Pequeno ensaio sobre a dor
FAVORÁVEL - Não quero acabar em mais um vazio e nem do lado errado. Me arrependo do que não disse e dói querer dizer mais do que posso... Se me dissessem o que hoje sei diria...
OPOSTO - ...Não, não. Não diria nada. E lá vai mais um "não-dizer" e ele berra tanto!
...Por favor, por favor, por favor.... Não vou cansar de mendigar mais essa dor.
FAVORÁVEL - Vou continuar calado e sofrendo com toda essa ruína.
Dói mais ainda querer que não doa e só em pensar que
pode doer... Chega de dor. Nem sei mais o que dói.
OPOSTO - Não quero acabar do lado direito e nem inimigo de mim mesmo. Mas... Sabemos que o preciso não persiste.
FAVORÁVEL - Não quero perder mais essa. Não, não quero.
Vou deixar que me cuspam sem dizer um 'ai'. Vou morrer desse lado com uma flecha atravessada no peito.
OPOSTO - Te disse que não vai morrer desse lado.
Posso aqui escrever mas nesse canto me recuso a morrer.
FAVORÁVEL - Já aqui, nada dói... Somente as lembranças.
Desse lado o "não-dito" se desfaz.
Minha imaginação me aflora e preso aqui: nesse mundo intangível - tudo ganha mais sentido.
OPOSTO - Mas preso continuo desse lado também e já aqui, todo o sentido se perde... Ah, se pelo menos a flecha estivesse afiada.