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NINGUÉM É REPRESENTANTE DE DEUS ALGUM: TODOS REPRESENTAM A SI MESMO, SUAS PRÓPRIAS IDEOLOGIAS OU AS DE UM GRUPO ESPECÍFICO!

Você não precisa temer ou tratar de modo especial líder religioso algum. Eles são pessoas comuns e os títulos deles não os tornam melhores que você em nada!
*Por Antônio F. Bispo
  Se você já foi parte de um grupo religioso poderá atestar tudo o que irei relatar nesse texto.     Se você ainda é, talvez esteja enquadrado no que irei descrever. O intuito não é fazer com que você se sinta um trouxa por fazer o que faz, mas que tenha coragem o bastante para deixar de sê-lo se estiver passando pelo que irei citar.
   Em praticamente todos tipos de chefia há algum tipo de abuso.
   Nos ritos religiosos esses abusos costumam ser maiores, pois quem o faz, aproveitando-se da ignorância ou inocência dos fiéis, alega ter autoridade divina para agir assim.
   Quem se submete a tais abusos é por que geralmente cresceu nesses ambientes e acha que isso é normal, ou está aflito o bastante a ponto de não ver outra solução, ou quem sabe passou pelo profundo processo de lavagem cerebral em que foi convencido a acreditar que tudo o que acontece “na casa de deus”, inclusive os abusos dos líderes, faz parte dos métodos misteriosos de deus trabalhar!
    Mistérios é uma palavra muito usada para descrever deus e o seu método de agir há séculos e sob tais mistérios, alguns “pintam e bordam” sem sofrer represália alguma.
   Obediência cega e subserviência infinita é praticamente a regra de todo ambiente de culto, até por que sem isso razão aflora e a imposição da fé não subiste e a religião deixa de ser religião.
   Além disso, as vezes é comum que o chefe do grupo venha exigir/ esperar um tratamento especial para si e sua família onde estiverem. Além dos favores e serviços que os ritos litúrgicos exigem, em certos casos, alguns querem serviços extras. Tais benesses podem variar de serviços domésticos na casa destes (de graça), indicações para funções publicas remuneradas sem a necessidade comparecer no trabalho e até mesmo favores sexuais com pessoas de ambos os sexos de dentro e fora da igreja, tudo feito ou intermediado por um membro.
   Estes alegam que deus o escolheu para guiar o seu povo e tudo o que ele fizer ou disser será em nome de deus, para deus ou em favor de deus. Quem discordar será combatido, envergonhado, humilhado, perseguido e até expulso do grupo e poderá ter toda a sua vida arruinada, dependendo quantas particularidades souber do suposto homem de deus. queima de arquivo e destruição de reputação são os métodos mais usados por alguns quando percebe que o seu ministério ou sua fonte de lucro poder ruir mediante a confissão de um chegado.
   Nestes casos, mesmo havendo desvio de conduta moral, financeiro ou sexual, muito deles irão negar até juntarem provas contra ele, e depois de desmentido com as provas, quando confrontados, eles tentarão intimidar quem o fez, ameaçando com sua suposta autoridade divina ou lançando todos os membros contra o tal, desviando a injuria de si para outros, dizendo que deus o pôs ali e só deus o tirará de lá.
  “Eu sou ungido do senhor, e ái de quem toca no ungido”. Eles repetem isso sempre!
  Mas isso tudo é balela! Você não precisa passar por isso e nem se sujeitar a isso! O método mais eficiente seria deixar o grupo e não se filiar a nenhum outro nunca mais. Mas havendo necessidade, profunda carência ou desorientação espacial é preciso entender que toda autoridade que ele tem sobre a vida de alguém é por que este alguém permitiu, ainda que de modo inconsciente ao “aceitar a jesus” e se juntar ao grupo, e só a própria pessoa pode dar um basta nisso.
  Homem de deus, ungido do senhor, padre, pastor, missionário, bispo, apóstolo, diácono, sacerdote e obreiro do senhor...não importa o título! Eles nada tem de especial, e não possuem autoridade divina nenhuma! Toda autoridade que eles possuem é humana! Foi você quem a deu ou a hierarquia que ele pertence que o outorgou. Uma autoridade comum, ordinária...não há absolutamente nada de especial em títulos eclesiásticos e a maior arma que eles usam para escravizar as mentes é o medo e a ignorância do próprio fiel. Essa é sem dúvida a mais baixa de todas as armas que alguém poderia usar em uma guerra comum, quanto mais “na comunidade dos santos”.
   Elas são tão comuns quantos todos os mortais que habitam esse planeta. Nascem, crescem, vivem e morrem como qualquer um de nós. Também são capazes de roubar, mentir, enganar, adulterar, ser corruptos, corromper os outros e inclusive quando se sentem ameaçados, podem até matar para proteger seus domínios ou a imagem de santidade que procuram manter para o público mesmo não as tendo. Você precisa saber, entender e aceitar isso para sua própria segurança, caso insista em permanecer nesses ambientes.
   Alguns “ungidos” quando são pegos em delitos, sempre dirão que não foram eles. Dirão que foi o diabo quem o usou ou usou alguém para fazer o que fizeram, pois deus tem um plano em suas vidas e o diabo procura sempre atrapalhar os planos de deus. Fuja dessa falácia!
  Pouquíssimos deles assumirão a responsabilidades pelos seus atos. Poucos irão reconhecer abusos praticados e pouquíssimos destes irão renunciar diante de uma situação que comprovadamente seu caráter e reputação tenha sido jogado na lama. Estes simplesmente mudam de cidade, vão para uma outra igreja ou abrem uma nova e assim dão seguimento ao próprio império pessoal tenebroso.
   Um homem comum vigia melhor os próprios passos pois sabe que a sociedade e as leis locais poderão puni-lo quando errar, mesmo quando tiver agido por impulso ou acidentalmente feito um mal de modo não intencional.  Um “homem de deus” terá sempre um álibi, um refúgio, uma desculpa a ser dada mesmo quando de modo meticuloso e planejado vier a cometer crimes e por mais hediondo que seja tal ato, ele terá sempre um público pronto para recebê-lo de volta, um grupo de ovelhas que precisam de um lobo em condição de pastor para liderá-los, pois devido a lavagem cerebral que foram submetidas, não conseguem agir ou pensar por elas mesmas e precisam de alguém lhes dizendo sempre como agir e como pensar.
  Assim, as pobres ovelhas quem não pensam, não falam e nem agem por conta própria continuam a venerar um homem comum como se fosse um santo estão dispostas a venerá-lo e a pagar todas as regalias que ele exigir em troca dessa preciosa condução, mesmo sabendo que o líder (lobo) pode ter uma recaída a qualquer momento e “comer” ou prejudicar qualquer uma das ovelhinhas. Mesmo assim, eles preferem isso à tomarem as rédeas da própria vida. A maneira mais eficaz para que alguém haja assim, amando o seu próprio carrasco é o uso frequente do termo VOCÊ É (EU SOU) TOTALMENTE DEPENDENTE DE DEUS!
  Isso faz com que a pessoa trave e se ache incapaz a ponte de não saber fazer nada sem “deus” não as oriente. Deus, nesse contexto é sempre o líder religioso ou quem ele vier “usar” durante os cultos para falar algo para aquele pobre fiel.
   Só que isso é outra grande bobagem! Ninguém é dependente de deus algum! Todos que assim afirmam, são dependentes do líder ou do sistema religioso e por estes serão guiados, e o preço que eles cobram é muito caro. Custa a privacidade e a liberdade do fiel, bem como tudo que este possa a mais oferecer.
   Por meio dessa unção, missão e dependência divina, é possível hoje em dia que qualquer bandido (literalmente) que tenha uma boa oratória, um bom carisma e seja um perito na arte de ludibriar poderá ser bem acolhido em diversas igrejas em alguma função importante. E quando não, tem a convicta certeza de que se fundar um ministério próprio, terá dezenas, centenas ou milhares de seguidores.
  Alguns desses que o admiram, mesmo sabendo da conduta duvidosa do tal líder, o defenderá fazendo citações como: “deus usa quem ele quer e como quer”! Ou: “deus usa até uma jumenta se ele quiser; não importa o mensageiro, importa a mensagem”! E a frase mais clichê todas: “eu dou os meus dízimos, eu oro, eu jejuo, eu sigo os mandamentos e faço minha parte! Se o líder aprontar é problema dele. Foi deus quem o pôs ali e só deus o tira dali! Aí de quem tocar nos ungidos do senhor”! Essa última é de sangrar os ouvidos.
  Dois pesos e duas medidas em uma sociedade que há séculos buscam (ou pelo menos prega) por liberdade, igualdade e fraternidade. Assim fica difícil!  Enquanto houver “homens de deus” e “filhos do cão”, isso será impossível! Nenhuma sociedade será prospera ou igualitária enquanto as ações ou crimes de alguns forem julgados pelos títulos e diplomas que estes carregam ou dizem possuir.
   Enquanto um título de líder religioso for um subterfugio para tirar proveito dos outros ou for garantia de inserção quando delitos forem cometidos, o abismo intelectual e das desigualdades sociais sempre será uma constante.
  Um título de função eclesiástica, seja este qual for não torna ninguém, absolutamente ninguém superior a ninguém, nem tão pouco faz com que este esteja acima da lei.  Alguns se autoproclamaram ungido, pastor, missionário etc..
   Alguns dos que hoje ocupam funções eclesiásticas foram proclamados por um colegiado e aceito pelo público depois de longos anos estudos em seminários e uma vida ilibada (até então). Outros ainda (na maioria das igrejas pentecostais), receberam tais títulos depois de anos de servidão, humilhação e obediência cega, sendo capacho de homens arrogantes e autoritários para serem “glorificados por deus” com tais títulos depois de longos anos de servidão. Eles farão justamente o que fizeram com eles quando chegar ao poder, perpetuando uma cadeia de imbecilidades e explorações mútuas.
   Os que assim adquiriram tal posição, costumam não ter preparação intelectual ou dignidade alguma para estarem onde estão. Entre estes há inclusive analfabetos, que não sabem nem o que estão dizendo, decoram textos e falas de impacto e as repetem como se fossem suas, ou então apelam para os “dons divinos”, fazendo todo tipo de aberração, transformando a igreja em uma mistura de circo com hospício, um ambiente em que insanidade é selo de santidade e comunhão com deus, e quem não se portar assim, em pecado está!
    Entre todos os tipos de unções divinas e autoproclamações para ocupar funções eclesiásticas, tem surgido nas ultimas 4 décadas principalmente entre os evangélicos, a classe mais bizarra de todas: a classe dos EX!
    Ex-isso, ex-aquilo, ex-aquilo outro...e do nada eles surgem, ganham espaço e fazem fortunas para si e para os que os patrocinam, falando todo tipo de bobagens, detalhando orgias em pleno culto e até confessando em públicos crimes brutais que cometeram no passado sem punição alguma no presente.
   Entre estes você verá: Ator pornô, presidiário, serial killer, traficante, líder de facção...basta pôr na frente do título eclesiástico o termo EX, contar testemunhos bizarros de forma teatral e deixar “deus usar”.
  As pessoas gostam disso! Os locais de cultos geralmente são chatos e repetitivos. Por isso qualquer pessoa que chega narrando aventuras macabras e uma vida louca será um atrativo maior nesses ambientes de monotonia eterna.
  Os pregadores que se enquadram nesse perfil podem não ter caráter, virtude ou prestatividade alguma naquilo que a função exigiria, mas se souber narrar bem (ou inventar) histórias surreais ta bom demais! Quanto mais bizarro e impossível for o testemunho, mais notoriedade este terá entre os ignorantes. O cachê cobrado também será maior pois terá casa cheia.
  Será elevado à categoria de divindade quem conseguir passar mais de 10 anos contando o mesmo testemunho em todos os lugares todos os dias, sem nada novo a acrescentar e mesmo assim continuar arrancando o dinheiro e atenções dos fiéis.
  Se um líder religioso, seja ele qual for merece respeito, consideração ou até doações voluntárias para determinado proposito, ele deve tê-lo por suas as ações e não pelo credo ou pelo título que diz possuir.
  Ações humanas voltadas para humanos e não para os deuses. Isso é algo louvável! Projetos sociais que beneficiem pessoas reais e não serem imaginários. Isso é digno de cooperação e doações!  Ganhar a vida pra pregar a palavra de deus? isso jamais!
  Nenhuma igreja prega palavra de deus algum. Todas pregam as próprias ideologias. Tanto é que há milhares delas, todas dizendo serem as certas e as demais erradas e todas falam a verdade ao afirmarem isso. É uma confusão total, e você no meio dela todo perdido sem saber o que fazer. Mas saiba que não é pela sua alma que velam, é pelo seu bolso, pela sua obediência ou por aquilo que você pode dar a eles ao se juntar a causa. A mesma boca que diz que jesus te ama ao entrares na igreja, será a mesma que irá te amaldiçoar se não fizeres tudo o que eles desejam.
  Se há uma obra de deus, essa seria o trabalho social, aquilo que podemos fazer uns pelos outros em função de uma sociedade melhor em que haja mais igualdades e menos abusos.
  Se há alguma virtude entre nós, elas residem nas ações e não nos títulos. Um título não descreve o real caráter ou intenções de alguém, apenas as classificam enquadrando algo em um grupo totalmente oposto ao que deveria ser.
  Quando incomodar grite ou fale independente que gostem ou não! Se a sua evolução intelectual já chegou ao ponto de que tal lugar não lhe cabe mais, por que insistir? Por que viver brigando? Por que a disputa em provar a verdade? A religião e os lideres religiosos não vivem em função da verdade, vivem em função da fé! E o que é a fé nos deuses? Entre tantas descrições, a que melhor se encaixa seria a da crença no absurdo e a manutenção da fantasia para fins pessoais ou grupais. Apenas isso! Quem busca algum tipo de verdade, deve-se evitar tais recintos. Aprenda isso!
   REVEJA SEUS CONCEITOS!  Há vida longe da servidão religiosa! Há pessoas capazes de conduzirem (ainda melhor) as suas próprias vidas sem precisar pagar 10% a ninguém e nem precisam ser capachos de ninguém. Há pessoas que aprenderam a serem responsáveis pelos seus atos sem se esconderem atrás de deus ou diabo algum e vivem melhor do que aquelas que são “guiadas por deus”.
   Mas se você não é adulto e responsável o bastante para assumir sua própria vida; se você é dependente de deus a ponto de não saber o que fazer da vida sem a tal de revelação divina, ou se você acha que pode virar um grande delinquente ao se afastar dos conselhos de um líder religioso, aconselho-te a permaneceres onde está. A sociedade agrade!
 Saúde e sanidade a todos!
Texto escrito em 11/7/20
*Antônio F. Bispo é graduando em jornalismo, Bacharel em Teologia, estudante de religiões e filosofia.
Ferreira Bispo
Enviado por Ferreira Bispo em 11/07/2020
Código do texto: T7002765
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Ferreira Bispo
Cristinápolis - Sergipe - Brasil, 38 anos
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