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LEMBRANÇAS DO USO DE TECNOLOGIA NA INFÂNCIA
 
Aos 7 anos de idade, minha família tinha uma pequena televisão em preto-e-branco.  Morávamos, meus pais e meu irmão mais novo, em uma pequena casa de três cômodos na zona oeste de São Paulo. Os meninos tínhamos a televisão e meu pai um pequeno rádio vermelho AM/FM. A televisão era o nosso principal brinquedo. Meu pai colocava uma tela artificial, com manchas coloridas, na frente da televisão, para fingir que ela era colorida. Televisores coloridos, naquela época, eram novidades e caros para serem adquiridos. Com o tempo, agora morando no interior de São Paulo, tivemos uma TV colorida e também um aparelho de vídeo. Era a fita de vídeo que reinava nessa época, onde poderia ser alocada nas locadoras de vídeo. A diversão era pegar a fita de um filme preferido na sexta-feira, com a esperança de devolvê-la somente na segunda.

Na minha fase infantil, meu primeiro contato com a música foi por meio de um rádio simples, à pilha, depois o velho Walkman, que, além de transmitir as emissoras radiofônicas, tocava fita cassete. Isso para a minha época era uma modernidade. Eu nesse momento sonhava em ter também um aparelho que tocava LPs (Long-Play), tecnologia anterior aos tapes.  Só quando me tornei adulto e tive condições financeiras foi que consegui comprar uma vitrola e alguns discos usados, já que a produção de discos é quase nula nos dias de hoje. Mas a tecnologia estava tão rápida, naquele momento, e as mudanças nos engoliam sem fôlego. Pois logo em seguida surgiria a febre dos CDs (Compact Disc).  Uma das sensações que apareceu uma vez em casa foi o 3 em 1. Um aparelho de som que permitia tocar rádio, fita cassete e CDs. Bem, o meu não tinha o tocador de LPs, alguns modelos tinham. Mas na época em que minha mãe adquiriu o aparelho, os LPs já haviam saído de moda.


fonte da imagem: google

Eu também gostava muito de escrever (aliás, ainda gosto), então minha mãe me presenteou com uma pequena Olivetti, máquina de escrever, assim que acabei meu curso de datilografia. Eu usava a máquina para redigir meus pensamentos e minhas poesias, guardando os textos numa pasta preta com plásticos. Deixei, portanto, de escrever apenas de forma manuscrita, para dar uma expressão mais elegante aos meus escritos, com possibilidades que a caneta e o papel não me permitiam.


fonte da imagem: google

Telefonar virou parte do meu cotidiano quase no fim da década de 90, quando comecei a usar os “orelhões” públicos, com fichas. A evolução dos “orelhões” foi a possibilidade de usá-los por meio de cartões, vendidos nas vendas e bazares. Depois veio os primeiros celulares, apelidados de “tijolão”, por ser um aparelho grande, preto, semelhante ao Walkie talkie. Quando comecei a trabalhar, tive condições de comprar uma linha telefônica, que já era acessível a maior parte da população devido a privatização da rede de telefonia brasileira, e depois comprei meu pequeno celular, que usávamos, por incrível que pareça, apenas para ligar.


Fonte de imagem: google

O computador foi aparecer na minha vida justamente depois de 1995, quando fiz meu primeiro curso de informática. Lá, aprendemos a lidar com o sistema MS-DOS, onde decorar os códigos de entrada de informações para o PC era de vital importância. Nessa época, para iniciar o sistema, precisávamos de um disquete. E também tive formação para trabalhar com o recentemente lançado Windows 95, revolucionando o modo em que as pessoas interagiam com a máquina. Entre ter um curso de informática e ter meu primeiro computador pessoal demorou alguns anos, assim que comecei a trabalhar e com a ajuda dos escassos dividendos de minha mãe, consegui comprar meu primeiro computador.  A forma para armazenar arquivos fora do computador também evoluiu do disquete para os pen-drives e CDs ou DVDs graváveis e regraváveis. Hoje a tecnologia de armazenamento avançou bastante, aumentando a capacidade dos pen-drives, a possibilidade de armazenamento em cartões de memória SD, micro SD e armazenamento na nuvem, como é chamado o serviço de armazenamento na internet.

Tivemos, eu e meu irmão, videogames também. Apesar de serem de “segunda mão”, na adolescência pudemos comprar e nos divertir, passando tempos discutindo quem venceria o jogo de futebol ou a luta entre os personagens de arte-marciais.

As câmeras fotográficas eram um outro barato da minha década de 90. Um aparelho que necessitava de filmes fotográficos, que colocávamos dentro dele. Após cada foto tirada, usávamos uma alavanca para mudar a posição do filme fotográfico e assim tirar a próxima. Nem pensar em abrir o compartimento do filme, pois poderíamos queimar as fotos. Para saber do resultado, só depois de levar a uma casa de revelação. As surpresas eram inúmeras: além das fotos tiradas com os olhos fechados dos parentes, também tínhamos fotos manchadas por luzes em excessos, queimadas, tremidas, desfocadas... Era uma diversão. Os filmes queimados, apesar da frustração, serviam-nos para vermos o eclipse solar.

Fonte da imagem: google

E assim foram as mudanças constantes dos quase 40 anos vividos com a tecnologia. Quando ela, de alguma forma, obrigou-me a mudar todas as perspectivas da vida, alterando-me sensivelmente. Mas o mais importante foi a possibilidade de participar do mundo, apesar dos pesares...
 
Valdir Lopes
valdirfilosofia
Enviado por valdirfilosofia em 23/07/2019
Reeditado em 23/07/2019
Código do texto: T6702716
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
valdirfilosofia
Penápolis - São Paulo - Brasil, 37 anos
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