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CAPÍTULO III
OS SENTIDOS DA PERCEPÇÃO
 
 O Alfabeto neurológico
 
O conjunto de submodalidades que usamos para construir dentro do nosso cérebro a mensagem recebida é um verdadeiro alfabeto neurológico. Saber usar esse alfabeto é tão importante para a arte da comunicação quanto o conhecimento da gramática e da boa construção linguística é para quem quer escrever, falar e entender as mensagens escritas e faladas. Habilidade que é essencial em qualquer sistema de comunicação.     
Da mesma forma, aprender a identificar a tendência que as pessoas seguem em seus processos internos de organização da informação é essencial para mantermos um bom nível de comunicação com elas. Mas é bom lembrar que nenhuma pessoa é totalmente auditiva, visual ou cinestésica. O que acontece é a prevalência, em certas ocasiões, de um sistema sobre os demais. Isso quer dizer que uma boa comunicação é aquela que se utiliza de todos esses recursos, combinando-os metodicamente para atender a totalidade dos receptores. 
Profissionais que trabalham com comunicação sabem que precisam utilizar os três sistemas de representação sensorial em suas mensagens. Falam, mostram e estimulam cinestesia no seu público para atender, tanto aos visuais, como aos auditivos e aos cinestésicos. Daí que a melhor forma de ensino ainda é uma boa palestra, acompanhada de recursos visuais bem elaborados e exercícios bem desenvolvidos para ancorar, cinestésicamente, o aprendizado.
 Dessa forma, para a comunicação na nossa vida diária, identificar qual o sistema que usamos preferencialmente para recepcionar informações e organizá-las em nosso cérebro é de fundamental importância. Esse aprendizado, a partir do que já foi exposto, assume uma extraordinária relevância. Além de constituir um extraordinário recurso de comunicação com o receptor, é um conhecimento que nos proporciona meios eficazes para gerir adequadamente o nosso processo de aprendizagem e valoração, que, afinal, é responsável pela competência com que emitimos as nossas respostas.
Afinal, é com base nesse processo que o nosso sistema neurológico desenvolve os estados internos que determinam o nosso temperamento e nos torna mais hábeis ou menos hábeis na difícil arte de vencer em um ambiente que nos exige, cada vez mais, um nível mais alto de eficiência em nossas respostas. Porque, como temos enfatizado neste trabalho, toda essa sistemática é, no fundo, uma questão de comunicação, já que todo e qualquer resultado que buscamos em nossas ações envolve uma mensagem que recebemos do mundo e uma resposta que temos que dar a ela.
Jamais saberemos se as nossas ações estão dando bom ou mau resultado se as pessoas a quem elas são dirigidas não emitirem uma mensagem em resposta.  
 
Os filtros da percepção
                                                         
A PNL identifica três filtros pelos quais a nossa percepção do mundo é processada: são os filtros da generalização, da distorção e do cancelamento. Esses filtros têm como função lapidar a realidade objetiva contida na informação recebida e conformá-la aos modelos de mundo que nós temos em mente.[1]
Esse processamento tanto pode concorrer para limitar a nossa capacidade de agir quanto para aumentar a eficiência das nossas respostas. Como esses padrões nos são induzidos pelo conjunto de “programas” que usamos para decodificar a informação e remontá-la em nossa atividade cerebral, é importante saber como esse processo acontece e como pode ser trabalhado, para que as experiências que vivenciamos não se tornem fatores de limitação da nossa capacidade de responder, ao invés de proporcionar um recurso que pode ampliar a sua quantidade e melhorar a sua qualidade
 
A generalização 
 
Através do filtro da generalização nós tomamos a parte pelo todo, e não raras vezes, o conteúdo pela forma. A partir do resultado de uma experiência em particular, nossa mente assume que toda experiência semelhante poderá apresentar o mesmo resultado. E com base nessa conclusão ela classifica a informação recebida num grupo já conhecido e emite a resposta que aprendeu a dar nesses casos. A generalização é essencial para nos adaptarmos ao mundo em que vivemos. Se colocarmos a mão no fogo e conseguirmos como resultado uma dolorida queimadura, sabemos que algo semelhante ocorrerá toda vez que essa experiência se repetir. Nesse caso, generalizar é um filtro útil, que nos ajuda a evitar respostas equivocadas e prejudiciais à nossa saúde.
No caso de uma generalização a tendência é arquivar uma informação recebida com as mesmas características submodais daquelas que lhe são semelhantes. Uma informação que o nosso sentido visual recepciona em branco e preto será classificada no nosso sistema neurológico com essas mesmas características de cor. As mesmas qualidades submodais de audição e cinestesia serão procuradas no sistema para efeitos de classificação em relação a essas modalidades. É como se o nosso cérebro fizesse um reconhecimento por semelhança e por esse critério fizesse a sua valoração.  
Voltando ao exemplo da queimadura, é preciso levar em conta que todos os objetos que emitem calor não são necessariamente perigosos e podem provocar esse tipo de acidente. Assim, classificar uma informação como essa numa gaveta de generalidades pode nos levar a evitar, para sempre, uma aproximação do calor, o que nos instalaria um “programa” de ação limitante que diminuiria a nossa capacidade de resposta a esse tipo de estímulo.   
Essa é uma “crença-programa” do tipo contido na famosa expressão popular:“gato escaldado tem medo de água quente.” Mas nós não somos gatos e podemos analisar, com inteligência, o que devemos temer.

Nosso processo de generalização pode ter um controle inteligente que nos permita formatar “programas” que não sejam meramente reativos e nos afastem de experiências enriquecedoras pela simples informação da dor que ela eventualmente trouxe em outras experiências semelhantes, ou mesmo recepcionadas por observação de experiências alheias.
Todas as generalizações são verdadeiras para quem as faz e podem ser falsas para alguém mais, porque as crenças e os valores das pessoas são diferentes. Depois, o contexto e as condições em que a experiência ocorre também exercem um importante papel nesse processo. [2]
O perigo da generalização está no estabelecimento de um padrão definitivo para orientar as nossas respostas futuras. No tempo da ditadura militar, por exemplo, não era conveniente expressar sentimentos a respeito dos nossos governantes. Fazê-los podia representar a diferença entre prisão e liberdade e, à vezes, até entre a vida e a morte.
Assim, ficar calado, naqueles tempos, era uma boa regra. Aprendi isso depois de levar alguns safanões e passar algumas horas em uma cela na antiga delegacia do antigo DOPS, ouvindo ameaças veladas e suportando brincadeiras de mau gosto de alguns sujeitos que encontravam prazer em aterrorizar as pessoas. E tudo que eu fizera foi participar de algum protesto contra alguma coisa que eu nem me lembro mais o que era. Mas hoje, uma regra dessas não tem mais utilidade. Na verdade, chega a ser nociva, pois pode nos levar à indiferença para com os rumos que os políticos estão dando ao nosso país. Deixar a condução do país nas mãos de um ditador, ou de um grupo reduzido de pessoas é a mais perigosa das opções políticas que um povo pode fazer. Como dizia Cicero, senador romano e grande orador dos tempos de Júlio César, a democracia mais corrupta é preferível à ditadura mais virtuosa.  
Nós sabemos o quão perigoso pode ser esse alheamento. Essa regra prejudicou o desenvolvimento de muita liderança emergente em nosso país e mutilou sensibilidades que nunca mais se recuperaram. Em conseqüência, temos hoje esse baixo nível de cidadania e participação dos bons cidadãos na vida pública.[3] 
 
O cancelamento 
 
Já no caso de um cancelamento, a tendência é arquivar a informação com submodalidades que “apagam” ou “toldam” a memória delas. Isso ocorre com informações, que a juízo do nosso sistema neurológico, são inúteis para os nossos propósitos, ou contrariam valores e crenças já estabelecidas como boas e úteis para nós. Em outros termos, são informações que não interessam para o nosso sistema. Por isso são recepcionadas como material inútil e imediatamente jogadas na “lixeira” do inconsciente.
Todavia, é bom lembrar que, embora o nosso cérebro seja programado de uma forma semelhante a um computador, nele as memórias e os sentimentos não podem ser simplesmente apagados como fazemos em um cérebro eletrônico. O que ocorre, na verdade, com um cancelamento, é um julgamento de valor que classifica a informação como desnecessária ou nociva para os nossos propósitos. 
 Como isso acontece é um exercício de manipulação de submodalidades, feito inconscientemente pelo nosso cérebro. Por exemplo: peguemos a memória de um fato qualquer. Se ele foi de preferência recepcionado em nosso cérebro pelo sistema visual, ele foi “programado” em nosso sistema neurológico com uma determinada cor, um tamanho de imagem, uma intensidade de luz, etc. Se a recepção dessa informação se deu de preferência pelo sistema auditivo, esse “programa” terá, de preferência, características sonoras, tais como tonalidade, duração, agudez, suavidade, etc.
 Da mesma forma, se forem os nossos sentidos proprioceptivos o principal receptor, ele será “programado” com certas qualidades de temperatura, peso, tamanho, aroma, sabor, enfim, submodalidades sensoriais pertencentes ao grupo das nossas cinestesias. Assim, conforme o alfabeto neurológico utilizado pela nossa mente para codificar a informação, teremos uma qualidade de “programa”para nos fornecer respostas para esse fato.
Pelo filtro do cancelamento, a nossa mente “escolhe” quais os elementos da experiência merece mais a nossa atenção. Assim, esse filtro acaba fazendo uma seleção, segundo a qual nós escolhemos o quê, na informação, é importante registrar.
Um exemplo de como funciona esse mecanismo pode ser verificado quando estamos num salão repleto de pessoas. Ouvimos e falamos com algumas delas e prestamos mais atenção em umas do que em outras. Nesse caso, não é que não as escutamos; simplesmente cancelamos o que dizem ou o que fazem, evitando que a mente se ocupe de coisas que não nos interessa naquele momento. Em se tratando de uma informação que nos interessa, colocamos na imagem que dela fazemos uma cor exuberante, brilhante, concentrada; se não interessa, suas cores serão opacas, desfocadas, sem brilho. Com os sons e a cinestesia ocorrerá o mesmo processo. Não haverá nenhuma ancoragem mais forte de qualidades submodais, de forma que o cérebro não será pressionado a lembrar-se dessas informações.
O filtro do cancelamento é muito útil para ajudar a mente a ficar focada no objeto que mais lhe interessa em determinada ocasião. Mas, da mesma forma que não existem generalizações boas ou más, mas sim, úteis ou nocivas segundo o contexto e a necessidade, também é preciso ter cuidado com o que cancelamos através desse mecanismo. Quem nunca foi cobrado por alguma coisa em que deveria ter prestado atenção e não prestou? Quem já não teve prejuízo por causa dessa falta de atenção, ou dito de outra forma, por ter eleito equivocadamente a parte da informação que devia cancelar?
Muitas vezes ocorre cancelarmos informações úteis, que podem nos fazer muita falta para um resultado bom, no final das coisas. Isso já aconteceu comigo muitas vezes. Quanto aborrecimento e prejuízos financeiros eu poderia ter evitado se não tivesse cancelado determinadas informações que me foram dadas? Ah! Se eu tivesse ouvido mais os meus pais, se eu soubesse naquele tempo o que sei agora, se eu não tivesse sido tão descuidado, se eu tivesse dado ouvidos à minha esposa, se eu tivesse ouvido o conselho dos profissionais antes de tomar determinada decisão, se eu tivesse acreditado mais nisso do que naquilo, etc. Enfim, quem nunca disse para si mesmo coisas como essas algumas vezes?
Todos os seres humanos têm esse mecanismo de cancelamento trabalhando o dia inteiro. E saber como usá-lo em nosso benefício é um dos aprendizados mais úteis que podemos fazer. Como fazer isso é simplesmente uma questão de atitude: nunca “cancelar”, de pronto uma informação recebida. O correto é recepcioná-la e depois checar a sua veracidade em termos de conformação com a realidade que vivemos e a utilidade que ela tem para nós. E a nossa mente fará o resto. Se ela merece crédito será recepcionada em nosso sistema neurológico como conhecimento útil. Se não, será simplesmente descartada como resíduo.  
 
A distorção 
 
O filtro da distorção é aquele que nos permite fazer mudanças na nossa base sensorial, e com isso modificar o conteúdo da informação. Recepcionamos a mensagem na totalidade, mas só levamos para a nossa “base de dados” a parte que está de acordo com o modelo de mundo que temos em mente. “Estou vendo que essa pessoa não presta, mas ela tem alguma coisa que eu gosto....” “Sei que isso não deu certo com outras pessoas, mas comigo será diferente...” “Meu pai fumou a vida inteira e não teve câncer, então....”.   
Como ocorre com os dois filtros anteriores, a distorção pode ser útil ou nociva. É útil quando nos ajuda a criar, a planejar, a prever os resultados de uma experiência. É nociva quando nos afasta da realidade e nos leva a formatar um modelo de mundo baseado em falsas premissas, ou a tomar fantasias por realidades objetivas, empobrecendo o nosso mapa de mundo ou criando zonas de decisão muito perigosas.
Um exemplo de distorção nociva é a pessoa que foi enganada uma vez por alguém e agora recebe como “insincera” toda manifestação de interesse que alguém lhe dirige. E com base nessa análise distorcida acaba formatando um “programa” terrivelmente limitante que a tornará eternamente desconfiada de tudo e de todos. Uma distorção útil é quando a informação é recepcionada em nosso sistema neurológico no conteúdo que nos interessa e é “amoldada” ao conjunto de conhecimento que já temos sobre o assunto. É o que o fazem muito os juristas, os filósofos, os políticos, que pegam informações oriundas de diversas fontes, e as “encartam” nas teses que estão defendendo, como reforço de suas ideias. Muitas vezes, dada a habilidade com que o fazem, torna-se muito difícil perceber a distorção e ideias que antes pareciam ser conflitantes acabam se tornando convergentes.
Distorcer, nesse caso, é ajustar, aplainar, conformar uma informação aos modelos que já temos em nossa mente. Não é, como se pode inferir de início, uma prática antiética e maligna. Nossa mente faz isso para nos ajudar a eliminar o que é inútil ou nocivo na informação. Ocorre também que pode mutilá-la em seus elementos mais importantes, deformando-a e modificando-a em sua estrutura. Isso pode ser perigoso, pois nos priva de elementos fundamentais para a formatação de um mapa mais preciso do conteúdo que ela veicula. 
Através do filtro da distorção a tendência do nosso cérebro é misturar as submodalidades sensoriais de uma forma tal que o nosso “computador” neurológico não consegue recuperar a informação sem que ela esteja contaminada com outras submodalidades. Um exemplo: a mídia anuncia que amanhã a temperatura baixará a 5 graus centigrados. Nossa mente imediatamente representa um dia escuro, sem luz, pesado e frio. A tendência é experimentar um sentimento de desconforto em relação a essa informação. Mas logo em seguida nossa mente se lembra do casaco novo e confortável que comprou e que ainda não foi usado por falta de oportunidade. Ou então imagina que esse será um dia propício para acender a lareira e tomar um vinho junto com pessoas a quem estima. Logo, o sentimento de desconforto com aquela informação passa a ser de conforto e prazer. O que ocorreu no nosso sistema neurológico é que aquela informação que entrou nele com cores, sons e cinestesias desconfortáveis foram distorcidas por submodalidades mais apreciáveis por ele.
A distorção ocorre em razão das crenças, dos valores e dos critérios de julgamento que o nosso computador neurológico adotou como parâmetros de análise e verificação das informações que recebe. É evidente que uma pessoa que já tem sua crença firmada em determinado assunto sempre receberá com reserva uma informação em contrário. E nesse caso, sua mente tenderá a distorcê-la para que ela se conforme ao seu padrão de crenças e valores. Isso não é um defeito de caráter da pessoa, como se pode pensar a primeira vista. Trata-se, na verdade, de uma tendência do próprio sistema neurológico, que funciona como uma espécie de “conformador” desenvolvido pelo cérebro para adaptação de informações desconformes com “programas” nele instalados.
A questão é que ele pode funcionar tanto para o bem quanto para o mal, como já foi referido. Pois se esse filtro impede a contaminação das nossas crenças e valores com informações que as contradizem, ele também pode nos conduzir à análises incorretas e inverídicas que prejudicarão a qualidade das nossas respostas.
Esse é, a nosso ver, uma das maiores complicações dos nossos sistemas de comunicação atuais, que foram exponencialmente aumentados com as redes sociais. A distorção generalizada das informações veiculadas por esse meio tem causado, não só os mais diversos constrangimentos, como também uma verdadeira avalanche de respostas equivocadas do nosso povo, em termos de comportamentos sociais e principalmente de escolhas políticas. As pessoas, como dissemos, são mensagens vivas. E sendo nós o que somos, todos temos nossas crenças, valores e critérios de julgamento. Não raramente tendemos a distorcer as informações recebidas, com a finalidade de amoldá-las à nossa própria visão de mundo. Não é uma falha de personalidade nem uma atitude de caráter culposa ou dolosa de indivíduos maus por natureza, que querem, propositadamente, induzir pessoas ao erro. É uma tendência natural do nosso sistema neurológico que busca construir seus modelos de mundo de acordo com o mais lhe agrada.

Essas tendências é que fazem as diferenças entre as pessoas. Mas são também as responsáveis pela diversidade que faz com a espécie humana seja única entre as todas as criações de Deus.
 
Filtrando a informação

   Dessa forma justificamos a importância de aprender a filtrar o mundo que entra em nossas mentes. Isso nos mostra também que podemos criar para nós mesmo um mundo de altíssima qualidade de vida, desde que saibamos formatar modelos internos que nos ofereçam maior variedade de escolhas com melhor qualidade nas respostas.[4]
   É nisso que a PNL, como disciplina, pode nos ajudar. Afinal, se a qualidade das nossas ações depende dos nossos modelos internos, então é fácil concluir que se eles forem pobres em opções de resposta, medíocre também será o nosso desempenho perante a vida. Nesse postulado está também presente a velha sabedoria dos sábios da antiguidade: o que está fora é conforme o que está dentro, diziam eles, ou seja, o mundo que construímos fora de nós é retrato do mundo que construímos dentro de nós. Fica mais fácil entender esse postulado se dissermos que ninguém pode ter sucesso na vida se não tiver um forte sentimento de autoconfiança dentro de si; e ninguém adquire autoconfiança agasalhando crenças e valores limitantes.
Destarte, fracasso gera fracasso e sucesso gera sucesso. Essa é a corrente de feedback que alimenta o nosso aprendizado: um circuito intermitente de informações que vai de fora para dentro e de dentro para fora das nossas mentes, simultaneamente, modelando nossas personalidades. A autoconfiança aumenta com os bons resultados e os bons resultados nos ensinam a fazer cada vez melhor. 
    Não é o mundo em que vivemos que é pobre e cheio de dificuldades. E não é nele que se encontra a verdadeira causa da pobreza, da infelicidade e das desgraças que atingem a vida das pessoas. A razão de termos que conviver com esses hóspedes indesejáveis está no modelo de mundo que nós construímos em nossas mentes. As pessoas que parecem não encontrar nenhum caminho na vida são aquelas que têm dificuldade de ver, ouvir, ou sentir as possibilidades de sucesso. Seus modelos de mundo são tão pobres em opções de resposta que tudo que salta perante seus olhos, ou é sussurrado aos seus ouvidos ou se apresenta perante seus sentidos proprioceptivos são barreiras e dificuldades. Em suas mentes os muros são intransponíveis, as montanhas imensamente altas, o frio e o calor demasiadamente intensos, as distâncias incrivelmente longas, as pedras no caminho incalculavelmente pesadas. 

A PNL oferece às pessoas uma forma diferente de ver, ouvir e sentir o mundo, o que quer dizer que ela convida seus praticantes a filtrar as informações que ele nos dá de acordo com certos pressupostos de construção programática que privilegia a possibilidade ao invés da dificuldade, o pode ao invés do deve, o modelo aberto ao invés do padrão.
Alguns desses pressupostos são estruturas de pensamento que nos dizem como devemos encarar as mensagens que a vida  nos apresenta. Eles podem ser resumidos em algumas atitudes práticas, como por exemplo:
  1. Adotar um modelo aberto de pensamento que inclua muita curiosidade, fascinação e flexibilidade na forma de recepcionar todas as informações que o mundo exterior nos comunica. Com isso estaremos adotando uma atitude extremamente receptiva a toda comunicação que nos chega. Mais que isso, aprenderemos a recepcioná-las com o espírito de uma criança: curiosa para saber como as coisas acontecem, fascinada com o que vê, ouve e sente, mas de forma alguma assustada com elas: e o melhor de tudo, pronta para enfrentar qualquer desafio que ela contenha.  Perguntas que se pode fazer nesse caso: O que isso pode me ensinar? Onde, como e quando isso pode me ser útil? Quem disse ou fez isso? Como fez isso? A referência é séria e confiável?
 
  1. Não computar maus resultados como fracassos, mas sim como elementos de aprendizagem. Pensar que a nossa experiência fracassou é uma informação negativa que estamos dando ao nosso cérebro. Ela poderá induzir em nosso sistema neurológico um constrangimento que nos levará a não querer repeti-la nunca mais. A informação que deve ser mandada ao cérebro nesses casos é a que tivemos apenas um mau resultado. Com isso poderemos fazer uma reengenharia e corrigir as distorções no processo de execução que nos levou ao mau resultado. Nesse caso o mau resultado passa a ser tratado como informação útil, ao passo que a idéia do fracasso é uma sentença de morte para a nossa motivação. Algumas perguntas que podem ser feitas nesse caso são: O que foi conseguido ? Onde foi que o processo falhou? O que faltou para a realização do resultado? Que recursos precisam ser providenciados para uma nova tentativa? Quais as novas estratégias que podem ser utilizadas?
 
  1. Não computar os desafios que a vida nos apresenta como problemas a serem resolvidos, mas como informações que precisam ser entendidas e digeridas. Isso significa eliminar da nossa programação neurolinguística o significado preocupante da palavra problema. Quer dizer, todo “problema” passa a ser uma informação que deve ser digerida no seu exato contexto para que, ao invés de uma “preocupação”(que significa ocupar-se antes), ele se torne se torne uma ocupação (ocupar-se na hora exata, de posse com todos os elementos necessários para a solução). Isso significa pensar no que as pessoas (você inclusive) querem naquele contexto, nos recursos necessários para a obtenção do resultado pretendido e como usá-los para atingi-los. As perguntas que devem ser feitas nesse caso são: Para quem vamos fazer? Como podemos fazer? Por que fazer? Quando devemos fazer? Onde fazer?
 
  1. Uma forma eficiente para avaliar uma informação que nos chega é não perguntar por que as coisas acontecem, mas sim, como elas acontecem. O nosso sistema neurológico tem uma particularidade interessante: ele não pode deixar de dar uma resposta para os estímulos que o ambiente lhe dá. Mesmo o silêncio e a inércia são respostas que ele emite, após a avaliação da informação recebida. Perguntar “como” ao invés de “porque” nos ajuda a entender a natureza do problema contido na informação, ao invés de levar a nossa mente a ficar procurando justificativas e razões para o fato de as coisas não terem acontecido como gostaríamos. Se soubermos como elas acontecem, teremos uma chance de modificar o processo numa nova tentativa, fazendo-as de modo diferente.
Com esses cuidados na recepção e no tratamento da informação é possível estabelecer uma plataforma mais segura para evitar que o nosso sistema neurológico seja contaminado pelo conteúdo negativo que ela pode veicular. Essa atitude é muito importante principalmente se considerarmos o fato de que o nosso sistema neurológico tende a ancorar com submodalidades mais fortes as informações que nos trazem dor do que aquelas que nos trazem prazer. Por isso é que o velho ditado popular diz: o bem que alguém nos faz, a gente agradece; o mal a gente recebe nunca esquece.
 
 Metáfora
       
                                                                          
Um jovem discípulo, com o desejo de homenagear seu mestre, a quem muito respeitava, foi ao lindo jardim do mosteiro e colheu as mais belas flores que encontrou. Fez com elas um precioso buquê e entrou, muito alegre, na sala de chá, onde o mestre o aguardava.
Ele sabia que o mestre adorava flores. Todos os dias ele trocava as tsuba kides do belo vaso ikebana que ele mantinha diante do seu tokonoma (altar). 
Tão alegre e afoito estava o jovem discípulo para entregar as flores ao mestre que não percebeu a borda do tatame. Tropeçou, caiu e elas fugiram de sua mão. Eram flores muito lindas, mas extremamente frágeis, as tsuba kides, com suas delicadas pétalas brancas.  As pétalas se despregaram dos caules e se esparramaram pelo tatame que cobria todo o espaço da sala de chá. O jovem discípulo começou a chorar.  “Porque choras?”, perguntou o mestre.
“Eu vos trouxe essas flores. Eram tão belas no jardim e ficaram ainda mais belas quando eu as dispus num buquê. Agora estão mortas”, choramingou o discípulo.
   O mestre não disse nada. Apenas tocou de leve no ombro dele e pediu que se sentasse. Em seguida pegou o belo vaso ibekana  e o colocou no centro do tatame. Depois pegou os caules nus e os colocou dentro dele, com esmerada delicadeza, num artístico arranjo. E por fim, juntou as pétalas espalhadas pelo chão e as dispôs em um arranjo harmonioso, em volta do vaso. 
“ Quando tirastes esses flores do seu tronco”, disse o mestre, “prejudicastes a harmonia do universo porque provocastes uma mudança na sua estrutura. Mas logo tudo se recompôs porque elas deixaram de ser flores e passaram a ser um belo presente que tu estavas trazendo para mim”.
Elas já não faziam mais parte da terra, que as gerou e alimentou até aquele momento, mas  passaram a fazer  parte de ti, do teu desejo, da tua alegria em contentar-me.   
O universo se recompôs com esse ato, pois todo sonho realizado faz o universo funcionar”, continuou o mestre.
“Quando elas caíram, se despetalaram e se esparramaram pelo tatame, o universo se desequilibrou novamente, pois o teu desejo não se realizou e tu te magoaste. Todo coração que se magoa é causa de desequilíbrio no universo”, disse o mestre.
“ Mas agora  elas passaram a fazer parte desta sala. Continuam belas e úteis, ao compor com ela um belo arranjo. E tudo está em harmonia novamente”, concluiu.  
Assim, com equilíbrio do universo recomposto, mestre e discípulo, silenciosamente tomaram o seu chá. [5]
 
[1] Critérios de julgamento, aqui se referem à noções que a nossa mente adquire durante nossas experiências de vida. Esses critérios podem ser explicitados por expressões linguísticas populares, como “julgar os outros pelo que pensa de si mesmo”(distorcer), “colocar no mesmo saco todas as bolas”(generalizar) “isso não interessa aos meus propósito” (cancelar). Diferem do conceito de crenças e valores, pois, enquanto estes são induzidos em nossa mente por informações que nem sempre são analisados pelo crivo da razão, nossos critérios de julgamento são programados principalmente por argumentos e raciocínios elaborados,
[2]Na imagem Richard Wayne Bandler. Juntamente com John Grinder, desenvolveu as técnicas da Programação Neurolinguística (PNL). Nos vários cursos, seminários e livros que escreveu, eles demonstram, de forma prática e consistente como funcionam as submodalidades  sensoriais na construção do nossos estados internos.
[3] Porque a corrupção está nas pessoas e não nos sistemas. Numa democracia existem mecanismos que podem coibi-la (Um sistema judiciário independente e uma imprensa livre), o que não existe em uma ditadura.
[4] Na imagem o professor John Grinder, que juntamente com Richard Bandler é um dos criadores das da PNLProgramação Neurolinguística. Graduou-se em filosofia e especializou-se em Linguística na Universidade da Califórnia, em San Diego, matéria pela qual recebeu o grau de PhD. 
[5] Adaptado de DT Suzuki- Contos Zen- Ed.  Na imagem Daisetsu Teitaro Suzuki  1870 – 1966)  famoso mestre da filosofia oriental e um dos principais responsáveis,pela introdução do budismo zen no Ocidente. Ensinou em várias universidades ocidentais. Seus contos têm sido muito utilizados pelos praticantes de PNL, pela estreita associação que esses ensinamentos têm com uma das ferramentas mais importantes da PNL, que são as metáforas.  
(DO NOSSO LIVRO OS SENTIDOS DA COMUNICAÇÃO)
João Anatalino
Enviado por João Anatalino em 16/09/2020
Reeditado em 16/09/2020
Código do texto: T7064494
Classificação de conteúdo: seguro


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