trazida pelos Mestres em outros tempos, teve que se adequar à capacidade de compreensão da humanidade no momento histórico em que foi manifestada, não se adequando, portanto, a outros momentos históricos, em que a cultura, o conhecimento, as condições sociais e econômicas da humanidade tenham perfis bem diferentes daqueles que existiam quando se deu a manifestação.

 

A adaptação do discurso ao cenário e à plateia foi sempre necessária nos vários momentos da história do Planeta, em que os Mestres, seres de altíssimo potencial, se manifestaram. As parábolas e histórias bíblicas, por exemplo, fazem referência a temas vividos em tempos remotos, em que a realidade da vida terrena dos discípulos era bem primitiva e sua consciência bem menos desenvolvida.

 

“Na casa do Meu Pai há muitas moradas”, a frase de Jesus Cristo dita na iminência de sua crucificação, utiliza metáforas que de alguma forma buscavam associar, na mente dos discípulos, a realidade terrena da época à Verdade Cósmica a que se referia.

 

Uma interpretação realística desta frase para o momento cósmico que vivemos agora poderia ser: “O Universo tem muitas densidades e muitas dimensões". O Universo é a casa do Pai, seu Criador e as moradas são as dimensões, que se adensam no movimento da expansão da Criação e se sutilizam no movimento da contração em retorno evolutivo à Origem. O Planeta Terra, é apenas uma das moradas da casa do Pai. Há seres, no entanto, que já ascenderam a outras dimensões, moradas de sutilidade muito maior, imperceptíveis aos sentidos humanos e inacessíveis à lógica da razão.

 

Quando deparo com citações de grandes mestres que viveram em tempos passados, que são até hoje adotadas literalmente por religiões ou filosofias espiritualistas, me pergunto: “como será que Ele expressaria sua verdade se vivesse hoje? ”

 

Os verdadeiros Mestres são raros na realidade da dimensão da matéria, mas, apesar do caos aparente, a humanidade tem evoluído, principalmente nos bastidores, até mesmo pela presença nem sempre física da essência luminosa dos Mestres.  

 

O nível de consciência já alcançado por uma parcela da humanidade já se evidencia pela expressão de mensagens intuídas, psicografadas ou canalizadas a partir de várias fontes ligadas a planos superiores de existência. Todos nós temos capacidade intuitiva, embora poucos se deem conta disso ou se dediquem a desenvolvê-la. Portanto, somos todos mestres, em variados graus de manifestação da Sabedoria Universal através dos níveis sutis da consciência humana.

 

Assim, não deveria haver qualquer autocontenção na intenção individual de interpretar a Verdade pois, quando explicitada, ela é uma catarse espiritual, é uma autorrevelação que compromete quem a expressa com palavras e atos, até que ela seja ampliada e aprimorada, gerando assim um novo compromisso, num círculo virtuoso continuo, mantendo seu autor em permanente reflexão, na busca de seu aperfeiçoamento. Só conseguimos elevar nossas crenças e ações decorrentes, quando as contestamos. Mas, para contestá-las é preciso externá-las e experimentá-las na arena da realidade da vida.

 

As declarações dos Mestres têm um imenso valor e podem trazer grande conforto a quem as lê e as repete, mas, por si só, elas não carregam o compromisso com seu conteúdo. Portanto não terão qualquer eficácia em nosso processo evolucional se as tratarmos como um produto acabado. Elas devem ser introjetadas como sementes que, quando plantadas no terreno fértil da nossa capacidade intuitiva e das experiências da vida, transbordarão na expressão de nossa própria interpretação da Verdade!