DO BREVE E FORTE LEGADO DE EDUARDO CAMPOS

Já estamos em agosto de dois mil e quatorze e esse ano se nos mostra um tanto rápido e agitado, não apenas no mundo, mas também aqui no nosso caro e tão sofrido Brasil.

O ano marcou mais uma copa mundial de futebol por nós sediada, momento de afrouxamento das tensões pontuadas por tantos conflitos nacionais e internacionais, dificuldades econômicas e perdas irreparáveis de grandes celebridades mundiais e brasileiras, tanto no mundo artístico e cultural, como no meio político.

Ano já às vésperas da nossa eleição presidencial.

E ontem, infelizmente, mais uma tragédia nos abateu a todos: num acidente aéreo perdemos Eduardo Campos e sua equipe de assessores que o acompanhavam em campanha eleitoral de presidenciável; um jovem e audacioso político promissor que despontava com todo vigor na politica brasileira, com um curriculum construído brilhantemente, e cuja bandeira de mudanças muito inovadoras e intrínsecas no comando de novos rumos ao Brasil encantava, ainda que timidamente, boa parte do eleitorado brasileiro, principalmente o pernambucano.

Talvez não fosse ele o candidato a assumir a presidência nesse presente momento, todavia, ele equilibrava as forças políticas como o fiel duma balança que há muito tempo pende equilibrada para polos das mesmices ideológicas que cansaram e que já não satisfazem boa parte da população produtora de bens e serviços...os que trabalham pelo e para o país.

Portanto, entendo que hoje o Brasil acorda mais pobre, e não me refiro à pobreza perene e progressiva que todos conhecemos tão bem apenas observando os entornos com olhos acurados e que tão tristemente nos denuncia a evidente falência das políticas públicas em combatê-la, a despeito das estatísticas maravilhosas que nunca fecham com a triste realidade vivenciada.

Eu me refiro aqui à pobreza holística que sentimos quando perdemos algo ou alguém que temos como exemplo, algo de difícil substituição,e no caso de Eduardo Campos uma perda quiçá irreparável frente às dificuldades políticas de hoje em dia em repormos políticos que resgatem a ética, a eficiência com eficácia naquilo que, das mãos da estratégia de políticas públicas, teria como destino certo a aplicabilidade na satisfação do bem comum.

Eduardo Campos hoje se trata duma perda à mais jovem consolidação do nosso futuro social- democrático, duma jovem democracia que, a despeito da bela história de luta e conquista dos ideais de liberdade e governabilidade popular, hoje patina num chão de desesperança notória na tentativa de procurar o rumo produtivo perdido no todo.

Perdemos um político jovem e talentoso, cujo reencontro de tal performance de construção e atuação na história política jovem do Brasil nos demoraria ainda algumas gerações no tempo, aliás num nosso tempo bem difícil...isso se começássemos a educar com emergência para evitarmos mais gerações perdidas nas diversas áreas do conhecimento.

Perdemos a esperança também, ainda que momentãnea, dum grande investimento em alguém que significaria a volta por cima do caos em tempo breve, o encorajamento das esperanças das tantas mudanças que ansiamos como necessárias e prioritárias para a reconstrução do Brasil.

Dou-me conta de que perdemos um herói que será mitificado pelo que não lhe houve tempo de executar como presidente duma nação.

Ainda assim, sinto que sua morte, e que mesmo a despeito de não estar mais entre nós, já nos pontua um grande legado, a forte mensagem deixada por ele, a de que é possível fazer politica com ética, a tal politica ciência e arte, aquela em prol da justiça social real, não apenas politica de discurso que pouco ou quase nada muda, de fato, a vida das pessoas.

Eduardo Campos, infelizmente e inclusive depois da sua morte, também mostrou claramente ao Brasil o quanto era respeitado no mundo politico, prova cabal de que ninguém fica indiferente às brilhantes e promissoras lideranças genuínas que sempre surgem a trabalhar politicas sociais sérias, discursos comprometidos com a prática arrazoada nas intenções, encantando mesmo àqueles cujo discurso está muito longe de reafirmar suas atitudes competentes.

Eduardo Campos conseguiu o que parecia impossível e que com certeza sequer previu: uniu o Brasil inteiro, eleitores seus e de todos os seus opositores de legendas, numa comoção que sequer saberíamos dimensionar que peso terá ela na próxima eleição.

Mas que pesará forte.

O Brasil inteiro parou para chorar e para prestar mais atenção no que vai nos acontecer daqui para frente.

Quem saberia garantir o rumo dessas próximas eleições presidenciais?

Eis um fato político inédito, ninguém pode negar.

Embora parecido com o episódio da morte de Tancredo Neves.

Intuo que dessa vez o Brasileiro votará muito mais com o coração partido e não apenas com o partido do coração...o que pode mudar totalmente o rumo da próxima eleição.

Os candidatos decerto que saírão em busca duma fatia desse eleitorado comovido e desesperançado, porque é assim que funcionam as ciências humanas, das quais a política é apenas uma delas.

Abre-se portanto, uma incógnita complexa e futura ao processo eleitoral polarizado entre dois pêndulos: velhas e desgastadas legendas que tão bem já conhecemos e que parecem já não agaradar aos muitos "nem aos gregos e nem aos troianos" que até então, desanimados, não sabiam muito bem o que fazer como seu voto, já que no Brasil o voto útil sempre despenca a quem tem mais chance nas urnas.

Eduardo Campos, in memórian dum grande legado que subitamente nos outorgou , também nos mostrou a todos que somos um povo unido na dor e nos projetos dum Brasil melhor.

Talvez apenas ainda não saibamos muito como nos conduzir para o alcance das mudanças aos objetivos sociais e democráticos tão imprescindíveis à melhoria da vida cidadã, a que todos brasileiros ansiamos independentemente de legenda política, só porque amamos o Brasil.

Acredito que todo Homem está acima da sua legenda, porque o que pulsa no ser são sempre seus princípios, suas virtudes, e seus ideais.

A índole está acima de tudo.

O destino dum país tem que ser "alegendário" porque ideais à Nação não são projetos de idelogia vazia, a que não sai do papel e dos palanques.

Precisamos de projeto de governo para todos, projeto que constitucionalmente una e não que segmente mais um país de tantas diferenças regadas historicamente.

Ideais são ideias, projetos e desejos postos em prática para melhorar o todo que é de todos!

Enfim, as eleições estão chegando.

Que saibamos escolher dentre o grande legado deixado por Eduardo Campos:QUE NÃO DESISTAMOS DO BRASIL!

Assim sendo, já será um crédito dado ao seu ilustre trabalho na sua tão breve história política, tão produtiva em prol do nosso país.

E eu , como brasileira, sempre rezo por todos nós: AMÉM.