Hobbes versus Rousseau. O homem, em sua essência, é mau ou bom?
Diante das atrocidades praticadas pelos homens e alardeadas pela mídia, tomamo-nos de um momento de reflexão.
Na idade moderna, dois grandes filósofos defendiam teses antagônicas a respeito da natureza humana.
O filósofo inglês Thomas Hobbes dizia: “O homem é mau; o homem é o lobo do homem”.
Hobbes, assim como Maquiavel, tinha uma visão negativa dos seres humanos. Ele acreditava que, basicamente, somos todos egoístas, movidos pelo medo da morte e pela esperança de ganhos pessoais. Buscamos o poder sobre os outros, independente de percebermos ou não.
Somente algumas pessoas são egoístas? Hobbes discordava. Ele considerava que, no fundo, todos nós somos egoístas. Só Estado forte e a ameaça de punição poderiam manter-nos sob controle.
A consequência disso, argumentava ele, é que se a sociedade se dissolvesse e tivéssemos de viver no que ele chama de “estado de natureza”, sem leis ou ninguém para aplicá-las, todos nós roubaríamos e mataríamos quando necessário.
Na memorável descrição de Hobbes, a vida fora da sociedade seria solitária, pobre, sórdida, embrutecida e curta. Nesse mundo sem leis, nem mesmo o mais forte estaria seguro por muito tempo, pois precisamos dormir, dizia, e enquanto estamos adormecidos, somos vulneráveis ao ataque. Até o mais fraco, se esperto o suficiente, seria capaz de destruir o mais forte.
Hobbes sustentava a necessidade de um poder absoluto que mantenha os homens em sociedade e impeça que eles se destruam mutuamente.
Contrariamente, o filósofo genebrino Jean-Jacques Rousseau defendia a tese de que “o homem é, naturalmente, bom, a sociedade é que o corrompe”.
Rousseau glorifica os valores da vida natural, a liberdade de que desfrutava o selvagem e ataca a corrupção, a falsidade, a avareza, o artificialismo e os vícios da sociedade civilizada. Daí o mito do bom selvagem.
Em sua obra “Do Contrato Social”, expõe sua tese de que o soberano deve conduzir o Estado segundo a vontade geral do povo com vistas ao atendimento ao bem comum.
No entanto, ambos eram contratualistas e defendiam a existência de um “contrato social”, porém lastreados em convicções antagônicas.
Fica, portanto, a pergunta: o homem, em sua essência, é mau, conforme Hobbes ou bom, no entendimento de Rousseau?
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