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Relato 36) Fim do meu estudo com a Sagrada Medicina da Floresta-Ayahuasca(12/10/2019)

Antes de mais nada quero que entendam que o daime para mim não era uma religião ou uma doutrina, mas a maior oportunidade que existe para atingir estados elevados de consciência e se manter neles o tempo todo. Viver esta Verdade, de verdade.
Em 2 anos e meio fiz 35 trabalhos com a sagrada medicina. Recebi muita cura, muita mesmo. Tenho plena certeza de que a sagrada medicina foi  a responsável direta pelo elevado nível de consciência em que eu existo atualmente.
Durante uns 6 trabalhos eu (alguma parte de mim) disse para mim mesmo que nunca mais voltaria a "este lugar de doidos", mas logo após o término do trabalho eu estava sorrindo e rindo de tudo o que tinha acontecido: rindo do medo, da dúvida, das minhas fraquezas e da minha condição humana e de tudo o que não fosse Amor,
Com o uso da sagrada medicina descobri incontestavelmente "O Que Eu Sou" e agora escolho Viver esta Verdade com todas as minhas forças, e espalhar esta mensagem (trago aqui uma instrução, cabe a cada um o recebimento).
Gratidão ao Espírito Guerreiro que me anima, que me conduziu ao contato com a Sagrada Medicina da Floresta e que nunca desistiu de me fazer seguir adiante na expansão da minha consciência, para ter este maravilhoso e divino contato com Ele.
Gratidão a todos os seres divinos e a todos os reinos da Natureza.
Gratidão e força aos irmãos que continuam se depurando, com a sagrada medicina.
Gratidão e força aos irmãos que com amor laboram no feitio da sagrada medicina.
Gratidão ao Mestre Irineu, ao Padrinho Sebastião e a todos os padrinhos e madrinhas, sejam eles ligados ao Santo Daime ou ao xamanismo.
Gratidão ao Céu de Maria, ao Caminho Sagrado e ao Reino do Sol, que foram as casas onde comunguei a sagrada medicina.
Gratidão especial à direção da casa e aos fiscais do Reino do Sol, que souberam compreender o meu processo nos momentos eu que eu precisava sair da corrente.
Não sei se é um adeus ou até breve, rs. Só o meu Espírito sabe.

Início do relato
Fui só.
Em outubro eu não iria fazer nenhum trabalho.
No Reino do Sol teria gira de Erês, mas eu não queria ir neste, pois gira é um trabalho bem forte e depois deste último trabalho no Reino eu não me sentia pronto para fazer um trabalho de gira.
No Caminho Sagrado, no começo do mês constava no site que no dia 12 o trabalho seria bailado, para comemorar o aniversário de padrinho Mário.
Não vou em trabalho que seja somente de bailado porque não consigo bailar. Quando a força chega eu me transfiguro em outros seres, minha consciência sai do corpo...
Mas na sexta olhei novamente e constava que a primeira parte seria concentração, depois teria o bailado.
O trabalho seria no sábado.
Fiquei com vontade de ir, a esposa concordou.
Só que não fiz o preparo de 3 dias sem carne nas refeições, sem bebida alcóolica (bom, não bebo mais) sem sexo... Hum, aí lascou, pois a gente namorou na noite anterior, eu tinha comido carne nos dias anteriores...
Acreditei na sincronicidade e na sexta quando cheguei em casa veio uma limpeza forte por baixo,rs (diarréia com cólicas).
Depois disto acreditei mais ainda que eu tinha que ir neste trabalho.
O trabalho estava marcado para às 22:00.
O Caminho Sagrado é em Parelheiros (de carro, 01:30).
No sábado fiz algumas coisas em casa e a tarde deitei para descansar um pouco (das 18:00 às 19:30), pois pretendia sair de casa às 20:30
Sempre que tenho trabalho para ir, me preparo 3 dias antes, ou seja, o trabalho para mim já começou. E no dia estou naquela animação para ir.
Como não fiz o preparo, quando levantei da cama pensei "Puts, sair do conforto do lar, dirigir 01:30 pelo meio da cidade para ir até Parelheiros. Que doideira"
Veio aquele sorriso "que não é deste mundo" no meu rosto e dissipou as minhas dúvidas.
Saí de casa às 20:45, passei na padaria para comprar algumas coisas para o lanche coletivo e cheguei no Caminho Sagrado ás 22:30
Fui para o livro, depois entrei na igreja e coloquei as minhas coisas em uma cadeira. Gosto do lugar no fundo da igreja, onde posso encostar a cabeça na parede, quando o trabalho está mais tranquilo.
Peguei um cobertor para colocar na cadeira, outro para me cobrir e fiquei aguardando o início do trabalho.
O trabalho começou por volta das 23:00, com a palestra do padrinho Mário.
Muito instruído espiritualmente, falou da medicina da floresta, dos efeitos na consciência e respondeu a algumas perguntas.
Foi servida a primeira dose de ayahuasca.
Na palestra o padrinho disse que os veteranos poderiam tomar um copinho e meio (copinho de 50 ml) e os de primeira vez até um copinho. Mas que cada um "sentisse" qual a quantidade necessária.
Eu sempre tomei apenas um copinho, seja no primeiro, segundo ou terceiro despacho da ayahuasca
Desta vez "pedi" um copinho e mais um fundinho do copo.
Peguei alguns pedaços de maça que foram servidas e comi.
A seleção de músicas começou a ser tocada nas caixas e o trabalho estava iniciado.
Me enrolei no cobertor, me concentrei na respiração (que me coloca no momento presente, onde o pensamento e o ego não existem) e fiquei tranquilo, esperando a força chegar.
Como já existo na força, com a consciência expandida, logo as músicas começaram a fazer mais sentido, mesmo que algumas fossem apenas instrumentais, pois elas também carregam em si uma energia.
Após uns 40 minutos minhas mãos afastaram o cobertor, minha consciência se expandiu mais, cedendo espaço para os seres divinos e começei a trabalhar estas energias com as mãos.
Sem meu controle, os dedos das minhas mãos se juntavam, abrindo portais, trabalhando energias, formando pirâmides, olhos...
Teve um momento em que veio uma energia tipo Exú, fazendo a sua magia divina através das minhas mãos.
Alguns irmãos começaram suas limpezas neste momento.
** No Caminho Sagrado não há necessidade de sair da igreja para fazer a limpeza. No início do trabalho são distribuídos sacos plásticos e papel, e você pode fazer a limpeza (vômito) dentro da igreja mesmo **
Eu sempre pego este saquinho e deixo em qualquer lugar, pois nunca usei. Nos trabalhos do Caminho Sagrado eu enjoo um pouco, devido a alguma resistência, mas nunca nem saí da igreja.
Desta vez eu coloquei o saquinho embaixo do cobertor onde eu estava sentado.
Um irmão perto de mim fez uma limpeza bem forte, daquelas que às vezes  acontece no Céu de Maria e no Reino do Sol (Santo Daime).
"Do nada", em determinado momento senti uma forte reviravolta no estômago e por via das dúvidas rapidamente peguei o saquinho.
Qual não foi a minha surpresa quando senti que ia vomitar mesmo (este foi o meu 35º trabalho e eu nunca vomitei nada físico. No Santo Daime às vezes saia da corrente com ânsia, devido à alguma resistência minha, mas nunca cheguei a colocar nada físico para fora).
Comecei a vomitar bastante, saindo pela boca, pelo nariz. Do ponto de vista físico foi horrível, nem me lembro quando foi a última vez em que vomitei, por qualquer motivo. Nossa, como é ruim.
Fiquei assustado, pois isto nunca tinha acontecido em nenhum trabalho.
Quando terminei de vomitar eu disse baixinho "Pronto. Terminei"
E naquele momento eu sabia que este havia sido o meu último trabalho com a sagrada medicina e que se precisar eu meu Espírito vai me dizer.
Na verdade eu já sabia que estava próximo o fim do meu trabalho com a sagrada medicina, quando o meu cruzeiro (um colar com a cruz do Santo Daime, que foi feita no Céu do Mapía-AM) quebrou. O cordão era feito com um material parecido com corda e não apresentava nenhum sinal de desgaste ou rompimento. Partiu como se estivesse há tempos com desgaste.
Quando partiu, intuitivamente eu soube que não seria mais preciso comungar a medicina.
Assim que me acalmei, a força ainda estava bastante presente.
Um sorriso terno e amoroso aflorou em meus lábios e ouvi, daquela voz que quase vejo se formando no ar, "Não podíamos deixar você ir sem fazer esta limpeza"
Senti uma gratidão imensa, e que ali naquela limpeza havia saído tudo o que não estava me servindo mais.
Coisas de vários níveis: físicos, espirituais, mentais.
Recebi muitas instruções, mas não me lembro mais.
O trabalho prosseguiu. Depois de algum tempo voltei a trabalhar, com os seres divinos transfigurando sobre mim.
Ganeshe, Shiva, e vários outros seres divinos trabalhavam sobre mim.
Foi anunciada a segunda dose da ayahuasca, mas eu sabia que além deste ser o meu último trabalho, aquela havia sido a última vez que eu havia tomado.
Quando o irmão que estava servindo passou na minha frente, eu disse que não iria tomar este.
Pode ter sido impressão minha, mas depois vi a madrinha Tati olhando fixamente para mim, como esperando alguma ação de minha parte.
Quando o irmão que estava servindo a medicina passou por ela, ela perguntou se ele havia me servido. Ele disse que eu não quis tomar.
Ouvi isto não como ouviria com os ouvidos físicos, mas de um jeito diferente.
O trabalho continuou, a força foi se esvaindo.
Mas em determinado momento senti que eu não precisava mais da força. Ela já estava em mim. Eu era ela e ela era eu. Então comecei a trabalhar com estes seres, como se eu estivesse no auge da força.
Mesmo não estando sob a força da sagrada medicina, não tive sono, nem impaciência nem nada que quisesse me tirar dali.
Senti então que a tríade divina (corpo, mente e espírito) haviam finalmente entrado em harmonia.
Em uma ou outra canção eu ainda trabalhava, ajudando na corrente.
Depois foi chamada a roda de rapé, para quem quisesse fazer uso desta medicina.
O rapé foi aplicado lá fora da igreja, perto do temazcal. Eu não fui.
O trabalho prosseguiu, às vezes eu me enrolava no cobertor e encostava a cabeça na parede, relaxando nas músicas.
Às vezes eu afastava o cobertor e sentia um ser divino se enluvando sobre mim e trabalhando.
Depois foi anunciada a terceira dose da medicina.
Mais uma vez recusei.
O trabalho seguiu da mesma forma. Vez ou outra eu afastava os cobertores e começava a trabalhar.
O trabalho fois e encaminhando para o final. O padrinho fez a palestra de encerramento, depois comemos bolo de aniversário e os alimentos que trouxemos para o lanche coletivo.
Algumas pessoas ficaram para o temazcal, que o padrinho deu como presente, sem necessidade de contribuição.
Comi bolo, depois fui para a mesa coletiva e comi uma maça e mais algumas coisas.
Aí aconteceu uma coisa bem legal. Vários macaquinhos desceram da árvore e vieram comer na mão das pessoas.
Uma menininha dava pedaços de maça para eles e fazia carinho em suas costas.
Nunca os tinha visto tão próximos e interagindo com as pessoas (bem, em nem sabia que ali tinha macacos)
Como eu havia tomado somente o primeiro despacho, estava bem para ir embora.
Cheguei em casa tranquilo e confiante.
Devido à compromissos já assumidos com a família, não dormi. Só fui dormir as 21 horas do domingo.

**Hoje, 17/10/2019, ainda não canalizei. Esta canalização será muito especial, pois trará entendimento deste processo de cura com a medicina**


Autor: Valdemir Nunes da Silva
Jornada da Alma
Enviado por Jornada da Alma em 17/10/2019
Reeditado em 10/12/2019
Código do texto: T6771821
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
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São Paulo - São Paulo - Brasil, 51 anos
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