Imagina!

Você por certo já terá se deparado com essa reação ao dizer um obrigado. Se não, apavore-se não: inda há de ouvi-la, da boca de crente ou de cristão. A primeira vez que recebi essa curiosa resposta a um meu muito obrigado foi em 2004. Logo em Helsinque. E de uma refinada senhora, filha única dum ex-ministro de Getúlio, dona de seu nariz empinadinho - que, feliz, ela havia confiado a algum Pitanguy das europas.

Morigerada e voluntariosa, essa minha senhora havia vivido boa parte de sua carreira profissional em países francófonos e, naturalmente achava gostoso o seu francês - embora dois de seus três filhos, todos varões, fossem mais que italianos, sicilianos.

Não me passou pela cabeça pedir-lhe então a etimologia, ou a razão daquele "imagina". Achei que fosse um modismo particular e até fosse tão antigo quanto eu, e coisa corrente do Rio capital, ainda dos anos cinquenta. E depois, caído no oblívio do linguajar. Pois é, as gírias, os neologismos, as novidades costumam ter vida útil relativamente breve.

Quem é que se lembra da brasa, mora, do tudo jóia, do renqüém, do roscof, do tranchan? Acredito que já não perfaçamos mais que 20% da população nesse patamar.

E me vêm aqui, duma feita, dois neologismos de Cleusinha, mais loira musa então que a Vanuza, grafados em romântica cartinha, do já também já longínquo ano de 71 - quando o Galo foi campeão brasileiro, primeiro, e aparentemente, derradeiro - mas sem querer ser galhofeiro: num só parágrafo Cleusinha começou com um "deusquando", e terminou por um "talquei"...e se o amor não frutificou não foi por falta de neologismo, certo estou. Imagina!

Paulo Miranda
Enviado por Paulo Miranda em 24/03/2015
Reeditado em 11/03/2021
Código do texto: T5181285
Classificação de conteúdo: seguro